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Guerra (E), Lucas (C) e Vavo (D) lançam o 11º álbum da carreira da Fresno
G1 — Campinas e Região · 2026-07-30T17:30:50.000Z
Guerra (E), Lucas (C) e Vavo (D) lançam o 11º álbum da carreira da Fresno
Com 25 anos de carreira, a banda Fresno retornou à Campinas (SP) no último sábado (25) com a turnê "Carta de Adeus". Em entrevista ao g1, o vocalista Lucas Silveira, o guitarrista Gustavo Mantovani e o baterista Thiago Guerra explicaram que o título do novo álbum gerou burburinho entre os fãs, mas a intenção era exatamente provocar essa reação.
"Uma coisa que assombra muito o nosso fã é um dia a Fresno não existir mais e a gente ter, entre aspas, brincado com isso com o nome do álbum. [...] Teve, sim, essa intenção de ser um nome que causasse um friozinho ali", contou Lucas.
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O conceito do disco também envolveu uma ação interativa. A banda criou uma página na internet para que o público enviasse suas próprias "cartas de adeus". Segundo os músicos, o objetivo não era que as mensagens fossem lidas por alguém, mas, sim, proporcionar aos fãs um espaço de desabafo.
"Não é exatamente uma mensagem com destino. [...] A maioria das pessoas estava só escrevendo uma coisa que talvez precisasse ser escrita. Isso foi muito massa, porque vai gerando uma comoção de muita gente em muitos lugares", explicou o vocalista.
Composições e 'retalhos'
De acordo com o grupo, o processo de criação da Fresno foge da estrutura tradicional. Lucas revelou que muitas faixas nascem da junção de pequenos pedaços de melodias e letras guardadas há anos em seu computador.
"Muitas músicas nossas são junções desses pedaços e não seguem exatamente uma fórmula de música pop, com verso e refrão bem definidos. [...] Fica louco tu achar que está falando sobre a mesma coisa, às vezes tendo vivido duas vidas muito distantes. Mas, no fundo, é natural que, mesmo com um distanciamento bizarro de tempo, tu estejas falando sobre a mesma coisa", refletiu.
Anteriormente, a banda já havia resgatado arquivos antigos no projeto "Inventário", que lançou 20 músicas a partir de "embriões" acumulados por mais de uma década.
Para os integrantes, o sucesso está ligado à coragem de falar abertamente sobre sentimentos. O vocalista avalia que, no início da carreira, era comum haver vergonha em expor vulnerabilidades, algo que a banda superou cedo. Hoje, os temas amadureceram junto com os integrantes, mas a essência das composições continua a mesma.
"Os fãs dizem normalmente que a banda fala por eles de alguma forma. Não que seja uma pretensão nossa, mas acho que nenhuma experiência é totalmente pessoal. A gente acaba falando por outras pessoas justamente por não tentar mascarar ou criptografar os sentimentos", afirmou.
A banda, que tem quase três décadas de estrada, acompanhou diversas mudanças na indústria fonográfica, desde a compra de faixas digitais até a consolidação dos aplicativos de streaming, como o Spotify. Atualmente, os músicos observam uma nova transição no comportamento do público mais jovem, impulsionada por redes sociais.
"Acredito que a molecada que não é profundamente interessada por música talvez não esteja mais usando a plataforma de streaming. Estão ouvindo só pedacinhos de música através do TikTok. Não sei se essa pessoa vai gostar do trecho e depois procurar a música ou o álbum inteiro para ouvir", ponderou Lucas.
Dinâmica do show
Fresno: 'Um compositor consegue fazer música sobre qualquer coisa que conhece e entende'
Para a turnê "Carta de Adeus", a Fresno adotou uma estrutura diferente. Em apresentações exclusivas da banda, como a que ocorreu em Campinas, o repertório é dividido em duas partes:
Primeiro ato: a banda toca o novo álbum na íntegra;
Segundo ato: um desfile dos grandes sucessos da carreira, totalizando cerca de duas horas de show.
A inspiração para esse formato veio de uma experiência de Lucas em um show da banda britânica Simply Red. Ele percebeu que a expectativa gerada antes de tocarem os sucessos clássicos tornava o momento ainda mais especial.
"O fã sabe que é a turnê 'Carta de Adeus', então ele ouve o disco novo para cantar tudo. Mas depois, em contraste, quando chegam as músicas que marcaram a vida dessas pessoas, o impacto é muito maior. Vira um culto, um negócio muito animalesco. A gente quase não canta nessa parte, vira só diversão", relatou.
*Estagiária sob supervisão de Bárbara Camilotti.
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