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Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo com os poderes públicos
G1 — Brasil · 2026-07-31T20:11:02.000Z
Indústria de Piracicaba busca competitividade e diálogo com os poderes públicos
Ao completar 259 anos, Piracicaba tem na indústria um dos principais motores de sua economia. O setor metalmecânico, formado por empresas de diferentes portes e segmentos, enfrenta desafios que vão do aumento da concorrência internacional às dificuldades de acesso a crédito, qualificação profissional e infraestrutura. Para o presidente do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, superar esse cenário exige uma atuação coordenada entre o setor produtivo e os poderes constituídos, em especial Executivo e Legislativo em suas várias esferas.
Um dos problemas mais urgentes é o impacto do tarifaço de 37,5% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no final de julho. Para empresas da região que exportam máquinas, equipamentos e componentes, a medida representa perda de competitividade e risco de redução de negócios. Na avaliação de Camargo, o governo federal deve ampliar a diplomacia comercial e buscar negociações que reduzam as tarifas, além de criar mecanismos de apoio às empresas afetadas. O Congresso Nacional, por sua vez, pode contribuir com medidas que estimulem as exportações e fortaleçam a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.
Outro desafio é o chamado custo Brasil, que reduz a capacidade de investimento das empresas e dificulta a concorrência com outros países. Nesse campo, a indústria espera avanços na regulamentação da reforma tributária, simplificação de processos e maior segurança jurídica. Para o presidente do Simespi, o Legislativo federal tem papel importante na construção de um ambiente mais favorável à produção e aos investimentos, enquanto o Executivo deve garantir que as mudanças resultem, de fato, em redução da burocracia e maior eficiência para as empresas.
Apesar dos desafios, Camargo avalia que Piracicaba reúne condições para ampliar sua participação industrial
Crédito: Divulgação Igor Mello
A infraestrutura também é apontada como fator decisivo para a competitividade regional. Custos logísticos elevados e a necessidade de melhorias na integração entre rodovias, ferrovias e outros modais impactam diretamente a indústria.
“Por isso, a expectativa é de que os governos federal e estadual ampliem os investimentos em infraestrutura e logística, criando melhores condições para o escoamento da produção e para a atração de novos investimentos para Piracicaba e região”, destaca.
A qualificação profissional é outro ponto de atenção. A rápida transformação tecnológica da indústria aumenta a demanda por profissionais preparados para novas funções e processos produtivos. Nesse aspecto, Camargo defende uma aproximação ainda maior entre empresas, escolas técnicas, universidades e instituições como o Senai, com apoio do governo estadual, para ampliar a oferta de cursos alinhados às necessidades reais do mercado de trabalho.
Para Camargo, esses temas precisam estar presentes na agenda dos governos e dos parlamentares, especialmente diante das eleições deste ano, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores e deputados estaduais e federais.
“O setor produtivo precisa ser ouvido na formulação das políticas públicas. Temos desafios concretos e precisamos de respostas objetivas. O governo federal pode atuar na política comercial, tributária e de crédito; o governo estadual, na infraestrutura e na qualificação profissional; e os Legislativos, na construção de um ambiente regulatório mais simples e seguro”, afirma.
O presidente do Simespi ressalta que a entidade mantém canais de diálogo com as diferentes esferas do poder público justamente para apresentar essas demandas e buscar soluções. A estratégia, segundo ele, é manter uma atuação institucional permanente, independentemente de posições partidárias.
“Nosso compromisso é defender os interesses da indústria e contribuir para o desenvolvimento de Piracicaba e da região. Precisamos manter diálogo com todos os setores do poder público e trabalhar para que as decisões tomadas em Brasília e São Paulo considerem também a realidade de quem produz, investe e gera empregos no interior”, destaca.
Apesar dos desafios, Paulo avalia que Piracicaba reúne condições para ampliar sua participação industrial. A presença de empresas consolidadas, uma cadeia metalmecânica diversificada e a capacidade de inovação são ativos importantes. Para transformar esse potencial em novos investimentos e empregos, porém, será necessário avançar em competitividade, infraestrutura, qualificação e abertura de mercados.
“Aos 259 anos, Piracicaba segue com o desafio de fortalecer sua economia e preparar a indústria para um cenário cada vez mais competitivo. Para o Simespi, a construção desse futuro passa pela união de esforços entre empresas, entidades representativas e poder público”, conclui o dirigente.