ITATIBA1
Médico critica organização da prova onde maratonista de 50 anos morreu em SP
G1 — Brasil · 2026-07-30T11:26:52.000Z
Médico critica organização da prova onde maratonista de 50 anos morreu em SP
O médico Miguel Carvalho Santacreu, que estava presente na corrida de rua em que morreu o publicitário e atleta amador Júlio Barreto, de 50 anos, publicou um vídeo nas redes sociais criticando a organização da prova pela demora em prestar socorro ao atleta.
Barreto sofreu uma parada cardíaca depois de completar a meia maratona da SP City Marathon, na Zona Sul de São Paulo, organizada pela empresa Iguana Sports.
No vídeo publicado nas redes sociais, Santacreu afirma que participou da prova de 21 km e contou que deixava o evento quando viu Barreto caído no chão e cercado por outros maratonistas.
Segundo o médico, houve uma demora de cerca de 15 minutos até que uma ambulância com Desfibrilador Externo Automático (DEA) chegasse ao local onde Júlio Barreto recebia os primeiros atendimentos médicos dos colegas de prova.
No vídeo, o médico nutrologista do Hospital Albert Einstein afirma que os primeiros socorros ao publicitário foram dados por médicos que participavam da prova e que, só depois de 10 minutos de atendimento de Júlio Barreto uma ambulância da organização da prova chegou ao local, sem o desfibrilador.
“Uma médica ficou no cronômetro, dois médicos ficaram checando o pulso nas femurais, um médico ficou na cabeça, também checando o pulso carotídeo, e alguns outros médicos. A gente fez um revezamento para fazer a compressão cardíaca, que já é um ato que cansa bastante. Então, depois de uma prova de 21km, estava todo mundo muito cansado, mas estava dando todo mundo o seu melhor ali. A gente pediu para o pessoal se afastar, avisar o evento do que estava acontecendo”, relatou (veja vídeo acima).
Dois dias após morte de atleta amador, Prefeitura de SP cria grupo para elaborar protocolo de segurança para corridas de rua
PERFIL: quem era o corredor de 50 anos que morreu após cruzar a linha de chegada de uma corrida de rua em SP
O médico Miguel Carvalho participou dos primeiros atendimentos ao publicitário Júlio Barreto, que morreu após participar da SP City Marathon, na Zona Sul de SP.
“E aí continuamos tocando a parada ali por uns 10 minutos, quando chegou a primeira ambulância, a primeira ambulância chegou com uma equipe de bombeiros, e sem nenhum médico. A gente solicitou um DEA, e eles falaram que naquela ambulância não tinha”, contou.
O médico afirmou que pediu ao bombeiro para acharem um desfibrilador urgente e pediram a máscara respiratória [ambu] que tinha na ambulância para poder auxiliar os médicos corredores que estavam nos primeiros socorros da vítima.
“O DEA chegou ali pelo 15º minuto, se não me engano. Não vou conseguir falar os números exatos, porque foi tudo muito rápido, tudo muito movimentado. Mas tenho uma noção porque a gente tinha uma médica no cronômetro”, revelou.
A SP City Marathon foi organizada pela Iguana Sports no último domingo (26) e teve largada em frente ao estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de SP.
“Quando chegou o DEA, colocamos no paciente, e o DEA sugeriu o choque. Chocou, ele não voltou e continuamos com a compressão. Por ali foi mais uns quatro choques até que chegou uma outra ambulância, com um médico coordenador, algum outro médico, não sei. O DEA chegou com uma equipe médica, mas depois uma segunda ambulância chegou com outro médico. E aí decidiram transferir o paciente”, declarou.
Miguel Carvalho Santacreu disse que relutou em fazer o vídeo para não criticar os profissionais de saúde que atendiam o evento, mas afirmou que houve “várias pequenas falhas”.
"Essa discussão tem que entrar em pauta, porque essas pequenas falhas têm que ser sanadas para que essas ocorrências não voltem a acontecer, ou sejam minimizadas".
