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Esquema para lavar dinheiro do jogo do bicho nasceu em Rio Preto, diz Gaeco
G1 — Brasil · 2026-07-30T12:56:19.000Z
Esquema para lavar dinheiro do jogo do bicho nasceu em Rio Preto, diz Gaeco
O esquema bilionário de lavagem de dinheiro, alvo de uma operação na quarta-feira (29), foi idealizado por empresários em São José do Rio Preto (SP) para ocultar os recursos provenientes do jogo do bicho e máquinas de azar e foi proposto ao crime organizado no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O empresário Alessandro Malavasi e o filho dele, Natan Malavasi, donos de uma construtora de alto padrão em Rio Preto, são apontados como chefes do grupo. Eles foram presos junto com outros dois funcionários da empresa durante a operação.
Ao todo, cinco pessoas foram presas, sendo os quatro em Rio Preto e uma em Campo Grande (MS). Duas pessoas investigadas no Rio de Janeiro continuam foragidas. A Polícia Federal e o Gaeco cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros: MS, RJ e SP.
Alessandro Malavasi (à esquerda) e o filho dele, Natan Malavasi (à direita), foram presos em Rio Preto (SP)
Em nota enviada à TV TEM, o advogado de defesa dos empresários Luiz Fernando Volpe informou que, como o processo tramita sob sigilo, ainda não teve acesso à investigação. Por esse motivo, afirmou que não irá se manifestar neste momento.
Segundo o promotor Tiago Dutra Fonseca, a investigação apontou que o grupo não explorava diretamente os jogos de azar: o “papel” deles era criar e administrar a estrutura financeira capaz de dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com atividades criminosas.
“A identificação até agora é que essa estrutura foi montada daqui para o Rio de Janeiro. Aqui [em Rio Preto] nós temos o comando de toda a estrutura empresarial. A investigação proporcionou toda essa visualização de um cenário criminoso de ponta a ponta, a 900 km de distância, desde a origem do recurso criminoso até a lavagem de dinheiro final”, comenta o promotor.
O esquema usava milhares de maquininhas de cartão instaladas em bancas de jogo de bicho e videobingos, interligadas a empresas de fachada e registradas em nome de “laranjas”.
Nesse caso, as empresas estavam registradas em nome de pessoas sem capacidade financeira, sendo algumas beneficiárias de programas sociais, mas que apareciam como responsáveis por movimentações financeiras milionárias.
As movimentações eram pulverizadas e, depois, o dinheiro era direcionado para empresas ligadas aos investigados. Ainda segundo a investigação, mais de mil transações consideradas suspeitas foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
Promotoria fez coletiva em Rio Preto (SP) sobre operação contra lavagem de dinheiro
André Modesto/TV TEM
Homem e filho donos de construtora são presos em Rio Preto (SP) durante operação
O Gaeco classificou a atuação dos empresários como uma "terceirização" da lavagem de dinheiro. Conforme o promotor, eles não são apontados como donos de bancas de jogo do bicho.
Nesse caso, a estrutura era responsável por "escoar" o dinheiro obtido pelo crime organizado, o que permitia que os recursos circulassem com aparência de legalidade e favorecessem o enriquecimento dos exploradores do jogo do bicho.
As investigações apontam que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas analisadas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, pelo menos R$ 100 milhões teriam sido sacados em espécie.
Conforme o promotor, o cumprimento dos mandados de prisão ocorreu porque havia indícios de que alguns investigados planejavam deixar o país, uma vez que já desconfiavam da investigação e existia a possibilidade de fuga para os Estados Unidos.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos de 18 pessoas físicas e jurídicas, incluindo contas bancárias, veículos, imóveis e criptoativos.
Os investigados podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Operação mira esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho em SP, MS e RJ
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