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Do sonho com Guardiola e erro com Pirlo, Itália vai à aposta em estepe Mancini; entenda crise

Pirlo não será mais técnico da Itália

ge — Futebol · 2026-07-29T06:00:46.000Z

Pirlo não será mais técnico da Itália

Frustração é a palavra no futebol italiano. Depois de não disputar as últimas três Copas do Mundo, a tetracampeã Itália começa novo ciclo da pior forma possível: turbilhão de incoerências e decisões controversas que aumentam ainda mais a insegurança quanto ao futuro da Azzurra.

Nesta terça-feira, 28 de julho, o site da Federação Italiana de Futebol (FIGC) expunha a chegada de Cláudio Ranieri como diretor técnico e Roberto Mancini como treinador da Itália. Na aba de notícias, logo ao lado, estava a defasada publicação de quatro dias antes, em que o presidente da federação, Giovanni Malagò, apresentava o "futuro do futebol italiano" junto de Maldini e Leonardo, que a esta altura já tinham abandonado o barco.

Se você piscou nos últimos dias, provavelmente perdeu algum detalhe da confusão italiana, mas o ge te explica o contexto conturbado.

O presidente da FIGC e suas ideias

Após o terceiro fiasco consecutivo em Eliminatórias Europeias para uma Copa do Mundo, a Itália passou por total reformulação no futebol. O antigo presidente da FIGC, Gabriele Gravina, renunciou ao cargo, assim como Gianluigi Buffon e Gennaro Gattuso deixaram seus postos de diretor e treinador, respectivamente.

Após eleições, Giovanni Malagò foi escolhido como presidente da federação. O dirigente chegou com a chancela dos 12 anos que esteve à frente do Comitê Olímpico Nacional da Itália (CONI), que é o órgão responsável por todos os esportes italianos, tendo inclusive a FIGC como uma de suas federações afiliadas.

Ao lado de Paolo Maldini e Leonardo, que conduziriam a direção de futebol, Malagò fez a primeira aparição pública na última sexta-feira. Na ocasião, falou em "mudança de mentalidade" e "reconstrução desde a base". A ideia era clara: renovação, porém sem deixar de lado a importância de resultados imediatos, para voltarem a disputar uma Copa do Mundo em 2030.

Giovanni Malagò ao lado de Leonardo e Maldini em apresentação na FI

Do sonho com Guardiola ao erro com Pirlo

Para buscar novas ideias de futebol, mas com necessidade de resultados breves, Maldini viajou para Barcelona, onde passou três dias e teve conversas com Pep Guardiola, negociações que não se concretizaram. O treinador catalão preferiu não assumir o desafio.

O ex-zagueiro do Milan afirmou ter procurado até Carlo Ancelotti, hoje técnico da seleção brasileira. Mas quando veio a definição do novo treinador, Andrea Pirlo, houve um choque antes mesmo do anúncio oficial, como conta o jornalista Massimo Franchi, do jornal Tuttosport, em conversa com o ge.

— É como dizer que negociou por dias com Guardiola, uma Ferrari, dizer que procurou Ancelotti, uma Lamborghini, e depois contratar Pirlo, um Fiat Cinquecento — compara o repórter italiano.

Com 116 jogos pela seleção italiana e titular da Copa do Mundo de 2006, quando a Itália conquistou o Tetra, Pirlo é ídolo nacional. Mas sua carreira como treinador não teve, até então, o mesmo brilho dos tempos de meio-campista. Iniciou sua trajetória na área técnica em 2020, na Juventus, e terminou em quarto no Campeonato Italiano, quando a Juve vinha de nove títulos consecutivos. Depois, teve trabalhos sem sucessos em Karagumruk, da Turquia, Sampdoria, na segunda divisão da Itália, e atualmente comanda o Dubai United, que acaba de subir para a elite dos Emirados Árabes Unidos.

