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Quem fabrica as urnas eletrônicas? Entenda como funciona a produção e por que o TSE diz que não há registro de fraude em 30 anos

A urna eletrônica completou 30 anos em 2026 como um dos símbolos do sistema eleitoral brasileiro. Desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral, o equipamento é utilizado desde 1996 e, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ajudou a…

G1 — Brasil · 2026-07-31T13:26:07.000Z

A urna eletrônica completou 30 anos em 2026 como um dos símbolos do sistema eleitoral brasileiro. Desenvolvido pela própria Justiça Eleitoral, o equipamento é utilizado desde 1996 e, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ajudou a eliminar fraudes comuns no período em que a votação era feita exclusivamente em cédulas de papel.

Ao longo dessas três décadas, quatro empresas diferente foram responsáveis pela fabricação dos equipamentos — a partir de projetos desenvolvidos pelo próprio TSE, que define as especificações técnicas e de segurança, e sob fiscalização da Justiça Eleitoral.

Segundo o tribunal, o sistema já passou por sucessivas atualizações de segurança, auditorias e testes públicos. As quatro empresas venceram licitações para produzir as urnas eletrônicas. Veja quais são:

Positivo Tecnologia: responsável pelos modelos mais recentes, UE2020 e UE2022;

Diebold/Diebold Procomp: produziu os modelos de 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015;

Unisys Brasil: fabricou a primeira urna eletrônica utilizada no país, em 1996, e também o modelo de 2002;

Procomp Indústria Eletrônica: desenvolveu os modelos de 1998 e 2000.

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Falas de Flávio

O tema voltou ao debate público recentemente após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmar, em reunião com diplomatas, que as urnas eletrônicas brasileiras teriam relação com a empresa Smartmatic, fornecedora de sistemas de votação utilizados na Venezuela.

Na ocasião, o TSE rebateu a declaração e reiterou que as urnas usadas no Brasil não são fornecidas pela empresa.

RELEMBRE: Depois das críticas às urnas, interlocutores de Flávio Bolsonaro alertam para risco de perda de apoio no eleitorado independente

Urnas eletrônicas em Campo Grande.

14 modelos de urnas

Ao todo, segundo o TSE, foram produzidos 14 modelos de urnas eletrônicas e mais de 1,4 milhão de equipamentos desde a implantação do voto eletrônico.

Segundo o TSE, as empresas contratadas não desenvolvem livremente o equipamento nem vendem um produto pronto ao governo.

De acordo com o TSE, os editais de licitação possuem mais de 500 páginas com exigências detalhadas.

Depois da aprovação de protótipos, a fabricação e os testes são supervisionados por servidores e técnicos da Justiça Eleitoral.

30 anos sem fraudes

O TSE afirma que, em 30 anos de utilização do voto eletrônico, não houve comprovação de fraude capaz de alterar resultados eleitorais produzidos pelas urnas eletrônicas.

Segundo o TSE, a adoção da urna eletrônica buscou eliminar fraudes que eram registradas no sistema de votação em papel, como:

"urna grávida", quando a urna já chegava com votos inseridos;

"voto formiguinha", esquema em que cédulas oficiais circulavam entre eleitores e cabos eleitorais;

"eleitor fósforo", votação múltipla com identidades falsas;

"fraude cantada", alteração durante a leitura dos votos na apuração; e

"mapismo", adulteração dos mapas de totalização dos resultados.

Quais mecanismos de segurança existem?

Segundo o TSE, o sistema eleitoral utiliza múltiplas camadas de proteção e passa por auditorias permanentes.

Entre os mecanismos citados pelo tribunal estão:

assinatura digital dos sistemas;

lacração dos programas utilizados na eleição;

criptografia de dados;

Teste Público de Segurança (TPS);

fiscalização por partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal e outras entidades.

O tribunal afirma ainda que existem mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo de cada ciclo eleitoral

Como a urna evoluiu ao longo do tempo?

Segundo o TSE, novas versões do equipamento são desenvolvidas regularmente para incorporar melhorias de desempenho, acessibilidade e segurança.

O modelo UE2020, por exemplo, passou a contar com capacidade de processamento 18 vezes superior à geração anterior e mecanismos criptográficos certificados nos padrões da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).

Também foram ampliados recursos de acessibilidade, como sintetizador de voz, saída para fones de ouvido, teclado em braile e a presença de intérprete de Libras na tela do equipamento.

Por que os resultados saem tão rápido?

Antes da urna eletrônica, a contagem dos votos podia levar dias ou até semanas.

Segundo o TSE, a automatização eliminou etapas manuais da apuração e permitiu que os resultados passassem a ser divulgados poucas horas após o encerramento da votação.

Para as eleições gerais de 2026, mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar, segundo dados citados pelo tribunal.

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