“O que me irritou muito, de verdade, foi a resposta do evento, que demorou muito para chegar a assistência e a nota de pesar que eles postaram, falando que desde o começo eles tinham um médico deles fazendo tudo certinho, quando não foi o que eu vivenciei”
“Eu e dezenas de outras pessoas que estavam lá sabemos que o atendimento do evento demorou a chegar, não foi instantâneo. O primeiro foi com diversas falhas. Não vou falar que o desfecho poderia ter sido diferente, não sei. Mas a conduta toda poderia ter sido diferente”, revelou.
“Meu desejo, sincero mesmo, é que nenhum corredor, nenhum profissional, nenhum familiar tenha que passar por isso. A gente tem que tentar melhorar isso, gente. E outra coisa: buscar um médico, cuidar da própria saúde, porque correr não é só correr. A gente tem que se cuidar”, desabafou.
O que disse a organização após a morte do atleta amador
O g1 procurou a Iguana Sports para comentar as críticas do médico que participou dos primeiros socorros a Julio Barreto, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
Em nota divulgada nas redes sociais do evento logo após a morte do publicitário, a empresa informou que Barreto foi "prontamente atendido pela equipe médica do evento, que iniciou as manobras de reanimação ainda no local", no Jockey Club de São Paulo, na Zona Sul da capital.
Segundo a empresa, "após a [linha de] chegada, Julio apresentou episódio de perda de consciência e ausência de resposta aos estímulos", sendo "encaminhado ao hospital, onde recebeu todo o suporte avançado disponível, mas, apesar de todos os esforços, não resistiu.
“A equipe médica, os voluntários e toda a organização se solidarizam com a família, os amigos e todos que correram ao seu lado hoje. Nesse momento, o que nos cabe é respeito, o silêncio e o acolhimento”, disse a empresa.
Essa foi a 10ª edição da SP City Marathon, que acontece na capital paulista. A prova conta com duas modalidades, maratona e meia-maratona, com 42,2 km de distância e 21,1 km de distância, respectivamente. A largada aconteceu na praça Charles Miller, no bairro do Pacaembu, e terminou no Jockey Club de São Paulo.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Júlio passou mal e procurou uma ambulância disponibilizada pela organização do evento, sofreu um mal súbito e caiu.
Nota da Iguana Sports publicada logo depois da morte confirmada do publicitário Júlio Barreto.
Grupo de trabalho da prefeitura
Conforme o g1 noticiou nesta quinta-feira (30), a Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para elaborar um protocolo de segurança e saúde para corridas de rua e eventos esportivos similares realizados em vias públicas da capital.
A medida foi publicada na terça-feira (28), dois dias após a morte do publicitário e atleta amador Julio Barreto, que sofreu uma parada cardíaca depois de completar a meia maratona SP City Marathon.
Segundo a portaria assinada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), o grupo terá 20 dias para concluir os trabalhos e apresentar uma proposta com parâmetros mínimos de segurança e atendimento à saúde para esse tipo de evento.
Julio Barreto, de 50 anos, foi vítima de uma parada cardíaca após participar da SP City Marathon, da Iguana Sports.
Entre as atribuições do grupo estão:
Diagnosticar as exigências atualmente aplicáveis para autorização das corridas de rua;
Definir parâmetros mínimos de segurança e de estrutura de atendimento médico-emergencial;
Criar uma matriz de responsabilidades entre os órgãos envolvidos nas etapas de autorização, organização, acompanhamento e fiscalização dos eventos.
A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer também ficará responsável por organizar o calendário das corridas de rua e compatibilizá-lo com os demais eventos de grande porte realizados na cidade.
A portaria ainda prevê que o grupo poderá convidar representantes de outros órgãos públicos, entidades privadas, organizadores de eventos esportivos, entidades de classe e especialistas para contribuir com a elaboração do protocolo.
Agora no g1
Quem era o atleta
O publicitário Julio Barreto morreu após completar os 21 quilômetros da SP City Marathon, corrida patrocinada pela Nike e pela Iguana Sports, na Zona Sul da capital.
Segundo os organizadores, ele passou mal logo depois de cruzar a linha de chegada, apresentando perda de consciência e ausência de resposta a estímulos. A causa foi uma parada cardíaca.
