ITATIBA1

Pressão máxima: governo espera nova ofensiva dos EUA contra o Brasil

Donald Trump e Lula

G1 — Política · 2026-07-29T11:13:36.000Z

Donald Trump e Lula

ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images/Via BBC

O governo brasileiro avalia que a crise diplomática com os Estados Unidos ainda está longe de atingir seu ponto máximo. Ao contrário: a expectativa, segundo integrantes do governo ouvidos pela blog, é de uma nova escalada nos próximos dias ou semanas.

A leitura no Palácio do Planalto e no Itamaraty é que a eleição presidencial brasileira passou a integrar uma disputa geopolítica mais ampla pelo comando político da América Latina.

A avaliação ganhou força depois da decisão do governo brasileiro de negar vistos a dois representantes americanos que viriam ao país em missão relacionada às eleições. No Itamaraty, a percepção é de que será difícil Washington deixar a medida sem resposta.

Quem são os funcionários americanos que tiveram visto negado pelo Itamaraty

A expectativa é de uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos, mas outras medidas também não são descartadas. Entre elas, permanece no radar a possibilidade de utilização da Lei Magnitsky como instrumento adicional de pressão.

Agora no g1

Nos bastidores, diplomatas resumem o cenário em duas palavras: pressão máxima.

A avaliação é que os Estados Unidos podem combinar medidas diplomáticas, administrativas e econômicas com uma ofensiva política e de comunicação para aumentar a pressão sobre o governo brasileiro.

A expectativa não é necessariamente de um único gesto de grande impacto, mas de uma sequência de iniciativas capazes de ampliar o desgaste institucional, fortalecer discursos de perseguição política e alimentar questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro.

Na visão do governo, esse ambiente visa a beneficiar politicamente Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é que cada novo episódio de tensão com Washington reforça sua narrativa de vítima do sistema, herdeiro político de Jair Bolsonaro e candidato respaldado pela direita internacional. Ao mesmo tempo, serve para turbinar um discurso de desconfiança sobre o resultado das eleições, sobretudo em caso de derrota.

No Itamaraty, a interpretação é que o Brasil se tornou hoje o principal foco de resistência a um movimento de fortalecimento da direita na América Latina. A avaliação é que diversos governos da região já estão alinhados politicamente a Donald Trump e que a disputa brasileira passou a ter importância estratégica nesse contexto regional.

Diplomatas brasileiros fazem uma ressalva: isso não significa que cada movimento de lideranças conservadoras na região seja coordenado diretamente pela Casa Branca. A leitura, porém, é que existe uma articulação política internacional entre grupos da direita, que atuam de forma convergente, reforçando narrativas, apoiando candidaturas e ampliando pressão sobre governos de esquerda.

É nesse contexto que o governo enquadra a atuação do presidente argentino, Javier Milei. A avaliação é que, além do alinhamento ideológico com Trump e com o bolsonarismo, Milei também encontra vantagens políticas internas ao ampliar o confronto com Lula, deslocando o foco de dificuldades enfrentadas por seu governo na Argentina.

No Planalto, a conclusão é que a crise bilateral ainda está em desenvolvimento e que novos capítulos são considerados não apenas prováveis, mas esperados.

Leia no Itatiba1 →