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Setor de serviços lidera a criação de empregos formais em Campinas
G1 — Brasil · 2026-07-30T22:44:15.000Z
Setor de serviços lidera a criação de empregos formais em Campinas
O comércio em Campinas (SP) encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo negativo de empregos, sendo que 179 postos de trabalho foram fechados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29
) pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Segundo o levantamento, o comércio da cidade teve queda de 127% nos empregos em comparação com janeiro a junho de 2025. Já o setor de serviços teve alta de 70%, passando de 4.940 vagas criadas em 2025 para 8.459 neste ano.
📊 Apesar do desempenho negativo de alguns setores, o saldo geral de empregos cresceu 6,5% no primeiro semestre, passando de 7.913 vagas criadas no primeiro semestre de 2025 para 8.432 em 2026.
Desempenho e a variação percentual de cada setor
O economista do Sindicato do Comércio Varejista de Campinas e Região (Sindivarejista), Jaime Vasconcellos, explicou que o comércio costuma reduzir vagas no início do ano, mas, em 2026, a recuperação não veio após o segundo trimestre.
Juros altos, crédito caro e endividamento reduziram o consumo e afetaram as contratações — entenda abaixo.
Vasconcellos alertou para a forte concentração de vagas no setor de serviços. Segundo ele, uma economia mais forte precisa ter crescimento em diferentes setores e não depender apenas de um segmento para gerar empregos.
"É importante que outros setores tenham crescimento da empregabilidade, e não foi o que aconteceu (...) há o lado positivo de expansão do mercado de trabalho, mas o lado preocupante de muita concentração apenas no setor de serviços", comentou.
Comércio não se recuperou após início do ano
Movimentação no Centro de Campinas
Vasconcellos disse que, no começo de cada ano, é comum o comércio reduzir vagas, já que muitos trabalhadores contratados para o fim do ano anterior são desligados. Normalmente, isso acontece nos três primeiros meses e depois o mercado volta a se recuperar.
Em 2026, porém, segundo o economista, a situação ficou mais complicada. Mesmo após o segundo trimestre, o comércio não conseguiu retomar a criação de empregos.
Os setores mais atingidos são o varejo de roupas e calçados, além dos bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos. Até mesmo os supermercados, que vinham crescendo, estão contratando menos.
Situação econômica do consumidor
De acordo com Vasconcellos, a queda no comércio está ligada ao impacto da situação econômica no bolso das famílias. Juros altos, crédito mais caro e dívidas reduzem o consumo, o que também diminui a necessidade de novas contratações pelas lojas.
"O comércio é o setor que mais tem contato com o consumidor final. E nós sabemos que esse consumidor, em 2026 especialmente, tem sentido no seu orçamento os impactos negativos e fortes", afirmou.
Para o segundo semestre, ele espera uma melhora com as contratações para o fim do ano, mas não acredita que o setor alcance os mesmos níveis de geração de empregos dos anos anteriores.
Alta nos serviços
Serviços tiveram alta de empregos em Campinas
Enquanto o comércio enfrenta dificuldades, empresas do setor de serviços continuam contratando. No Hospital Santa Tereza, o número de funcionários cresceu 10% apenas neste ano, segundo a diretora operacional, Leonice Barbieri.
A ampliação da estrutura, que fez o hospital passar de 56 para 178 leitos, aumentou a necessidade de profissionais, principalmente para o atendimento aos pacientes. Desde o período da pandemia da Covid-19, o quadro de funcionários da unidade praticamente dobrou.
A expansão também abriu oportunidades para que funcionários assumissem novas funções. É o caso de Lesley Paiva, contratada para trabalhar na área de relacionamento médico. "Foi muito importante, eu gostei muito dessa oportunidade", contou.
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