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Ucrânia atacou navio do Irã.
G1 — Brasil · 2026-07-30T23:59:33.000Z
Ucrânia atacou navio do Irã.
O ataque de drones ucranianos contra um navio comercial do Irã, no fim de semana, aumentou a preocupação sobre como conflitos diferentes podem estar interligados. A ação aconteceu dias depois da queda de um míssil russo na Polônia, país integrante da Otan, e ampliou os temores sobre uma possível expansão da guerra na Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin classificou o ataque ucraniano como uma ação direta contra o Irã.
O navio foi atingido no Mar Cáspio, uma rota importante de comércio e de movimentação militar que conecta Rússia e Irã a outros países da Ásia Central. A embarcação havia saído do porto de Astrakhan, na Rússia, com destino ao porto de Anzali, no Irã.
Um marinheiro morreu no ataque.
Para o analista Hussein Kalout, a ação ucraniana teve um objetivo estratégico, mas também envolve riscos.
“Foi um movimento muito perspicaz e ao mesmo tempo muito perigoso por parte do Zelensky”, afirmou.
Segundo ele, a Ucrânia tenta se aproximar dos Estados Unidos em meio ao conflito envolvendo o Irã.
“Ele quer se apresentar para o governo americano como uma linha auxiliar para a guerra contra o Irã, na tentativa de adquirir do governo americano uma ajuda militar contra a Rússia”, disse.
Conflitos diferentes, aliados em comum
O episódio aproximou dois conflitos separados pelo Mar Cáspio.
De um lado, está a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, com ataques diretos a mais de 10 países da região.
Do outro, a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de quatro anos e envolve o apoio de potências ocidentais, como Estados Unidos e União Europeia, que enviam armas e financiamento para a Ucrânia.
A Rússia também recebeu apoio da Coreia do Norte, inclusive com o envio de soldados.
Além disso, Moscou recebe componentes eletrônicos da China, que também aumentou a compra de petróleo russo, e conta com a participação do Irã, que envia drones do tipo Shahed.
A preocupação de especialistas é que conflitos regionais acabem envolvendo diretamente as maiores potências do mundo.
“Uma das preocupações é como esses conflitos regionais podem levar ao enfrentamento das duas maiores potências do planeta. E, com isso, uma guerra ainda maior”, afirmou Hussein Kalout.
Apesar da tensão, Estados Unidos e China não demonstram interesse, até agora, em um conflito aberto. A avaliação é que os dois países podem atuar por meio de aliados.
“O temor sempre de uma Terceira Guerra Mundial está no imaginário desde sempre”, afirmou Kalout.
Segundo ele, uma escalada desse tipo poderia provocar impactos globais.
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“Isso levaria a um colapso do comércio mundial. Então os Estados Unidos não querem, claro, uma escalada de conflitos que levem a uma guerra mundial. A China, evidentemente, só tem a perder com isso, porque é o ator que hoje mais se beneficia da globalização econômica”, disse.
Para o analista, uma guerra de grandes proporções também não interessa aos principais atores envolvidos na geopolítica global.
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