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MPAM faz nova fase de operação contra agiotagem no Amazonas
G1 — Brasil · 2026-07-31T13:58:43.000Z
MPAM faz nova fase de operação contra agiotagem no Amazonas
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) cumpre, na manhã desta sexta-feira (31), oito mandados de busca e apreensão em Manaus e no município de Benjamin Constant, no interior do estado. A ação faz parte da segunda fase da Operação Usura, que investiga um grupo suspeito de conceder empréstimos informais com cobrança de juros abusivos.
Batizada de "Usura 2 – Juros Sobre Juros", a operação ocorre quatro dias após a primeira fase da investigação, que resultou na prisão de três suspeitos. Segundo o MPAM, os juros cobrados chegavam a 70% ao mês e as principais vítimas eram servidores do Poder Judiciário.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a investigação começou após uma vítima denunciar cobranças acompanhadas de ameaças. A pessoa relatou ter recorrido a empréstimos fora do sistema financeiro e enfrentado dificuldades para quitar a dívida devido aos juros exigidos.
A análise de conversas, comprovantes de transferências bancárias e outros documentos apontou a possível participação de pessoas responsáveis pela concessão dos empréstimos, pela cobrança das dívidas e pelo recebimento dos valores em contas de terceiros.
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"A apuração reuniu indícios da prática dos crimes de usura pecuniária, conhecida como agiotagem, extorsão e lavagem de capitais, apontando que contas bancárias de pessoas interpostas teriam sido utilizadas para receber pagamentos e ocultar os verdadeiros beneficiários dos valores", informou o MPAM.
O Ministério Público não divulgou a identidade dos alvos. Imagens registradas durante a operação mostram notas de moeda estrangeira e aparelhos celulares entre os materiais apreendidos.
O que foi apreendido
Segundo o MPAM, os mandados buscam recolher celulares, computadores, documentos, contratos, promissórias, comprovantes de transações financeiras, mídias eletrônicas, armas e valores sem origem comprovada.
O objetivo é reunir provas para esclarecer o caso e identificar possíveis vítimas e outros envolvidos.
O órgão informou que as investigações seguem sob sigilo. Também ressaltou que todos os investigados têm assegurados os direitos previstos na Constituição Federal, incluindo a presunção de inocência.
Material apreendido na primeira fase da operação
A Operação Usura foi deflagrada na segunda-feira (27) para investigar um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão em Manaus.
Segundo o Gaeco, o esquema oferecia empréstimos de até R$ 200 mil e utilizava intimidação psicológica para cobrar as dívidas.
Na primeira fase da operação, três pessoas foram presas. Um policial militar suspeito de integrar o grupo já havia sido detido durante diligências anteriores. Outros dois investigados foram presos em flagrante, sendo um deles por desacato.
As investigações apontam que o grupo é formado por 24 pessoas físicas e jurídicas. Entre os investigados estão três advogados, cujos escritórios também foram alvo de buscas por suspeita de ligação com o esquema.
Durante a primeira fase da operação, foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em dinheiro, além de dois veículos, joias, documentos e celulares. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados.
Segundo o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, as investigações continuam para identificar a extensão da atuação do grupo e os prejuízos causados às vítimas.