Barreto trabalhava como gerente de acesso ao mercado na Danone, com atuação nas áreas de saúde suplementar, nutrição especializada e oncologia. Ele havia ingressado na empresa em abril deste ano, após atuar como gerente de Oncologia na Johnson & Johnson.
Experiente em provas de longa distância, foi atleta amador de ciclismo por vários anos e passou a disputar corridas de rua em 2021. Mais recentemente, também participava de provas de trail run, modalidade disputada em trilhas e montanhas.
Ele integrava o grupo de corrida Vila Leopoldina Road Runners, que divulgou uma nota pública em homenagem ao atleta após a morte.
Julio Barreto disputou diversas provas de ciclismo em São Paulo.
“Hoje nos despedimos de alguém que fez parte da nossa equipe, compartilhou treinos, desafios, conquistas e deixou sua marca entre todos nós. Neste momento de profunda dor, expressamos nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele. Que Deus conceda força e conforto aos corações enlutados, e que sua lembrança permaneça viva por meio de tudo o que construiu e inspirou”, afirmou o grupo.
Nas redes sociais, Julio Barreto tinha orgulho de torcer para o Santos e também do trabalho com pacientes oncológicos na indústria farmacêutica como divulgador de produtos para qualidade de vida dos pacientes.
“Minha experiência em oncologia, doenças raras e hipertensão arterial pulmonar contribuiu para uma visão integrada sobre jornada do paciente, barreiras de acesso, sustentabilidade do sistema, geração de valor e articulação entre indústria, profissionais de saúde, instituições, operadoras e gestores”, escreveu ele.
A partir de 2021, passou a disputar regularmente provas de rua e de corridas em trilhas.
Grupo Vila Leopoldina Road Runners divulgou uma nota pública se despedindo de Julio Barreto.
Nas redes sociais, os amigos estavam inconsoláveis pela partida do colega de corrida.
“Difícil acreditar, muito triste tudo isso!! Ainda ontem foi no treino e tirou foto conosco. Que Deus dê muita força a toda a família nesse momento tão difícil!!”, escreveu Paula Hefler.
A nutricionista Camila Porto, que atendia Julio, também desejou força para a família do publicitário.
“Uma tristeza, difícil acreditar. Uma pessoa que amava o esporte e com certeza inspirava muitos do grupo. Será sempre lembrado 🙏🏻 muita força, especialmente para a Magê e Duda”, escreveu.
O que dizem os organizadores
Corredor morre após passar mal em corrida de rua em São Paulo
Leia a íntegra da nota da SP City Marathon, da IGuana Sports.
"É com profundo pesar que informamos o falecimento do corredor Júlio Barreto durante a SP City Marathon, realizada neste domingo (26).
Após a chegada, Júlio apresentou episódio de perda de consciência e ausência de resposta a estímulos, sendo prontamente atendido pela equipe médica do evento, que iniciou as manobras de reanimação ainda no local. Encaminhado ao hospital, recebeu todo o suporte avançado disponível, mas, apesar de todos os esforços, não resistiu.
A equipe médica, os voluntários e toda a organização se solidarizam com a família, os amigos e todos que correram ao seu lado hoje. Neste momento, o que nos cabe é o respeito, o silêncio e o acolhimento.
Que a família encontre conforto. Nosso mais sincero sentimento de pesar.
Em respeito à memória de Júlio e de sua família, não serão fornecidas informações adicionais neste momento".
Nota da Secretaria de Segurança
Um homem de 50 anos morreu na manhã de domingo (26), após passar mal ao término de uma corrida de rua realizada na Rua Engenheiro Oscar Americano, no Morumbi. De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima concluiu a prova normalmente e, já na área de chegada, apresentou dores na região do braço. Enquanto se dirigia a uma ambulância disponibilizada pela organização do evento, sofreu um mal súbito e caiu. Populares, entre eles médicos que estavam no local, iniciaram os primeiros socorros até a chegada da equipe médica responsável pelo atendimento aos participantes. A vítima foi atendida em uma ambulância e, encaminhada a um hospital na zona sul da capital, onde morreu. O caso foi registrado como morte natural pelo 7º DP (Lapa).
Initial plugin text