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El Niño deve se intensificar, alcançar força elevada e alterar temperaturas e chuvas pelo mundo, aponta ONU

Pessoas tiram fotos do primeiro nascer do sol do ano em um parque em Seul, Coreia do Sul, em 1º de janeiro de 2023.

G1 — Brasil · 2026-07-31T16:15:11.000Z

Pessoas tiram fotos do primeiro nascer do sol do ano em um parque em Seul, Coreia do Sul, em 1º de janeiro de 2023.

O El Niño deve continuar se intensificando até alcançar uma força elevada entre agosto e outubro de 2026.

É isso o que aponta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU especializada em clima e meteorologia.

Segundo a organização, temperaturas acima da média são esperadas em grande parte do mundo nos próximos meses.

Já os efeitos sobre as chuvas devem variar de uma região para outra: algumas áreas poderão ter volumes maiores, enquanto outras enfrentarão risco mais elevado de seca.

O fenômeno se desenvolve em um cenário de oceanos excepcionalmente quentes e pode coincidir com a formação de outro padrão climático no Oceano Índico.

Segundo a OMM, essa combinação pode ampliar o risco de secas, enchentes e incêndios florestais em determinadas regiões.

📝 ENTENDA: a intensidade do El Niño é medida principalmente pelo quanto as águas do Pacífico Equatorial ficam acima da temperatura considerada normal. Quanto maior esse aquecimento e mais tempo ele permanece, mais intenso é classificado o fenômeno.

Isso não significa, porém, que todos os lugares terão impactos igualmente fortes. Os efeitos dependem da região, da época do ano e da interação do El Niño com outros padrões dos oceanos e da atmosfera.

Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño.

Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

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Outros oceanos também estão mais quentes

Além do fortalecimento do El Niño, a OMM prevê a formação de um Dipolo Positivo do Oceano Índico.

Esse padrão ocorre quando as águas da parte oeste do oceano ficam mais quentes que o normal, enquanto a região leste apresenta temperaturas abaixo da média.

A atuação conjunta desses dois fenômenos pode ampliar os impactos sobre as chuvas e as temperaturas, principalmente nos países próximos ao Oceano Índico. O Atlântico Tropical também deve permanecer mais quente do que o normal nos próximos meses.

“El Niño é um dos fenômenos climáticos mais acompanhados do mundo. Mas as previsões, por si só, não evitam os perigos; as pessoas evitam”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

Para ela, a identificação antecipada do fortalecimento do fenômeno oferece uma oportunidade para que governos e comunidades se preparem antes da chegada dos impactos.

“Este El Niño, que se desenvolve em um cenário de calor oceânico sem precedentes e aumento das temperaturas, oferece aos governos e às comunidades uma oportunidade para antecipar os riscos e agir antes que os impactos ocorram”, disse Saulo.

Fumaça de um incêndio florestal toma o céu durante o pôr do sol perto de Cotignac, no sul da França, nesta quinta-feira (23), em meio à seca agravada por uma onda de calor e pela falta de água no país.

A organização afirma que está ampliando a coordenação, os serviços de informação climática e os sistemas de aviso antecipado para apoiar governos, agências humanitárias e comunidades mais vulneráveis.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o El Niño deve acrescentar ainda mais calor a um planeta que já enfrenta ondas de calor intensas, incêndios extremos e temperaturas recordes nos oceanos.

“O El Niño não está apenas à nossa porta. Ele já entrou em casa e está aumentando o calor”, declarou.

A OMM prevê divulgar no início de setembro uma atualização mais detalhada sobre o El Niño e a La Niña.

O novo documento deverá trazer uma avaliação mais completa da evolução do fenômeno e de seus possíveis efeitos nos meses seguintes.

🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto

O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.

Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.

Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.

A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

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Condições geradas por El Niño podem facilitar as queimadas e impactar produções agrícolas.

Michael Dantas/AFP via DW

🌧️ Possíveis impactos no Brasil

Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;

redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;

mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;

maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

El Niño e La Niña

Arte g1/Luisa Rivas

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