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Democratas pedem investigação sobre plano da Trump Media de vender acesso antecipado a posts de Trump

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026

G1 — Economia · 2026-07-29T15:20:21.000Z

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026

Os senadores democratas Elizabeth Warren e Adam Schiff solicitaram à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que investigue se o plano da Trump Media de vender acesso antecipado às publicações do presidente Donald Trump nas redes sociais viola a legislação.

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O pedido consta em uma carta obtida pela Reuters. A Trump Media é a controladora da Truth Social, rede social criada por Trump.

Neste mês, a empresa anunciou um serviço de dados pago, chamado Truth API, que dará a corretoras acesso mais rápido às publicações das dez contas mais influentes da plataforma, entre elas a do presidente norte-americano.

A carta enviada pelos senadores nesta terça-feira aumenta a pressão sobre o novo produto e também sobre eventuais empresas de Wall Street que tenham adquirido o serviço. Na avaliação de fontes do mercado ouvidas pela Reuters, a iniciativa pode ampliar riscos legais, políticos e regulatórios.

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"Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade dos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados", escreveram Warren e Schiff em carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.

Um porta-voz da SEC e o próprio Atkins — um republicano defensor do livre mercado indicado por Trump e que, em geral, tem adotado uma postura mais branda na fiscalização do mercado — confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a comentar o assunto.

A Casa Branca encaminhou os pedidos de comentário à Trump Media, que não respondeu até o momento.

Acesso antecipado mediante pagamento

Segundo reportagens da Reuters e de outros veículos, a Trump Media discutiu cobrar até US$ 100 mil por mês pelo acesso ao Truth API.

As publicações de Trump nas redes sociais já provocaram oscilações no mercado financeiro, e a velocidade para acessar esse tipo de informação pode representar vantagem para corretoras, fundos de hedge e outras empresas que negociam ativos com base em notícias.

Trump, que controla cerca de 41% da Trump Media por meio de um fundo administrado por seus filhos, poderá ser beneficiado financeiramente pelo novo modelo de negócios. A empresa informou que já fechou contratos com clientes antes do lançamento oficial do serviço, previsto para 1º de agosto, mas não revelou os nomes dos compradores.

Na avaliação de Warren e Schiff, o Truth API é mais um exemplo da mistura entre os interesses empresariais de Trump e suas funções como presidente, levantando questionamentos éticos. Eles lembram que, no mês passado, Trump informou ter recebido mais de US$ 1,4 bilhão no último ano com os projetos de criptomoedas de sua família.

Embora empresas de tecnologia normalmente possam vender acesso antecipado a dados para clientes, mesmo que isso beneficie alguns participantes do mercado, especialistas em ética afirmam que o caso do Truth API é diferente. Isso porque as publicações de Trump podem conter informações de interesse público relacionadas ao exercício da Presidência, o que, segundo eles, exigiria divulgação ampla e simultânea.

Os senadores também destacaram que Trump já utilizou a Truth Social para recomendar ações de empresas como Citigroup, Intel e Palantir. Na avaliação deles, a comercialização de acesso antecipado a essas publicações pode aumentar o risco de uso de informação privilegiada e comprometer a confiança dos investidores na igualdade de condições do mercado.

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