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Mulher desaparecida há quase uma semana é encontrada morta em Inhapim
G1 — Brasil · 2026-07-29T17:46:39.000Z
Mulher desaparecida há quase uma semana é encontrada morta em Inhapim
A diarista Flávia Silva Marques, de 27 anos, morta em Inhapim no fim de junho deste ano, foi arremessada de um penhasco de aproximadamente 100 metros de altura, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público. O ex-companheiro dela, Josilei Silva Souza, de 27 anos, foi denunciado nesta terça-feira (28).
De acordo com a Promotoria, Flávia foi perseguida por Josilei, que a levou até um precipício localizado na divisa entre o Córrego da Ferrugem e o Córrego da Barreira.
Conforme o laudo pericial, havia evidências de luta corporal entre Flávia e Josilei antes de o homem empurrar a ex-companheira no penhasco. Em consequência da queda, a vítima sofreu politraumatismo e choque hipovolêmico, que causaram a morte.
O que se sabe e o que falta esclarecer sobre o feminicídio em Inhapim
O laudo também identificou elementos de reação vital aos traumatismos, o que comprova que Flávia ainda estava viva no momento em que foi arremessada.
Após lançar a vítima no precipício, Josilei não prestou socorro, não acionou os serviços de emergência nem comunicou o ocorrido aos familiares. Conforme a denúncia, ele abandonou o local e ocultou o paradeiro do corpo.
Região apontada pelo suspeito, perto de um cafezal, de onde o Flávia teria 'caído' em Inhapim
Além disso, o denunciado se apoderou dos pertences de Flávia e descartou a bolsa e a blusa dela em locais distintos. Também retirou os chips do celular da vítima, colocou-os em seu próprio aparelho e apagou mensagens trocadas entre os dois.
Somente após ser confrontado pelos policiais, Josilei indicou o local onde o corpo havia sido deixado e onde descartou os objetos da vítima.
Relembre o caso
Diarista desaparecida há quase uma semana é encontrada morta em Inhapim
Segundo familiares, Flávia deixou as duas filhas na casa dos pais para ir a uma festa no sábado (27). No mesmo dia, parentes receberam mensagens enviadas do celular dela. Depois disso, ela não voltou a fazer contato.
As investigações da Polícia Civil reuniram imagens de câmeras de segurança que ajudaram a esclarecer a dinâmica do crime. Um dos equipamentos registrou a passagem de Flávia nas proximidades da casa onde morava. Minutos depois, a mesma câmera flagrou um carro utilizado por Josilei seguindo na mesma direção.
Outra câmera registrou a vítima caminhando por uma estrada de acesso a uma fazenda. Segundo o Ministério Público, Josilei acompanhou os deslocamentos da ex-companheira e a levou até o penhasco, onde o crime foi cometido.
Atualmente, Josilei está preso no Presídio de Inhapim. O mandado de prisão preventiva foi cumprido cinco dias após o crime.
O Ministério Público denunciou o investigado pelos crimes de:
feminicídio consumado, qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima;
ocultação de cadáver;
sequestro e cárcere privado qualificado;
invasão de dispositivo informático qualificada;
Segundo o MPMG, a denúncia foi oferecida com base nas investigações policiais, que apontaram indícios suficientes de autoria e materialidade. O órgão sustenta que os crimes foram praticados por razões da condição do sexo feminino, motivados pelo sentimento de posse e pela inconformidade do denunciado com o fim do relacionamento.
Relacionamento foi marcado por agressões
Josilei e Flávia foram casados por aproximadamente dez anos e tiveram duas filhas, de 8 e 3 anos. Flávia decidiu encerrar o relacionamento cerca de seis meses antes do crime, decisão que, segundo o Ministério Público, não foi aceita pelo ex-companheiro.
Ainda conforme a denúncia, o relacionamento foi marcado por agressões físicas, perseguições e ameaças. Inconformado com a separação, Josilei teria ameaçado matar Flávia caso ela não reatasse o relacionamento.
As investigações também indicaram que a vítima foi submetida a violência física, psicológica e sexual.
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