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Os gastos de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, no cartão corporativo do clube
ge — Futebol · 2026-07-28T23:16:59.000Z
Os gastos de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, no cartão corporativo do clube
O Ministério Público de São Paulo arquivou o inquérito policial que investigava Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, por suposta falsidade ideológica.
A decisão foi assinada pela promotora de Justiça Daniela Domingues Hristov, da 4ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. No documento, a promotora relatou ausência de tipicidade penal da conduta investigada e promoveu o arquivamento do inquérito.
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A Polícia Civil havia indiciado o dirigente na última quinta-feira. A investigação começou depois de um pedido da Comissão de Ética do São Paulo. Em relatório datado de 29 de abril, o colegiado apontou que Olten Ayres poderia ter cometido o crime de falsidade ideológica e determinou o encaminhamento do documento às autoridades.
No inquérito, a Polícia Civil concluiu que um documento de 17 de dezembro de 2025, assinado por dois membros do Conselho Consultivo do São Paulo, José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda, teria sido elaborado previamente por Olten Ayres e apenas entregue aos conselheiros para assinatura.
Na decisão, o Ministério Público destacou que o Conselho Consultivo possui natureza apenas consultiva e não tem competência para alterar o Estatuto Social do clube ou produzir efeitos jurídicos dessa natureza.
O MP também afirmou que não ficou demonstrado que o documento tivesse potencial para prejudicar um direito, criar uma obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, elementos indispensáveis para a caracterização do crime de falsidade ideológica. Na prática, que não compete a um órgão público julgar o fato.
Em nota enviada ao ge, Olten Ayres afirmou que não vai se manifestar sobre o caso.
Esta investigação não tem relação com a força-tarefa formada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil que conduz outros três inquéritos envolvendo o São Paulo para apurar possíveis irregularidades na gestão de Julio Casares. As apurações tratam de suspeitas de lavagem de dinheiro, da exploração clandestina de camarotes no Morumbis e de corrupção no departamento social.
Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo
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A Comissão de Ética do São Paulo apontou, em seu relatório, com base numa denúncia do presidente Harry Massis, que no dia 17 de dezembro de 2025 o então mandatário Julio Casares iniciou um processo de reforma estatutária, encaminhando sua proposta para o Conselho Deliberativo.
Eram duas sugestões: acabar com o quórum qualificado para aprovar a criação de uma SAF no São Paulo (hoje, é necessário mais de dois terços dos votos favoráveis para que o assunto vá em frente) e separar o futebol do clube social.
No mesmo dia, Olten Ayres encaminhou o pedido ao Conselho Consultivo, seguindo o rito necessário para a discussão de uma reforma estatutária. Ainda em 17 de dezembro, o Conselho Consultivo emitiu um relatório favorável às mudanças no Estatuto Social:
“Esta reforma não é apenas pertinente, mas, sobretudo, vital para a salvaguarda e o crescimento futuro do São Paulo Futebol Clube”, diz um trecho do parecer, assinado por José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Granda da Silva Martins, presidente e secretário do Conselho Consultivo, respectivamente.
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A proposta, então, foi para a Comissão Legislativa, que no dia 6 de abril elaborou um parecer contrário à aprovação da reforma estatutária. Esse documento foi encaminhado ao Conselho Deliberativo no dia 8.
Olten Ayres, de imediato, invalidou o parecer a Comissão Legislativa, por apontar que ela havia extrapolado o prazo de 30 dias previsto no Regimento Interno para emiti-lo. O presidente Harry Massis alegou, em sua representação contra Olten, que o não cumprimento desse prazo não invalidaria o parecer.
A Comissão de Ética do São Paulo, ao investigar o caso, afirma ter ouvido os membros do Conselho Consultivo sobre o parecer pedindo a aprovação da reforma estatutária e concluído que o colegiado não se reuniu para discutir o tema, ao contrário do que indicava o parecer pedindo a aprovação da reforma.
“Após um detido exame do teor da proposição, cujos fundamentos se alicerçam no artigo 145, alínea “c” do Estatuto Social, ESTE CONSELHO CONSULTIVO manifesta seu mais absoluto e irrestrito endosso às modificações estatutárias ali preconizadas”, apontava o relatório do Conselho Consultivo.
A Comissão de Ética, portanto, entende que o relatório, assinado por Pimenta e Ives Granda, deveria refletir a vontade de todo o Conselho Consultivo depois de uma possível discussão do colegiado.
A investigação interna, porém, concluiu que:
o assunto não foi debatido pelo Conselho Consultivo;
não houve reunião para debater a reforma estatutária;
e não houve debate entre os membros do colegiado.
A Comissão de Ética ainda cita um e-mail de Ives Granda da Silva Martins em que o advogado apontou que o relatório do Conselho Consultivo reflete, na verdade, “apenas conversas isoladas com alguns conselheiros”.
Ives ainda alegou, de acordo com a Comissão de Ética, que a “carta” sugerindo a aprovação da reforma estatutária “terminou não refletindo, exatamente, o tipo de discussão que resultou na referida sugestão”.
Ela teria sido redigida, na verdade, por um advogado do São Paulo, não pelos membros do Conselho Consultivo, como está no relatório da Comissão de Ética.
A Comissão de Ética, então, concluiu que “se corporifica nesse documento utilizado pelo representado (Olten Ayres) para respaldar a proposta de alteração estatutária e encaminhá-la à comissão legislativa, inegavelmente, um eventual falso ideológico, pois o teor do documento não condiz com a realidade e a lealdade dos fatos.”
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