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Senadora Tereza Cristina (PP-MS).
G1 — Política · 2026-07-31T19:59:27.000Z
Senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Carlos Moura/Agência Senado
As articulações para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ocupe a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) se dão em um cenário marcado por resistências partidárias e divisões internas na direita. Nesta sexta-feira (31), após uma negativa pública do PP, Flávio disse respeitar a resposta, mas afirmou: "Sou brasileiro, não desisto nunca."
Flávio Bolsonaro chegou a se referir à ex-ministra como o "sonho de consumo" dele para a composição da chapa. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, vem sendo um dos principais articuladores para levar Tereza Cristina para o lado de Flávio. Entre empresários, especialmente aqueles ligados ao agronegócio, há pressão pelo ingresso da senadora na campanha presidencial.
O PP, no entanto, comandado por Ciro Nogueira, resiste à aliança com o PL de Flávio Bolsonaro e deu uma resposta formal sobre as negociações nesta sexta-feira (31) ao emitir nota em que diz que se manterá neutro nas eleições presidenciais.
Parte de uma federação com o União Brasil, o PP depende da concordância do União para tomar a decisão de aderir à candidatura de Flávio. Nos dois partidos, um empecilho é a dificuldade de conciliar uma eventual disposição do comando nacional com os interesses dos diretórios estaduais.
Os dirigentes nacionais da federação indicaram que preferem liberar os estados para que eles fechem alianças de acordo com os contextos locais.
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Do lado do PP pesa ainda a mágoa de Ciro Nogueira com Flávio Bolsonaro. Ciro é alvo do caso Master e, desde que o aliado passou a ser alvejado pelas investigações da Polícia Federal, Flávio demarcou distância do presidente do PP. Ciro foi ministro de Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser cogitado por Flávio como possível vice.
O presidenciável também é citado no caso Master. Flávio foi flagrado pedindo dinheiro ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já Ciro é suspeito de ter recebido recursos e presentes de Vorcaro para facilitar os negócios do Master por meio de sua atuação como senador.
O que pensa Tereza Cristina
Senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina reúne requisitos que poderiam fortalecer a campanha de Flávio. Tem boa entrada entre empresários, experiência no Executivo e é mulher. Esse último item conta porque, segundo pesquisas de intenção de voto, Flávio está em desvantagem entre o eleitorado feminino.
Uma aliança com o PP adicionaria ainda à campanha de Flávio Bolsonaro dinheiro do fundo eleitoral e tempo de TV.
Desde que surgiram as primeiras notícias sobre a possibilidade de Tereza na vice de Flávio, a senadora deixou claro que a prioridade dela era seguir o mandato no Congresso e buscar a presidência do Senado em 2027.
No dia 27 de julho, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Tereza Cristina teria negado o convite após uma conversa entre os dois. No dia 30, Flávio reuniu-se com Tereza.
Nesta sexta (31), o presidenciável disse que a senadora teria aceitado o convite, mas que dependia da decisão do PP. Minutos depois, o PP emitiu uma nota em que disse que ficaria neutro nas eleições presidenciais.
📆 Pela lei eleitoral, os partidos políticos têm até 5 de agosto para fazer convenções, eventos em que decidem se terão candidatos para os cargos em disputa, se apoiarão algum candidato de outro partido ou se ficarão neutros. Depois disso, eles têm até 15 de agosto para registrar na Justiça Eleitoral as chapas que disputarão as eleições.
Flávio Bolsonaro (de pé), entre Ricardo Nunes (esq) e Tarcísio de Freitas (dir), participa de evento com vereadores em São Paulo nesta sexta-feira, 31 de julho
Confira a cronologia da negociação por Tereza Cristina na vice de Flávio Bolsonaro
11 de fevereiro de 2026: Tereza Cristina afirma que ainda é "muito cedo" para discutir a composição de uma chapa e que a escolha do vice costuma ser a última definição de uma campanha;
6 de abril de 2026: Surge o relato de uma divisão interna na direita; enquanto o Centrão e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sugerem o nome de Tereza Cristina, o "núcleo duro" bolsonarista resiste e prefere Romeu Zema (Novo);
9 de abril de 2026: Durante a Expogrande, Flávio Bolsonaro declara publicamente que a senadora é seu "sonho de consumo" para a vice-presidência;
28 de abril de 2026: Em entrevista, Tereza classifica a possibilidade como "pura especulação" e afirma que seu foco político para 2027 é disputar a presidência do Senado;
21 de julho de 2026: Tereza Cristina se reúne com Valdemar Costa Neto e nega formalmente o convite para ser vice, reforçando sua intenção de presidir o Senado para não inviabilizar esse projeto futuro;
22 de julho de 2026: O presidente do PP, Ciro Nogueira, comunica a Flávio Bolsonaro que a tendência da federação PP-União Brasil é manter a neutralidade no primeiro turno para priorizar as bancadas no Congresso e alianças estaduais;
29 de julho de 2026: Flávio e Tereza Cristina se reúnem em Brasília e falam sobre a possibilidade de a senadora integrar a chapa presidencial;
30 de julho de 2026: Pela primeira vez, a senadora reconhece publicamente que discutiu a composição para a vice-presidência com o pré-candidato do PL, embora ressalte que não há definições;
31 de julho de 2026: Flávio Bolsonaro declara a jornalistas em São Paulo que fez o convite e que Tereza Cristina aceitou, mas pondera que a confirmação depende de o partido dela avançar nas conversas. Pouco depois da fala de Flávio, o PP divulga nota dizendo que manterá a neutralidade na disputa presidencial. O presidenciável diz que respeita a decisão, mas que é brasileiro e não desiste nunca.