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Imagens de satélite mostram avanço do sistema que provocou ventos acima de 120 km/h no Sudeste; VEJA

Imagens de satélite mostram o deslocamento das nuvens e dos ventos próximos à superfície sobre São Paulo e o Rio de Janeiro na última quarta-feira (29). Com o anoitecer, os tons de amarelo e laranja passam a indicar diferenças na…

G1 — Brasil · 2026-07-30T19:22:24.000Z

Imagens de satélite mostram o deslocamento das nuvens e dos ventos próximos à superfície sobre São Paulo e o Rio de Janeiro na última quarta-feira (29). Com o anoitecer, os tons de amarelo e laranja passam a indicar diferenças na temperatura do topo das nuvens.

Imagens de satélite mostram o deslocamento do sistema que provocou as rajadas de mais de 120 km/h registradas em São Paulo e no Rio de Janeiro na última quarta-feira (29).

A sequência, produzida com dados da plataforma de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), acompanha a movimentação das nuvens e dos ventos próximos à superfície entre 10h e 19h, no horário de Brasília.

As imagens mostram a nebulosidade associada à frente fria avançando em direção ao litoral do Sudeste.

À frente desse sistema, o encontro do ar frio e úmido com a massa de ar quente e seco que predominava na região favoreceu a formação de uma frente de rajada.

“Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada”, explica ao g1 César Soares, meteorologista da Climatempo.

Imagem de satélite mostra a maior concentração de nuvens sobre o Paraná e o avanço do sistema em direção a São Paulo e ao litoral do Sudeste às 11h da última quarta-feira (29). As linhas brancas indicam a direção dos ventos próximos à superfície.

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Imagem de satélite mostra a extensa faixa de nuvens sobre São Paulo e o avanço do sistema pelo litoral do Sudeste às 14h da última quarta-feira (29).

Imagem de satélite mostra a faixa de nuvens sobre o leste de São Paulo e grande parte do Rio de Janeiro às 16h30 da última quarta-feira (29).

Imagem de satélite mostra, às 18h da última quarta-feira (29), nuvens mais frias destacadas em amarelo e laranja sobre o Paraná, o sul de São Paulo e o oceano.

A mudança ocorre porque, sem a luz do Sol, a composição em cores naturais deixa de mostrar a superfície com a mesma nitidez. A visualização passa então a usar dados do infravermelho, que permitem acompanhar as nuvens também durante a noite.

Os tons indicam a temperatura de brilho observada pelo satélite do Inpe. Em geral, áreas mais frias correspondem a nuvens com topos mais altos, enquanto temperaturas maiores aparecem em nuvens mais baixas ou na própria superfície.

❗ Também não é possível medir pelas imagens as rajadas pontuais que superaram 120 km/h. Esses valores foram registrados por estações e equipamentos em solo. O satélite permite acompanhar a evolução do sistema e a área sobre a qual ele se deslocou.

O que é uma frente de rajada?

A frente de rajada é uma faixa de ventos fortes que se desloca à frente de uma frente fria ou de uma área de tempestade.

Ela se forma quando o ar mais frio e denso avança próximo ao solo e empurra rapidamente o ar quente que estava sobre a região.

Esse movimento funciona como uma espécie de onda de ar que se espalha horizontalmente pela superfície.

Por isso, as rajadas podem chegar de forma repentina e atingir várias cidades em sequência, mesmo em pontos onde a chuva ainda não começou ou ocorre com pouca intensidade.

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Esse deslocamento pode formar uma linha extensa de ventos, capaz de percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros. Isso ajuda a explicar por que a ventania atingiu áreas do interior, da capital e do litoral paulista em um intervalo relativamente curto.

❗ A frente de rajada, porém, não é um tornado.

No tornado, o vento gira em torno de um eixo e atinge uma faixa geralmente mais estreita. Na frente de rajada, os ventos se espalham de maneira mais horizontal e podem afetar uma área muito mais ampla.

Também não é necessário que haja chuva forte exatamente no ponto atingido. Em alguns casos, a rajada chega antes da precipitação ou avança para regiões onde chove pouco.

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Frente de rajada se aproxima antes de uma tempestade no estado do Novo México, nos Estados Unidos. O fenômeno ocorre quando o ar frio da chuva avança por baixo do ar quente e úmido.

Por que os ventos passaram dos 120 km/h?

No caso desta quarta-feira (29), a ventania avançou do interior em direção ao litoral de São Paulo e depois alcançou áreas do Rio de Janeiro. As velocidades ficaram muito acima das rajadas normalmente registradas durante a passagem de uma frente fria.

O principal fator foi o contraste muito acentuado entre o ar quente e seco que estava sobre o Sudeste e o ar frio e úmido que chegou com o sistema.

O ar frio é mais denso e tende a avançar por baixo do ar quente. Nesse processo, o vento pode acelerar próximo à superfície. A organização desse fluxo à frente da frente fria formou a frente de rajada.

A velocidade também foi favorecida pelo deslocamento rápido do sistema. Em poucas horas, a frente fria saiu do Sul, atravessou áreas do Paraná e de São Paulo e chegou ao litoral do Sudeste.

⚠️ Embora houvesse previsão de ventos fortes, a intensidade observada superou 120 km/h em alguns municípios paulistas.

Segundo a Defesa Civil estadual, as rajadas chegaram a:

124,9 km/h em Itaí e Itaporanga;

117 km/h em Taquarituba;

113 km/h em Paranapanema;

111 km/h em Itanhaém;

104,8 km/h em Itaberá.

Os maiores valores foram registrados principalmente na região de Itapetininga e em áreas do litoral paulista.

Centro de Santos teve estruturas destruídas após a ventania.

Ventos provocaram queda brusca de temperatura

Além da força das rajadas, a passagem da frente de rajada também provocou uma redução rápida da temperatura.

Em alguns pontos da Região Metropolitana de São Paulo, os termômetros passaram de cerca de 29°C para 20°C ou 21°C em aproximadamente uma hora.

Essa mudança repentina é uma das características que podem acompanhar a passagem de uma frente de rajada.

O vento também pode mudar de direção em poucos minutos. Antes da chegada do sistema, costuma predominar o fluxo de ar mais quente. Depois da passagem, os ventos passam a transportar o ar mais frio.

O Corpo de Bombeiros registrou ao menos 14 chamadas para queda de árvores em diversos pontos da capital paulista.

Abraão Cruz/TV Globo

O tornado no RS foi causado pelo mesmo sistema?

A frente fria que atingiu o Sudeste foi a mesma que provocou temporais e estragos no Sul do país.

No Rio Grande do Sul, o sistema encontrou uma atmosfera quente e úmida, condição que favoreceu a formação de tempestades severas. Uma dessas tempestades deu origem ao tornado que atingiu Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho na terça-feira (28).

Apesar de estarem associados à passagem da mesma frente fria, o tornado no Rio Grande do Sul e a frente de rajada no Sudeste são fenômenos diferentes.

o tornado é uma coluna de ar em rotação que toca o solo;

a frente de rajada é uma linha de ventos que se espalha horizontalmente;

o tornado costuma atingir uma faixa mais estreita;

a frente de rajada pode alcançar diversas cidades.

❗ Não houve indicação de tornado nas áreas de São Paulo e do Rio de Janeiro atingidas pelas rajadas mais intensas.

Os danos no Sudeste foram provocados principalmente pela velocidade dos ventos associados à frente de rajada e pela grande área atingida.

Morador registra tornado em Giruá, no RS

Imagem cedida/ Renan Bayer

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