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Figueirense vence Santa Cruz fora de casa
ge — Futebol · 2026-07-31T14:42:22.000Z
Figueirense vence Santa Cruz fora de casa
A mesa gestora da SAF do Figueirense detalhou, nesta sexta-feira, a situação financeira do clube, as negociações com a Clave e os próximos passos da parceria com a PanSports. Participaram da entrevista coletiva Leonardo Berlanda, Guilherme Koerich, Eduardo Mafra, Leandro Rosa e Gabriel Richter Pires.
Estádio Orlando Scarpelli para Figueirense x Marcílio Dias pela 2ª rodada do Catarinense 2026
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A proposta da PanSports foi apresentada em 20 de maio, e o grupo foi escolhido pelo Conselho Deliberativo em 2 de junho. Dois empréstimos já foram realizados pelos investidores para auxiliar o Figueirense no pagamento de compromissos imediatos.
Desde abril, segundo os gestores, as contas do clube vêm sendo pagas por meio de soluções pontuais, incluindo contratos de mútuo com torcedores. A folha salarial referente a julho já está provisionada. A partir de agosto, porém, será necessário encontrar novas fontes de recursos para manter os pagamentos em dia.
Uma reunião entre a gestão da SAF, a PanSports e outros investidores está marcada para a próxima segunda-feira, 3 de agosto. O encontro terá como objetivo discutir soluções financeiras para os compromissos dos meses seguintes.
Dívida com Clave e Lift
Um dos principais pontos abordados foi a relação com a Clave e a Lift. De acordo com a gestão, foram colocados aproximadamente R$ 27 milhões no Figueirense durante a operação firmada anteriormente pelo clube, em novembro de 2023.
A PanSports já tinha conhecimento desse valor quando apresentou a proposta para assumir a gestão da SAF. Agora, as partes negociam uma forma de reconhecer e pagar o crédito, sem a intenção de levar o caso à Justiça.
O valor final da dívida ainda não está definido. A gestão entende que o investimento realizado precisa ser remunerado, mas considera que o montante dependerá da capacidade de negociação e pagamento do Figueirense.
Eduardo Médicis, gestor do Fundo Clave Capital, em reunião do conselho deliberativo do Figueirense, em 2023
Segundo Eduardo Mafra, presidente da SAF, entre 70% e 80% da atual dívida da SAF estaria relacionada à operação com Clave/Lift. Há uma cláusula que possibilita a conversão de debêntures do clube com a Clave em ações da SAF, o que tem sido um entrave na assinatura definitiva do contrato de aquisição da PanSports.
A própria credora, conforme informado na coletiva, já teria demonstrado que não pretende realizar novos aportes ou assumir a administração do Figueirense.
— Essa possibilidade, acho impossível de acontecer. Haveria até questões jurídicas a serem analisadas para a Clave assumir, por uma série de cumprimentos. A PanSports, junto com o Figueirense, negocia essa dívida, não necessariamente essa questão acionária.
Orlando Scarpelli como garantia
Orlando Scarpelli - Florianópolis
Dennis Schmitz/NSC TV
O Estádio Orlando Scarpelli foi oferecido como garantia no contrato firmado com a Clave. O imóvel foi cedido por meio de alienação fiduciária, mecanismo pelo qual o patrimônio permanece vinculado à operação até que a dívida seja quitada.
— Essa garantia cai a partir do momento em que se quitar a dívida com a Clave. A gente sabe que circularam números de cerca de R$ 140 milhões, mas não. Foram aportados R$ 27 milhões, e a dívida será o valor que o Figueirense conseguir conciliar — afirmou.
A administração também explicou as dificuldades de fluxo de caixa enfrentadas pelo clube. Atualmente, o Figueirense não tem acesso aos valores arrecadados pelo programa de sócios, pois o dinheiro é direcionado diretamente à Clave.
Torcida do Figueirense na partida contra o Anápolis
Com isso, as receitas disponíveis para o pagamento das despesas correntes estão concentradas principalmente nos contratos de patrocínio e nos valores gerados pela realização das partidas.
Esse cenário fez com que o clube recorresse, nos últimos meses, a empréstimos, inclusive com torcedores, e outras soluções emergenciais para pagar salários e despesas necessárias à continuidade do futebol.
O encaminhamento da recuperação judicial também depende da disponibilidade financeira. Segundo a gestão, o processo está preparado para avançar assim que o Figueirense tiver os recursos necessários para honrar as obrigações iniciais previstas no plano.
A intenção é evitar que a recuperação seja encaminhada sem que o clube tenha condições de cumprir os primeiros pagamentos, com a primeira parcela hoje na casa dos R$ 14 milhões, o que poderia comprometer o andamento do processo.
Garantia envolvendo o CFT do Cambirela
Parte do Centro de Formação e Treinamento do Cambirela foi apresentada como garantia provisória em uma das operações realizadas com a PanSports. Nesta quinta-feira, integrantes da PanSports e da Associação dos Amigos do Figueirense (Asfig), proprietária do terreno, estiveram no local.
CFT do Cambirela, em Palhoça - Imagens: Figueirense Futebol Clube
De acordo com a mesa gestora, mesmo na pior hipótese, caso a garantia seja executada, existe uma cláusula contratual determinando que o CFT mantenha sua finalidade. Dessa forma, o espaço deverá continuar sendo utilizado como centro de treinamento do Figueirense.
Transfer ban depende do cenário esportivo
A retirada do transfer ban, que impede o Figueirense de registrar novos jogadores, também está ligada à situação da equipe na Série C do Campeonato Brasileiro.
A gestão avalia que uma vitória contra a Ferroviária manteria o clube em condições de disputar uma vaga na próxima fase. Esse cenário poderia justificar um novo esforço financeiro para pagar as pendências que originaram a punição e liberar a chegada de reforços.
Até lá, a prioridade permanece na manutenção dos compromissos mais urgentes, principalmente os salários, enquanto a SAF negocia com a PanSports, a Clave e outros investidores uma solução financeira de maior prazo.
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