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Sul-coreano se surpreende com torcida corinthiana: "uma das melhores que já vi"
ge — Futebol · 2026-07-30T12:00:15.000Z
Sul-coreano se surpreende com torcida corinthiana: "uma das melhores que já vi"
Até onde você iria para acompanhar o Corinthians? O sul-coreano Hyeseong Kim, de 33 anos, atravessou continentes para ver de perto uma partida do Timão.
Depois de acompanhar sua seleção na Copa do Mundo, no México, ele estendeu a viagem até o Brasil para realizar o sonho de infância de conhecer o futebol do país — e a Neo Química Arena.
Kim esteve presente nas arquibancadas do jogo contra o Remo, na primeira partida corintiana no Brasileirão após a pausa para o Mundial. Na ocasião, o Corinthians derrotou a equipe visitante por 3 a 0, em noite inspirada de Yuri Alberto.
Torcedor do FC Seoul e fã de Jesse Lingard, meia-atacante inglês que vestiu a camisa da equipe asiática entre 2024 e 2025, Kim contou ao ge sobre sua relação com o atleta, que foi da desconfiança à admiração.
Hyeseong Kim esteve presente na vitória corinthiana sobre o Remo, carregando uma camisa de Jesse Lingard
— Ele jogou muito bem. No começo, quando chegou, as pessoas pensavam: "Ele veio de um clube enorme, o Manchester United, é uma estrela. Talvez não vá treinar muito". Mas, na verdade, no nosso time ele mostrou o que é profissionalismo. Ele sempre deu o máximo e causou um impacto muito positivo no FC Seoul. Por isso temos ótimas lembranças dele.
Foi segurando a antiga camisa de Lingard e uma bandeira da Coreia do Sul que o programador chamou atenção dos corintianos e jornalistas presentes. O objetivo era tirar uma foto com o jogador — ou, no mínimo, trocar um aceno.
O interesse de Kim pelo Corinthians começou anos antes da chegada do atleta inglês. Ele conta que passou a prestar atenção no clube por conta de Ronaldo Fenômeno, jogador que o impressionou durante a Copa do Mundo de 2002, sediada na Coreia do Sul e no Japão.
— Naquela época, muitos coreanos não conheciam o futebol mundial. Só algumas poucas pessoas acompanhavam o futebol internacional. Mas o Ronaldo jogou de forma incrível. Para nós, ele era o melhor jogador do mundo.
Anos depois, em 2009, o retorno do Fenômeno para o futebol brasileiro o fez olhar pela primeira vez para o clube escolhido pelo ídolo.
— Naquele momento, eu conheci o Corinthians e fiquei muito interessado. Pensei: "O que é esse clube? Por que o Ronaldo escolheu esse time?". No videogame, eu tentava contratar o Ronaldo. Quando ele jogava na Europa era muito caro, então eu não conseguia contratá-lo. Mas, no Corinthians, era relativamente possível tentar. Essa é a minha lembrança do Corinthians. Eu negociava a contratação do Ronaldo.
Viagem pelo Brasil
Foi também o Mundial que tornou o Brasil pentacampeão que despertou nele a paixão pela modalidade — e a vontade de conhecer o país que era casa do melhor futebol do mundo.
A oportunidade surgiu em 2026. Depois de acompanhar a seleção sul-coreana na Copa do Mundo, disputada no México, Kim percebeu que estava mais perto do Brasil do que jamais estivera. Aproveitou a viagem para desembarcar no Rio de Janeiro, onde acompanhou junto com a torcida local a eliminação da seleção na partida contra a Noruega.
Kim acompanhou os jogos da Coreia do Sul, sediados no México
Depois de visitar o Estádio do Maracanã, ele passou por Belo Horizonte para encontrar um amigo e chegou ainda a passear por Mirassol, para conhecer o único atleta sul-coreano em atuação por um clube da Série A do Brasileirão: Chico Kim.
— Ele foi muito gentil comigo, me recebeu muito bem, me deu a camisa dele e me convidou para assistir a um treino. Conheci o centro de treinamento do clube e até almocei com os jogadores no restaurante deles. Guardo uma lembrança muito boa do Mirassol.
Novamente no estado de São Paulo, Kim enfim conheceu a Neo Química Arena — e o time pelo qual resolveu torcer no Brasil.
— Fui até lá para encontrar o Jesse Lingard, mas, no começo, o meu lugar não era bom para conseguir cumprimentá-lo. Cheguei tarde perto dele, foi difícil. Mas muitos torcedores me ajudaram, eles chamavam o Jesse no meu lugar. Falavam algo como: "Olha ele! Ele está aqui!"
Apesar de não conseguir uma foto, Kim chamou a atenção do atleta, que permaneceu no banco até metade do segundo tempo.
— Finalmente o Jesse Lingard me viu, acenou e falou algo para os companheiros de equipe, como: "Aquele cara veio da Coreia do Sul". Foi um momento muito especial.
Um corinthiano na Coreia
A visita fez Kim adotar o Corinthians oficialmente como seu clube brasileiro. Para quem pretende conhecer todos os países do mundo e ter um time em cada um deles, a passagem pela Neo Química Arena foi suficiente para colocá-lo entre os integrantes do chamado "bando de loucos".
— Já tinha ouvido dizer que era um dos melhores estádios e uma das melhores torcidas do Brasil, mas foi ainda melhor do que eu esperava. Os torcedores eram muito apaixonados, eles apoiaram o time durante os 90 minutos e tinham muitas formas diferentes de torcer. Eles dançavam. Todo mundo se movimentava junto, de um lado para o outro, cantavam, gritavam. Foi realmente uma das torcidas mais impressionantes que já vi.
A identificação com o clube não deve terminar quando ele voltar para casa. Kim garante que pretende continuar acompanhando o Corinthians da Coreia do Sul, assim como outros fãs do Lingard, e afirma que a viagem despertou apreço também por outros jogadores do elenco.
— Na Coreia, existe um pequeno grupo de pessoas que acompanha o Corinthians por causa do Jesse Lingard. Vou continuar fazendo isso. Também sei que hoje o Corinthians tem o Memphis Depay. E agora sou fã do Yuri. O Yuri Alberto é um jogador muito, muito bom.
Hyeseong Kim conheceu o também sul-coreano Chico Kim, camisa 10 do Mirassol
Para ele, a experiência vai além da torcida por um clube. O sul-coreano acredita que o futebol pode aproximar os dois países e espera que histórias como a dele se tornem mais comuns.
— Historicamente, Coreia e Brasil não tiveram muita relação no futebol. Por isso acho que conexões como a do Chico Kim e a do Jesse Lingard são muito importantes para nós. Espero que existam muito mais relações desse tipo no futuro.
*Colaborou sob supervisão de Carlos Augusto Ferrari.