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Casos de violência contra mulheres na região de Sorocaba e Jundiaí reforçam importância de buscar ajuda
G1 — Brasil · 2026-07-29T17:32:01.000Z
Casos de violência contra mulheres na região de Sorocaba e Jundiaí reforçam importância de buscar ajuda
Cinco casos de violência contra a mulher registrados desde o último domingo (26) na região de Jundiaí (SP) compõem uma triste estatística e acendem um alerta: o abuso nem sempre começa com a agressão física.
Em entrevista ao g1, a advogada Bruna Natale, de Sorocaba (SP), orienta que, em qualquer caso de violência, seja psicológica ou física, a vítima ligue imediatamente para o 190, da Polícia Militar, ou para a Central de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica, no número 180.
"Se possível, a recomendação é se afastar do agressor e buscar atendimento médico. Também é recomendado denunciar o agressor na Delegacia de Defesa da Mulher, registrar boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência, sempre com o acompanhamento de um advogado ou defensor público", reforça Bruna.
Ainda segundo a profissional, dificilmente um relacionamento abusivo se inicia com agressões físicas. Por isso, ela reforça a importância de que as mulheres saibam reconhecer os sinais e as violências psicológicas consideradas mais sutis.
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"Nenhuma vítima é agredida na totalidade do tempo de convivência. Por isso, a mulher deve denunciar e tomar providências após a agressão, evitando acreditar no arrependimento do agressor, pois a próxima violência pode ocasionar sua morte", alerta.
A psicóloga Thais Mazzoti, também de Sorocaba, explica que a forma como a mulher constrói a ideia de amor ao longo da vida pode afetar a mente da vítima, levando-a a sentir culpa em relacionamentos abusivos.
"Quando essa configuração interna não é saudável, ela pode aprender a associar amor à dor, à espera, ao sacrifício e à tolerância excessiva. Assim, comportamentos que machucam passam a ser interpretados como algo que deve ser suportado, na esperança de que o outro mude", diz.
Além disso, a psicóloga afirma que muitas vítimas de violência optam por retomar o relacionamento, mas que isso não é um ato de fraqueza ou de falta de inteligência emocional, e sim um processo de adoecimento psíquico no qual a consciência sobre o que está sendo vivenciado se perde aos poucos.
"Muitas mulheres permanecem ou retornam a relacionamentos abusivos porque, ao longo do tempo, esse tipo de relação vai produzindo confusão emocional. As marcas do abuso fazem com que a pessoa deixe de reconhecer com clareza onde termina o afeto e onde começa a violência", pontua.
Aplicativo SP Mulher Segura
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"A violência acaba por se desenvolver de forma gradual, com chantagens, mentiras, ciúme excessivo, ofensas, passando para controle e proibições, destruição de bens pessoais, confinamento, agressões físicas, abuso sexual e, por fim, feminicídio. Assim, reconhecer essas violências e tomar uma atitude o quanto antes é fundamental", explica.
De acordo com o Governo de São Paulo, no estado, as mulheres também podem procurar uma das 142 delegacias da Defesa da Mulher ou as unidades que atendem remotamente. A denúncia pode ser feita pelo boletim de ocorrência online, no site oficial, ou no aplicativo "SP Mulher Segura", disponível em IOS e Android.
"A Lei Maria da Penha reconhece atualmente cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Nem todas essas violências deixam marcas físicas, porém, os direitos são os mesmos, principalmente a fixação de medidas protetivas de urgência", pontua.
Violência contra a mulher
No domingo (26), um homem foi preso suspeito de agredir a companheira em um bar e quebrar diversos objetos do local, em Cabreúva (SP).
Segundo a Guarda Municipal, durante uma discussão entre o casal, o homem quebrou várias garrafas do comércio enquanto gritava com a mulher.
Uma equipe da GCM foi até o local, e o suspeito confessou aos policiais que agrediu a companheira. Os dois foram levados para o 1º Departamento de Polícia da cidade. O agressor foi preso.
Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba (SP)
Google Street View/Reprodução
Também no mesmo dia, um jovem de 22 anos foi preso em flagrante após agredir a companheira na zona rural de Cabreúva.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), a mulher foi atacada durante uma discussão e passou por atendimento médico. Os exames constataram uma lesão na região da cabeça.
Ainda segundo a pasta, uma faca e uma porção de drogas também foram apreendidas no local. O homem foi preso por lesão corporal e violência doméstica e levado para o 1º Departamento de Polícia da cidade.
Desde domingo, diversos casos de violência doméstica vêm sendo publicados no g1 Sorocaba e Jundiaí. Entre eles, um homem de 34 anos foi preso suspeito de chutar a barriga da companheira durante uma discussão em Itatiba (SP).
Ainda no mesmo dia, um homem foi preso em flagrante suspeito de agredir e ameaçar de morte a companheira, de 24 anos, que está grávida de 39 semanas, em Várzea Paulista (SP). A mulher foi atacada com um cabo de vassoura.
Já em Campo Limpo Paulista (SP), um homem de 44 anos foi preso suspeito de agredir a companheira, de 34 anos, e ferir um policial militar durante uma abordagem.
Psicóloga Thais Mazzoti, de Sorocaba (SP), fala sobre sinais de violência contra a mulher
Advogada Bruna Natale, de Sorocaba (SP), fala sobre violência doméstica
* Colaborou sob supervisão de Eric Mantuan
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