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FIFA x UEFA: Europeus ameaçam Copa de 2030
ge — Futebol · 2026-07-29T13:45:10.000Z
FIFA x UEFA: Europeus ameaçam Copa de 2030
Depois de a Uefa e as seleções europeias se mostrarem contrárias ao plano divulgado pela Fifa em criar uma empresa para fazer a operação de suas principais competições, foi a vez de a Fifpro (sindicato internacional dos atletas) se manifestar. O sindicato divulgou nota informando também ser completamente contra a ideia da Fifa. (Leia a nota na íntegra no fim da matéria)
No comunicado, a Fifpro demonstra preocupação com o desejo da Fifa em "transformar a Copa do Mundo Fifa e outras competições da Fifa em ativos de investimento para capital privado" . O sindicato diz se assustar com um projeto desse tamanho sendo feito "a portas fechadas" e lembra que nem os jogadores e nem a Fifpro têm direito a voto em qualquer assembleia da Fifa.
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Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS
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"A FIFPRO Europa observou com profunda preocupação a proposta de transformar a Copa do Mundo da FIFA e outras competições da FIFA em ativos de investimento para capital privado, uma medida que remodelaria fundamental e irreversivelmente os incentivos que sustentam as competições nas quais os jogadores trabalham, competem e constroem suas carreiras.
Dadas as implicações potencialmente abrangentes da proposta para o bem-estar dos jogadores, o calendário de jogos internacionais e a futura governança do futebol, é particularmente preocupante que um projeto desta magnitude tenha sido desenvolvido em grande parte a portas fechadas e chegado perto de um acordo sem qualquer envolvimento significativo com os mais afetados. A decisão de ignorar os mecanismos de diálogo recentemente estabelecidos entre a FIFA e a FIFPRO apenas reforça essas preocupações."
Centro da polêmica que revoltou Uefa e federações filiadas, a empresa a ser criada é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da Fifa. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e das principais competições organizadas pela entidade.
A Fifa acredita que a FFE valeria no total US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa.
Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.
Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".
Veja a nota da Fifpro na íntegra
"A FIFPRO Europa observou com profunda preocupação a proposta de transformar a Copa do Mundo da FIFA e outras competições da FIFA em ativos de investimento para capital privado, uma medida que remodelaria fundamental e irreversivelmente os incentivos que sustentam as competições nas quais os jogadores trabalham, competem e constroem suas carreiras.
Dadas as implicações potencialmente abrangentes da proposta para o bem-estar dos jogadores, o calendário de jogos internacionais e a futura governança do futebol, é particularmente preocupante que um projeto desta magnitude tenha sido desenvolvido em grande parte a portas fechadas e chegado perto de um acordo sem qualquer envolvimento significativo com os mais afetados. A decisão de ignorar os mecanismos de diálogo recentemente estabelecidos entre a FIFA e a FIFPRO apenas reforça essas preocupações.
A proposta também levanta preocupações fundamentais sobre a futura governança do futebol mundial e a integridade do jogo. A participação das partes interessadas na tomada de decisões da FIFA sempre foi limitada. Ela não deve agora ser substituída por influências comerciais, permitindo que os interesses financeiros se sobreponham às vozes daqueles que jogam, apoiam e sustentam o esporte. A FIFPRO Europa não pode – e jamais apoiará – um modelo como esse.
Dentro da FIFA, nem a FIFPRO nem os jogadores têm direito a voto. No entanto, eles viverão com as consequências dessas decisões muito depois de a atual direção da FIFA ter deixado o cargo.
Agora cabe à FIFA reconsiderar sua proposta sem mais demora. Enquanto isso, cada federação nacional de futebol carrega uma responsabilidade que vai muito além dos retornos financeiros de hoje ou das projeções comerciais de amanhã.
Governos, autoridades públicas, confederações, ligas, clubes e torcedores também têm um papel a desempenhar para garantir que o futebol continue sendo um bem público, e não apenas um ativo comercial.
A FIFPRO Europa está pronta para trabalhar com todas as instituições e partes interessadas comprometidas em proteger tanto os interesses dos jogadores quanto a integridade do futebol a longo prazo. O futuro do futebol merece nada menos que isso. E o mesmo se aplica aos jogadores que o moldarão".