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Maurício Pereira é o porta-estandarte da música incomum que abastece de poesia o álbum autoral 'O dia da girafa'

Maurício Pereira lança o sexto álbum solo autoral com músicas inéditas, 'O dia da girafa', produzido por Biel Basile

G1 — Brasil · 2026-07-30T13:03:20.000Z

Maurício Pereira lança o sexto álbum solo autoral com músicas inéditas, 'O dia da girafa', produzido por Biel Basile

Bruno dos Anjos / Divulgação

♫ CRÍTICA DE ÁLBUM

Título: O dia da girafa

Artista: Maurício Pereira

Cotação: ★ ★ ★ 1/2

♬ “Sou o porta-estandarte do homem comum”, se autodefine Maurício Pereira logo no verso inicial de “Uma vida standard” (2022), parceria com Edson Natale que abre o sexto álbum solo autoral com repertório inédito da discografia do cantor, compositor e saxofonista paulistano, “O dia da girafa”, no mundo desde ontem, quarta-feira, 29 de julho.

Metade da dupla Os Mulheres Negras, formada pelo artista com André Abujamra na década de 1980, Maurício Pereira pode até ser “qualquer um” da porta para fora, como enfatiza em “Uma vida standard”, música repetida ao fim do álbum em versão alternativa. Dentro de casa e da própria cabeça, no espaço solitário da criação, Pereira sempre fez música incomum, veiculada às margens do mercado.

Em “O dia da girafa”, álbum produzido pelo baterista Biel Basile, o artista se confirma incomum ao elencar série de músicas em que geralmente assina as letras e os parceiros, as melodias.

Curiosamente, a única música que traz somente a assinatura de Maurício Pereira, “As nuvens, nuvens, nuvens”, paira soberana na safra autoral do álbum “O dia da girafa” com atmosfera delicada, uma melodia que parece suspensa no ar e uma letra repleta de imagens, ao estilo do compositor.

Capa do álbum 'O dia da girafa', de Maurício Pereira

Primeiro álbum do artista com repertório inédito desde “Outono no Sudeste” (2018), disco apresentado há oito anos, “O dia da girafa” sucede “Micro” (2002) na trajetória fonográfica do artista, com a ressalva de que “Micro” foi projeto em que o compositor reviu o próprio cancioneiro, rebobinado por Pereira com o guitarrista Tonho Penhasco, coautor de “Quanta barbaridade” no álbum atual.

Entre os álbuns “Outono no Sudeste” e “O dia da girafa”, Tim Bernardes – filho de Maurício Pereira – se consolidou como um dos grandes cantores e compositores da geração projetada nos anos 2010. Tim é parceiro do pai em “Eu trago o coração vazando”, música mais afinada com o universo do indie rock do trio O Terno do que com o cancioneiro da discografia solo de Tim.

Entre os parceiros de Pereira neste sexto álbum solo autoral com músicas inéditas (somente “Uma vida standard” já tinha sido previamente gravada há quatro anos pelo parceiro Edson Natale), há o produtor Biel Basile (no tema instrumental “Caquinhos” e em “Alfabetiza”), há o sempre instigante Romulo Fróes – que segue pelos habituais passos tortos ao pavimentar “Casamata de amendoeiras”, espécie de samba do isolamento – e há Lu Horta, coautora da música-título “O dia da girafa”.

O outro filho de Maurício Pereira, Chico Bernardes, é o coprodutor do álbum e o parceiro melodista de “A professora de melancolia” (outro destaque da safra pela absoluta sincronia entre música e letra) e da climática “Um facho de luz de cobre”.

Informa o texto promocional do álbum “O dia da girafa” que as letras nasceram de um jorro poético de Maurício Pereira durante o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19, tendo sido criadas menos com a preocupação de fazer crônicas da cidade de São Paulo (SP) – traço até então dominante na escrita do compositor e presente no álbum na já mencionada faixa “Quanta barbaridade”, turbinada com a guitarra do parceiro Tonho Penhasco – e mais com o intuito de traduzir o turbilhão de emoções e paisagens da cabeça do artista.

No território sem fronteiras da mente, Maurício Pereira extrapola as esquinas de São Paulo (SP) e viaja até a orla carioca no tom folião da fanfarra “O Leme é um lugar genial”, faixa gravada com A Espetacular Charanga do França.

Diferentemente do homem trivial do cotidiano, Maurício Pereira é o porta-estandarte da música incomum no fluxo poético do álbum “O dia da girafa”.

Maurício Pereira alinha parcerias com Romulo Fróes e com os filhos Chico Bernardes e Tim Bernardes no álbum 'O dia da girafa'

Bruno dos Anjos / Divulgação

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