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Inédito: Relembre conquista do Cruzeiro na Libertadores de 1976
ge — Futebol · 2026-07-30T09:00:30.000Z
Inédito: Relembre conquista do Cruzeiro na Libertadores de 1976
Há cinquenta anos, o clube que já tinha paralisado o Brasil ao bater o Santos de Pelé, também rompeu barreiras e se tornou o segundo brasileiro a conquistar a América. No dia 30 de julho de 1976, o Cruzeiro Esporte Clube aparecia firme no cenário do futebol internacional, erguendo pela primeira vez a taça da Libertadores.
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O Cruzeiro não era estreante na competição. A geração vencedora da Taça Brasil foi responsável por representar o clube pela primeira vez na Libertadores, em 1967. O clube também esteve em 1975, já com a base que seria campeã no ano seguinte.
Comandado por Zezé Moreira, o Cruzeiro fez uma campanha que beirou à perfeição. Disputou 13 jogos, perdendo um, empatando outro e vencendo 11. O último deles considerado como um dos maiores da história do clube. Não só pelo título, mas também pelo enredo.
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O formato era diferente, com duas fases disputadas em grupos. O Cruzeiro foi soberano em ambas. Conquistou 11 dos 12 pontos possíveis na primeira etapa (cada vitória valia dois pontos, na época), passando pela segunda com 100% de aproveitamento.
O River Plate, por outro lado, sofreu um pouco mais. Teve disputa apertada com o Estudiantes, na primeira fase, e precisou de um jogo desempate contra o Independiente, na segunda.
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O primeiro duelo da final demonstrou a soberania do Cruzeiro, que venceu por 4 a 1, no Mineirão. Bastava um empate na Argentina para ficar com a taça. Começou perdendo, buscou igualdade, mas levou um gol na reta final: 2 a 1 para o River. Saldo de gols não era critério para desempate, e um terceiro jogo foi disputado em campo neutro.
Cruzeiro campeão de 1976
O local escolhido foi o estádio Nacional de Santiago, no Chile. Desfalcado por Jairzinho e já sem Dirceu Lopes em boa parte da campanha, o time abriu 2 a 0, mas levou o empate, que levaria a decisão para prorrogação.
Até que Joãozinho, aos 43 do segundo tempo, cobrou falta que garantiu a vitória e o título. Um ato de “rebeldia” do atacante, descumprindo ordem do técnico Zezé Moreira, já que Nelinho era o cobrador oficial da equipe e ostentava status de ser um dos melhores do mundo nesse fundamento.
Perdas e rearranjos
O treinador Zezé Moreira era figura experiente no futebol. Antes de chegar a Belo Horizonte, tinha passado por outros gigantes do Brasil, além do Uruguai e de Portugal. Mas, principalmente, na seleção brasileira, na Copa do Mundo de 1954. Currículo colocado à prova por dificuldades no Cruzeiro.
O treinador precisou lidar com perdas importantes ao longo da caminhada do título cruzeirense. A primeira, na verdade, antes mesmo do início da Libertadores. Dirceu Lopes era referência técnica da equipe e já um grande ídolo, mas sofreu grave lesão no Tendão de Aquiles, com indicativo de que não participaria da temporada.
Zezé, então, pediu a contratação de Jairzinho, o "Furacão" da Copa de 1970. Com participação ativa do treinador, o jogador foi contratado e e terminou o torneio como um dos destaques, com 11 gols marcados. Expulso no segundo jogo contra o River Plate, ele não esteve em campo na finalíssima de Santiago.
Morte de Roberto Batata inspira título do Cruzeiro na Libertadores de 1976
Mas, bem antes de o Cruzeiro chegar à capital chilena, houve uma perda ainda maior. Não só no time, mas principalmente na história do clube. Titular da equipe e uma referências daquele elenco, Roberto Batata morreu em acidente de carro, aos 26 anos.
A fatalidade aconteceu exatamente depois de um dos jogos do time na Libertadores. A delegação voltou do Peru, onde tinha vencido o Alianza Lima, e Batata viajou em direção ao Sul de Minas para encontrar com a esposa e o filho. No caminho de ida, colidiu frontalmente com um caminhão e morreu na hora.
Escalação do Cruzeiro na final: Raul; Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Eduardo Amorim; Joãozinho, Ronaldo e Palhinha.
Cruzeiro em grupo seleto
O título colocou o Cruzeiro como o sétimo campeão da história da Libertadores, sendo apenas o segundo brasileiro, depois de 17 edições disputadas. Antes dele, apenas o Santos de Pelé tinha erguido a taça, em 1962 e 1963.
A conquista do Cruzeiro, portanto, colocou fim a uma sequência de 14 anos do Brasil sem conquistar a América. Período marcado por absoluta soberania de clubes argentinos e uruguaios, que dominavam o cenário e, por isso, se colocam até os dias atuais entre os maiores campeões.
Antes do título cruzeirense, o Independiente conquistou seis Libertadores, seguido por Estudiantes e Peñarol, com quatro cada. Racing, da Argentina, e Nacional, conquistaram o torneio uma vez naquele período.
Os jogos na Libertadores de 76
Cruzeiro 5x4 Internacional
Olimpia 2x2 Cruzeiro
Sportivo Luqueño 1x3 Cruzeiro
Cruzeiro 4x1 Sportivo Luqueño
Internacional 0x2 Cruzeiro
Cruzeiro 4x1 Olimpia
Em 1976, Cruzeiro bate o Internacional por 5 a 4 na primeira fase da Copa Libertadores
LDU 1x3 Cruzeiro
Alianza Lima 0x4 Cruzeiro
Cruzeiro 7x1 Alianza Lima
Cruzeiro 4x1 LDU
Cruzeiro 4x1 River Plate
River Plate 2x1 Cruzeiro
Cruzeiro 3x2 River Plate
Autores dos gols na Libertadores
Palhinha - 13 gols (artilheiro da competição)
Jairzinho - 12 gols
Joãozinho - 8 gols
Nelinho - 6 gols
Roberto Batata e Ronaldo - 2 gols cada
Darci Menezes, Eduardo Amorim e Zé Carlos - 1 gol cada
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