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Irara com mutação rara é registrada durante monitoramento de fauna no RJ

Irara com leucismo (Eira barbara)

G1 — Brasil · 2026-07-29T12:23:29.000Z

Irara com leucismo (Eira barbara)

Um monitoramento realizado pelo Programa Carnívoros do Rio no entorno do Parque Nacional do Itatiaia, em Resende (RJ), registrou um dos achados mais relevantes do ano para a fauna fluminense: uma irara (Eira barbara) com leucismo, mutação genética rara que causa perda parcial da pigmentação da pele e dos pelos.

O animal foi flagrado por armadilhas fotográficas em diferentes momentos ao longo de vários meses, o que permitiu à equipe acompanhar seu deslocamento e comportamento. É apenas o segundo registro conhecido de uma irara leucística no estado do Rio de Janeiro, o primeiro ocorreu em Visconde de Mauá, no Parque Estadual da Pedra Selada.

Diferentemente do registro anterior, as imagens indicam que o indivíduo utiliza preferencialmente áreas de borda da floresta. Pesquisadores levantam a hipótese de que esse comportamento reduza o risco de encontros com predadores maiores e favoreça a caça em ambientes com maior incidência de luz, hipótese que ainda depende de novos estudos para ser confirmada.

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As iraras tem o corpo alongado, levemente arqueado, patas curtas e cauda comprida

Os resultados fazem parte de um monitoramento participativo realizado em uma propriedade privada próxima ao Parque Nacional do Itatiaia. O programa já contabilizou 554 registros de fauna, incluindo espécies ameaçadas, como a onça-parda (Puma concolor) e o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), além do veado-catingueiro (Subulo gouazoubira) e do javali (Sus scrofa), espécie exótica invasora.

Para a equipe do programa, os resultados reforçam o papel das propriedades privadas na conservação da biodiversidade. Além de ampliar a disponibilidade de habitat, essas áreas funcionam como corredores ecológicos que favorecem o deslocamento da fauna entre remanescentes de Mata Atlântica, contribuindo para a manutenção das populações de espécies nativas e ameaçadas.

Jaguatirica (Leopardus pardalis) registrada na área de monitoramento

A presença do javali em mais uma localidade, no entanto, preocupa os pesquisadores: a espécie ameaça a conservação da fauna nativa, gera conflitos com produtores rurais e animais domésticos e pode transmitir doenças, um problema crescente para a biodiversidade da região.

Yan Rodrigues, do Programa Carnívoros do Rio, explica a metodologia adotada: “Diferente das outras iniciativas no estado, estamos buscando começar o monitoramento com a participação dos produtores e moradores locais”

A proposta é romper com o modelo tradicional de pesquisa universitária, concentrado majoritariamente dentro das unidades de conservação, que costuma deixar de lado o entorno e as áreas de preservação — tão importantes quanto as próprias unidades, já que servem de passagem para os animais. Compreender o modo de vida da região, segundo a equipe, permite planejar soluções que beneficiem tanto a fauna quanto os moradores locais.

Nesse sentido, o Programa Carnívoros do Rio, com recursos do Tigercats Conservation e do Bigcat Rescue, tem vacinado animais da região para evitar o contágio por zoonoses. Parceiros como o laboratório LEIPH (Laboratório de Estudo da Interação Parasito-Hospedeiro), da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), coletam amostras de carrapatos e também vacinam os animais, colocando em prática o conceito de Saúde Única na conservação da biodiversidade.

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