Com carreira de treinador modesta, Pirlo foi escolhido de Maldini e Leonardo para treinar seleção italiana

Das incoerências ao recálculo de rota

Quando apresentado como presidente da FIGC, ao lado de Maldini e Leonardo, Malagò afirmou ter "total alinhamento" com os dois dirigentes, com os quais "compartilhava todas as decisões". Tentar as contratações de Pep Guardiola e Carlo Ancelotti, treinadores de estilos totalmente diferentes, por si só, já demonstra incoerência.

Depois de conversar com os dois, acertar com um treinador que nunca teve um trabalho de sucesso só piorou a situação. Com a notícia de que Andrea Pirlo seria o escolhido, a opinião pública na Itália foi péssima. O presidente, que não compartilhava tanto assim as decisões com Maldini e Leonardo, teve ao seu lado um contrato publicitário de Pirlo.

Desde 2025, ele é treinador do Dubai United, que tem como proprietário o empresário Sergey Lomakin, um dos sócios da casa de apostas russa Fonbet, que é ligada ao governo de Vladimir Putin. Se seu histórico comandando times de futebol já não era bom, a pressão contra seu trabalho só aumentou com a ligação com o governo russo, em meio à guerra contra a Ucrânia, que tem o apoio da Itália. Ao ponto da vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno, se posicionar contra.

Segundo o jornal La Gazzetta dello Sport, o contrato publicitário seria encerrado automaticamente assim que o treinador oficializasse a saída do clube árabe. Mas sua imagem já estava arranhada após fotos de sua presença em um evento da Fontbet, em Moscou, ressurgirem. Malagò decidiu então cancelar a contratação de Pirlo. Maldini e Leonardo foram contra e acabaram renunciando os cargos.

De acordo com a imprensa italiana, o ex-zagueiro do Milan discutia um Plano B, que seria o ítalo-brasileiro Thiago Motta, que já comandou Bologna e Juventus. No entanto, não chegou a um acordo com o presidente da FIGC, que consideraria outro nome sem o peso suficiente para a missão.

Presença de Pirlo em evento da Fonbet, casa de apostas ligada ao governo da Rússia, afastou treinador da Itália

Não tem tu, vai tu mesmo

Antonio Conte, que está sem clube desde que deixou o comando do Napoli, voltaria a ganhar força na disputa pela vaga. Mas seu histórico não favorece uma visão a longo prazo, como a Itália, que mira 2030: Conte nunca teve um trabalho maior do que três anos. Nas últimas cinco equipes que comandou, abandonou após a segunda temporada, incluindo a seleção italiana, que treinou entre 2015 e 2016.

Precisando de uma resposta rápida em meio a grande crise e com a necessidade de um nome forte para treinar a seleção italiana, Mongalo optou por Roberto Mancini, que acumula títulos importantes em trabalhos como Inter de Milão, Manchester City e a própria Itália. Com Mancini, os italianos levantaram seu último troféu, a Euro 2021, e chegaram a ter recorde de invencibilidade entre seleções.

Apesar disso, também não é um nome que agrada a crítica local. Em agosto de 2023, Mancini abandonou o trabalho na seleção italiana a menos de um ano da Eurocopa de 2024. Dez dias depois, ele assinou com a seleção da Arábia Saudita, o que foi considerado grande traição na Itália. O diretor que vem para o lugar de Maldini é Claudio Ranieri, nome de peso, mas que, com seus 74 anos, não representa a renovação anunciada anteriormente.

— Mancini é contestado, mas não é ruim como o Pirlo, é um bom treinador. Ganhou a Euro em 2021, mas teve erros decisivos para a eliminação antes da Copa de 2022 e saiu como um traidor. Em resumo, é uma vergonha. Sem opções após cancelamento de Pirlo, Mancini serve como estepe. Federação italiana faz um trabalho ridículo, que não é sério nem profissional — conclui o jornalista Massimo Franchi.

Roberto Mancini volta ao cargo de treinador da Itália

Neste contexto conturbado, a seleção italiana já tem jogos importantes contra Bélgica e Turquia em setembro. Os duelos são válidos pelo Grupo A da Liga das Nações da Uefa, que também conta com a seleção francesa.

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