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O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária.
G1 — Brasil · 2026-07-28T23:34:42.000Z
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra quatro suspeitos de integrar um núcleo da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) detalha a função que cada um deles exerceria no monitoramento do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do secretário de Administração Penitenciária, Roberto Medina.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas para coletar e repassar informações que poderiam subsidiar atentados contra as autoridades.
De acordo com a denúncia, os quatro integravam, desde pelo menos junho de 2025, uma estrutura do PCC voltada ao levantamento de endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e informações sobre agentes públicos.
O material seria encaminhado à chamada "Sintonia Restrita", setor da facção apontado pelo Ministério Público como responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra autoridades.
Dos quatro denunciados, dois já estão presos por outros processos relacionados ao tráfico de drogas. Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha", e Sérgio Garcia da Silva, o "Messi", cumprem prisão na Penitenciária de Avaré I.
Já Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão", e Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado", respondem em liberdade. Na denúncia, o MP-SP pediu a prisão preventiva dos dois, sob o argumento de que eles poderiam continuar atuando em favor da organização criminosa.
O g1 não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos denunciados até a última atualização desta reportagem.
Veja abaixo quem são os denunciados e qual o papel atribuído a cada um deles pela investigação:
Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão"
Victor Hugo da Silva, o "VH" ou "Falcão".
Victor Hugo da Silva, de 20 anos, é apontado pelo MP-SP como o responsável pelo monitoramento de Roberto Medina em Presidente Venceslau, no interior paulista.
Segundo a denúncia, a investigação começou justamente após a prisão dele, em 2025, quando um celular apreendido revelou mensagens, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e registros relacionados à rotina do coordenador da Croeste. A partir da análise desse aparelho, o Gaeco identificou os demais integrantes do grupo.
De acordo com os promotores, Victor Hugo utilizava o codinome "Falcão" nas conversas interceptadas e enviava as informações coletadas em campo para outro integrante da organização, identificado como "Maurício", posteriormente reconhecido como Wellison Rodrigo Bispo de Almeida.
Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício"
Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o "Corinthinha" ou "Maurício".
Segundo a denúncia, Wellison ocupava uma posição estratégica na estrutura investigada.
Preso em outro processo por tráfico de drogas, ele seria o destinatário das informações produzidas por Victor Hugo e o responsável por centralizar esse material antes de encaminhá-lo à "Sintonia Restrita" do PCC.
A investigação aponta que arquivos encontrados no celular de Wellison eram idênticos aos localizados no aparelho de Victor Hugo, indicando que ele recebia e armazenava os registros do monitoramento.
O Ministério Público também afirma que Wellison era uma pessoa de confiança da facção e que Sérgio Garcia da Silva atuava diretamente sob sua coordenação.
Sérgio Garcia da Silva, o "Messi"
Sérgio Garcia da Silva, o "Messi".
Sérgio Garcia da Silva é apontado como o integrante responsável por monitorar a rotina do promotor de Justiça Lincoln Gakiya em Presidente Prudente.
Segundo a denúncia, ele realizava levantamentos sobre os deslocamentos e hábitos do promotor e mantinha contato frequente com Wellison.
Sérgio foi preso em outro processo por tráfico de drogas. Na ocasião, policiais apreenderam três celulares. Em um deles, segundo o MP-SP, havia registros relacionados ao monitoramento de autoridades públicas.
Os promotores afirmam ainda que ele negou ser o proprietário do aparelho, mas a perícia concluiu que o telefone armazenava informações relevantes para a investigação.
Adilson Audinir Oliveira Junior, o "Ju Machado"
Na denúncia, Adilson aparece como o responsável por dar suporte às comunicações do grupo e auxiliar na eliminação de provas digitais.
Segundo o Ministério Público, ele foi identificado após a análise de mensagens encontradas no celular de Sérgio e de uma carta apreendida durante as investigações.
Para os promotores, Adilson orientava a exclusão de conversas, auxiliava na ocultação de conteúdos considerados comprometedores e atuava como interlocutor em tratativas sensíveis da organização criminosa.
Como funcionava o grupo
Segundo o Gaeco, a investigação identificou uma divisão de tarefas entre os quatro denunciados.
Victor Hugo seria responsável por levantar informações sobre Roberto Medina em Presidente Venceslau. Wellison receberia e centralizaria esses dados antes de repassá-los à estrutura superior da facção.
Sérgio monitoraria a rotina do promotor Lincoln Gakiya em Presidente Prudente. Já Adilson daria apoio às comunicações do grupo e ajudaria a apagar vestígios digitais.
Para o Ministério Público, esse fluxo estruturado demonstra que os denunciados atuavam de forma coordenada para abastecer a "Sintonia Restrita", incluindo atentados contra autoridades públicas.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, da Secretaria de Administração Penitenciária.
Em outubro do ano passado, o MP-SP e a Polícia Civil deflagraram uma operação que revelou um plano do PCC para executar Gakiya e Medina.
De acordo com as investigações, os criminosos alugaram uma casa de luxo a menos de um quilômetro do condomínio onde vive o promotor e usaram até drones para monitorar por meses a rotina dele e de Medina.
As ordens para os ataques partiram de dentro de presídios federais e seriam executadas por integrantes da facção em liberdade.
Ao todo, 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do interior paulista.