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Infantino explica proposta de empresa para gerenciar operações da Fifa
ge — Futebol · 2026-07-30T20:01:24.000Z
Infantino explica proposta de empresa para gerenciar operações da Fifa
Os posicionamentos oficiais da Uefa e da Concacaf contrários à proposta da Fifa de criar uma empresa para administrar seus torneios e vender ações a investidores privados tornam quase impossível a aprovação do plano de Gianni Infantino.
Os países de Europa, Caribe e Américas do Norte e Central somam 90 votos na Fifa, sendo 55 deles da Uefa e 35 da Concacaf. Somadas, essas associações nacionais representam 43% das 211 seleções filiadas à Fifa. Para conseguir a aprovação do projeto, Infantino precisa do aval de pelo menos 106 associações nacionais. O presidente da Fifa informou que as federações continentais têm até 19 de setembro para manifestar oficialmente seus votos.
Associações nacionais filiadas à fifa
Sem Uefa e Concacaf, o presidente da Fifa terá que brigar por apoio quase unânime nos outros continentes. Com 46 membros filiaddos à Fifa, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) não divulgou se vai apoiar a proposta, mas fez duras críticas à forma como a ideia foi apresentada. A posição das federações nacionais asiáticas pode ser decisiva para a criação do fundo privado idealizado por Infantino.
"A AFC não foi consultada sobre a proposta e lamenta que um assunto de tamanha importância tenha se tornado público antes que a família AFC tivesse a oportunidade de examiná-lo e discuti-lo pelos canais de governança apropriados e estabelecidos", disse a entidade em nota oficial na quarta-feira.
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Já a Federação Africana de Futebol (CAF) afirmou que vai realizar uma reunião na próxima semana para decidir sua posição sobre o caso. A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) também anunciou uma reunião para agosto. A Conmebol, que reúne os países da América do Sul, ainda não se posicionou sobre a ideia
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Até o momento, a Uefa foi a federação continental a apresentar as mais duras críticas aos planos de Infantino, com a promessa de um boicote a qualquer competição da Fifa se a proposta for aprovada.
Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes
Boicote pode afetar a Copa do Mundo
O boicote prejudicaria, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina 2027, que será realizada no meio do ano que vem no Brasil.
A proposta da Fifa foi anunciada na última terça. A ideia é criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade.
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A Uefa foi uma das primeiras organizações a se posicionar contra e recebeu apoio da Concacaf - confederação da América do Norte, Central e Caribe - e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Essas três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa, ampla maioria.
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A Fifa divulgou um vídeo na quarta com Infantino dando seus argumentos para a proposta de venda das ações. O presidente da entidade afirmou que a ideia passará por uma votação com todas as associações-membro e pelo conselho da organização.
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Infantino também disse que a venda de ações permitiria aumentar o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa espera arrecadar 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) com o projeto.
Confira parte do nota da Uefa:
"A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma "decisão democrática", mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo"
A empresa a ser criada na proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária cujo controle majoritário seria da entidade. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações comerciais e as principais competições.
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Evan Vucci TPX IMAGES OF THE DAY/REUTERS
A Fifa acredita que a FFE valeria no total 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). Por isso, diz que a venda do equivalente a 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões) em ações significaria que os investidores privados seriam minoritários na nova empresa.
Com o dinheiro arrecadado, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro da entidade. Atualmente, ela paga R$ 41 milhões para cada país. Se o plano for aprovado, a quantia poderia chegar a R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.
Na nota publicada em seu site oficial, a Fifa diz que a injeção de dinheiro privado pode ser decisiva para "alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base".