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Cientista político analisa virada eleitoral de Raquel Lyra em Pernambuco
G1 — Brasil · 2026-07-30T16:16:27.000Z
Cientista político analisa virada eleitoral de Raquel Lyra em Pernambuco
A melhora na avaliação da gestão estadual e a saída do seu principal oponente da "vitrine" da prefeitura do Recife estão entre os motivos da ultrapassagem da governadora Raquel Lyra (PSD) sobre o ex-prefeito João Campos (PSB) na pesquisa Quaest sobre a disputa pelo governo de Pernambuco divulgada na terça-feira (28). É o que apontam as análises de três cientistas políticos entrevistados pelo g1 (veja vídeo acima).
De acordo com essa pesquisa, Raquel Lyra tem 43% das intenções de voto contra 37% de João Campos no 1º turno. No levantamento anterior, em abril, o ex-prefeito do Recife liderava com 42% enquanto a candidata à reeleição aparecia com 34%. Ele deixou o cargo para concorrer ao governo estadual no início de abril.
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Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a governadora conseguiu usar ao seu favor o período em que seu adversário deixou o comando da prefeitura do Recife, por conta da legislação eleitoral, assumindo sozinha o protagonismo do Poder Executivo.
"O principal fator foi a melhora expressiva da avaliação do governo. Raquel conseguiu transformar aprovação administrativa em intenção de voto. Fez isso no hiato entre a saída de João da prefeitura e o começo da campanha. É quando o incumbente fala sozinho, e no Brasil todo, tende a melhorar seus indicadores", afirmou Felipe Nunes.
Em julho, a Quaest apontou que 68% dos eleitores pernambucanos entrevistados aprovam o governo estadual. O índice de aprovação era de 62% em abril e de 51% no levantamento de agosto do ano passado. Já a desaprovação vem em trajetória de queda, saindo de 45% em agosto de 2025 para 35% em abril deste ano e chegando a 23% na pesquisa mais recente.
Pesquisa Quaest de julho de 2026 indica 68% de aprovação do governo Raquel Lyra
Para o cientista político Juliano Domingues, as pesquisas anteriores já apontavam crescimento da avaliação positiva do governo Raquel Lyra. "No entanto, as pesquisas de intenção de voto ainda indicavam uma vantagem confortável para João Campos. O que a gente tem observado na pesquisas mais recentes [...] é que essa avaliação positiva do governo tem se revertido em intenção de voto", contou.
Para Domingues, entre os fatores que ajudaram a melhorar a avaliação da governadora estão:
anúncios de investimentos na área de segurança pública e a imagem dos "laranjinhas" (novos policiais militares) nas ruas do estado;
maior proximidade com o eleitorado evangélico pentecostal, segmento do eleitorado em que a candidata lidera as intenções de voto, com o dobro de João Campos, segundo a Quaest;
forte vinculação de Raquel Lyra com o interior do estado, com anúncios de investimentos no Agreste e no Sertão e a ligação dela com grupos políticos dessas regiões.
Já a cientista política Priscila Lapa acredita que Raquel Lyra fortaleceu uma agenda de entregas de obras, além da recomposição de sua articulação política após sair do PSDB e entrar no PSD. "As pessoas estão avaliando o governo como um governo que está conseguindo fazer entregas necessárias, cumprindo lacunas que estavam presentes no cenário estadual", declarou.
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Apesar dos elevados índices de aprovação da governadora, o diretor da Quaest ressaltou que a eleição em Pernambuco segue indefinida. "Aprovação de governo e intenção de voto estão relacionadas, mas não são a mesma coisa. A disputa permanece aberta e tecnicamente empatada", disse Felipe Nunes.
Pela margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos, Raquel Lyra pode ter entre 40% e até 46% das intenções de voto no 1º turno, enquanto João Campos pode ficar entre 34% e 40%.
Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) lideram intenções de voto para governador de Pernambuco
Em relação a João Campos, reeleito para prefeito do Recife em 2024 com votação recorde, a cientista política diz que a saída do cargo diminuiu a presença do pré-candidato da vitrine digital.
"Desde que ele [João Campos] se afasta, se desincompatibiliza para cumprir a legislação e ser candidato ao governo, que ele vai gerando um certo afastamento dessa presença digital, dessa dinâmica da cidade, da dinâmica do Estado. Então, o fator máquina administrativa conta muito na eleição para o Executivo", disse Priscila Lapa.
Outra justificativa para a queda das intenções de votos no ex-prefeito do Recife é, ainda de acordo com a especialista, a perda de uma "hegemonia" no campo das redes sociais. "A governadora passou a ocupar espaços interessantes também nesse meio digital, então eles passaram a disputar ali de forma mais paritária esse protagonismo no meio digital", afirmou.
Influência política de Lula
Presidente Lula ao lado de Raquel Lyra e de João Campos durante o desfile do Galo da Madrugada, no Recife, em fevereiro de 2026.
A Quaest apontou, ainda, que 47% dos entrevistados querem que o governador eleito em outubro seja aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Federação PT-PCdoB - PV fechou apoio à pré-candidatura de João Campos, apesar de dissidências entre os petistas.
Sobre quem é o "candidato de Lula a governador de Pernambuco", a maior parte dos eleitores entrevistados (44%) respondeu que é João Campos. O índice era de 47% em abril, um recuo dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Para 8%, Raquel é a candidata oficial do presidente no estado.
Felipe Nunes avaliou que ainda é cedo para que a maior parte do eleitorado faça as relações sobre os apoios. "O conhecimento sobre alianças não cresce necessariamente de forma linear. [...] Até porque a atenção das pessoas é difusa nesse período. Agora é que as atenções se voltam para a eleição de fato", explicou.
Ele também destacou que o apoio do presidente, que lidera a corrida eleitoral no estado com folga, pode ser decisivo na campanha, mesmo que a transferência de votos não seja automática. Contudo, o histórico de neutralidade de Raquel Lyra altera, de acordo com Felipe Nunes, a percepção do eleitorado.
"Ao manter boa relação institucional com Lula e, ao mesmo tempo, preservar aliados da direita, Raquel torna menos clara a divisão entre situação e oposição no plano nacional. Isso dificulta que João Campos monopolize, perante o eleitor, a condição de candidato ligado ao presidente. Acho que Lula terá uma posição importante aqui. Se ele for ao estado, andar com João, pedir voto abertamente a ele, as coisas podem mudar", declarou o diretor da Quaest.
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