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Primeiro encontro da Agenda ESG aponta caminhos para enfrentar a crise climática

Especialistas durante o painel “Empresas e Cadeias Globais. Como as empresas devem se preparar?

G1 — Brasil · 2026-07-31T18:46:33.000Z

Especialistas durante o painel “Empresas e Cadeias Globais. Como as empresas devem se preparar?

A primeira edição da Agenda ESG de 2026 reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre a economia, as empresas e a rotina das cidades. Promovido pelo Grupo Tribuna, o encontro foi realizado no dia 29, no auditório da empresa, em Santos.

A programação aproximou conhecimento técnico e aplicação prática, apresentando diferentes perspectivas sobre como governos, organizações e sociedade podem se preparar para eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

Durante o encontro, os participantes destacaram que secas, enchentes, ondas de calor e incêndios já provocam prejuízos à agricultura, à indústria, ao comércio e aos serviços. Além dos impactos ambientais e sociais, esses fenômenos podem elevar custos, pressionar a inflação e comprometer investimentos.

AÇÃO CONJUNTA CONTRA OS IMPACTOS

A abertura contou com a participação do economista Gesner Oliveira, professor da Fundação Getulio Vargas e coordenador do Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais. Em sua apresentação, ele mostrou que as mudanças climáticas já interferem diretamente na economia e na qualidade de vida da população.

O especialista defendeu uma atuação mais proativa e integrada entre poder público, iniciativa privada e sociedade. Entre as alternativas apresentadas estão a ampliação do reúso da água, o fortalecimento da infraestrutura e a utilização de seguros paramétricos, que podem prever indenizações automáticas quando determinados indicadores climáticos são atingidos.

Especialistas durante o painel “Empresas e Cadeias Globais. Como as empresas devem se preparar?

Gesner também ressaltou a importância de um ambiente regulatório estável, com segurança jurídica, previsibilidade e regras claras para estimular investimentos e permitir o desenvolvimento de soluções de mercado.

A participação da sociedade também ganhou destaque com a presença remota da ativista ambiental Mavi Brilhante, de 13 anos. A jovem defendeu a inclusão de crianças e adolescentes nos espaços de discussão e decisão sobre o clima.

Segundo Mavi, muitos jovens conhecem de perto os desafios enfrentados por suas comunidades e podem contribuir com propostas para questões relacionadas à infraestrutura, energia e segurança. Sua participação reforçou a importância de ampliar a presença das novas gerações nas discussões sobre sustentabilidade e desenvolvimento.

RESILIÊNCIA DOS NEGÓCIOS

Na sequência, o painel principal abordou a necessidade de incorporar os riscos climáticos às estratégias das empresas. Gerente corporativa de Sustentabilidade e QSMA da Tegma Gestão Logística, Auiny Spadari destacou que a agenda ESG precisa deixar de ser responsabilidade de um único departamento e passar a orientar toda a gestão da companhia.

Para a executiva, antes de recorrer à compensação de emissões por meio de créditos de carbono, as organizações devem investir em inovação e buscar tecnologias capazes de reduzir os impactos de suas próprias operações.

O diretor da Marsh Corretora de Seguros, André Dabus, chamou atenção para a importância da prevenção. Segundo ele, diante de um cenário de eventos extremos, não basta recuperar estruturas afetadas: é necessário reconstruí-las de maneira mais segura e resiliente.

A comunicação também foi apontada como parte fundamental desse processo. O jornalista Matthew Shirts destacou a necessidade de transformar informações técnicas em mensagens compreensíveis, contribuindo para a criação de uma cultura de conscientização e prevenção climática.

A programação mostrou que não existe uma solução única para todas as organizações. Cada empresa precisa conhecer suas vulnerabilidades, avaliar os riscos aos quais suas estruturas e operações estão expostas e identificar os investimentos mais adequados para sua realidade.

Ao reunir representantes dos setores de sustentabilidade, seguros, comunicação e direito, a Agenda ESG reforçou que enfrentar os impactos das mudanças climáticas exige planejamento, inovação e cooperação. Mais do que reconhecer os riscos, empresas, governos e sociedade precisam transformar o debate em ações concretas.

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