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'Infestação' de cobras assusta moradores de comunidade do Recife há quatro meses; VÍDEO

Infestação de cobras assusta moradores de comunidade do Recife

G1 — Brasil · 2026-08-01T05:00:08.000Z

Infestação de cobras assusta moradores de comunidade do Recife

Uma "infestação" de cobras, principalmente da espécie jiboia, tem assustado moradores da Vila do Papel, comunidade localizada no bairro da Ilha Joana Bezerra, na área central do Recife. À TV Globo, eles contaram que os animais começaram a aparecer há quatro meses e chegaram a colocar roupas entre brechas das telhas para evitar que os bichos entrem em casa (veja vídeo acima).

Segundo os relatos, o foco do problema é um terreno particular abandonado, com vegetação alta e acúmulo de lixo, junto das casas "visitadas" pelas serpentes. Embora não seja venenosa, a jiboia, considerada uma das maiores espécies do mundo, pode alcançar até 4 metros de comprimento.

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O gestor público Adelson Pereira disse que tentou acionar os órgãos responsáveis para resolver a situação, mas não teve retorno. De acordo com ele, o proprietário do terreno baldio ainda não tomou providências para limpar a área. Procurada, a prefeitura informou que vai notificar o dono para fazer a manutenção. Já a PM dis (veja resposta abaixo).

"Tentei entrar em contato com a Cipoma e com outros órgãos e a gente não teve nenhuma resposta. [..] É um terreno particular e até agora o dono não se posicionou", afirmou.

O pedreiro Magellt Ferreira de Lima e a autônoma Niedja Ferreira Ramos perderam uma inquilina da casa que alugam por causa do aparecimento das cobras. Ela contou que a família morava no imóvel havia 18 anos, mas decidiu se mudar após ver serpentes.

"Era ela [a inquilina], o esposo e as duas filhas. Ela estava morrendo de medo, porque já apareceram três cobras na casa dela, inclusive uma em cima da cama, por debaixo do lençol, enquanto ela dormia. Ela estava com muito medo. Ninguém estava conseguindo dormir tranquilo. Aí ela optou por sair para ter sossego, porque quem aguenta?", disse.

Segundo Niedja, os próprios moradores também vivem com medo de entrar em casa e encontrar uma cobra escondida. A insegurança aumentou porque muitos não conseguem identificar se os animais são peçonhentos ou não.

"Eu moro aqui embaixo e eu também estou morrendo de medo. Entro em casa olhando tudo com medo de puxar alguma coisa e ela estar lá para dar o bote. Porque realmente a gente pode não saber se tem veneno ou não, porque a gente não conhece. Então, a gente fica muito assustado com essa situação toda, tudo por conta desse terreno que ninguém aparece para vir fazer uma limpeza", afirmou.

Moradores da Vila do Papel, no Recife, colocam roupas entre telhas para evitar entrada de cobras

Dormindo no terraço

Uma das moradoras da comunidade, conhecida como Dona Rosinha, passou a dormir no terraço da própria casa por medo de encontrar cobras dentro do imóvel. Ela disse que já se deparou com uma serpente em cima da cama e que, desde então, vive em estado de alerta.

"Eu morro de medo de cobra. Quando eu deito aqui [no terraço], eu ainda boto a mão no interruptor e levanto umas três ou quatro vezes para olhar se tem alguma cobra. Quando eu levanto para ir ao banheiro, eu vou pelo canto, vou olhando para o chão, para a parede, para o telhado", relatou.

Rosinha também lembrou que viu, recentemente, uma cobra cair do telhado dentro da cozinha.

"No domingo, quando eu entrei [em casa], a cobra estava descendo pela parede e caiu lá de cima do telhado para o meu balcão na cozinha. E meu balcão é escuro. Já pensou se eu estivesse na cozinha, se eu tivesse com a mão em cima dele? Eu choro sozinha aqui, só Deus sabe o que é que eu estou passando", contou.

Terreno com vegetação alta em Vila do Papel, no Recife

Segundo o biólogo especialista em serpentes Filipe Marcel, as jiboias conseguem se adaptar ao ambiente urbano porque encontram alimento e abrigo com facilidade. O acúmulo de lixo atrai roedores, principal fonte de alimentação desses animais, enquanto a vegetação alta oferece condições favoráveis para que permaneçam na área.

"Esse terreno está com uma vegetação muito alta. A gente tem alguns problemas, como o descarte irregular de lixo, que acaba atraindo roedores para a área. Esses roedores são um alimento principal dessa serpente e acabam atraindo ela para o local. Fora isso, a gente tem a questão do abrigo. É um local de vegetação que não tem muito abrigo, não é uma área de mata, então elas acabam procurando abrigo dentro das casas dos moradores", disse.

O especialista orientou que a população não tente capturar ou manusear serpentes encontradas nas residências, já que pessoas sem treinamento podem confundir espécies peçonhentas ou não. A recomendação é isolar o local e acionar os órgãos responsáveis pelo resgate.

"O ideal seria isolar a área e nunca manejar o animal. Se você não tem conhecimento, pode estar manejando um animal peçonhento achando que é um animal inofensivo. A indicação é ligar para os órgãos ambientais, como a Cipoma, para que eles façam o manejo e o realocação desses animais para o local adequado", informou.

O que dizem a prefeitura e a PM

Procurada, a Secretaria Executiva de Controle Urbano e Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informou que vai notificar o proprietário do terreno para que a limpeza da área seja realizada e assim facilitar o manejo dos animais silvestres, cujo controle é realizado por órgãos como Ibama, Bombeiros ou Cipoma.

Já a Polícia Militar, por meio da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipoma), disse que resgatou quatro cobras na localidade. Segundo a corporação, as ocorrências envolvendo animais silvestres são atendidas após acionamento do Centro de Operações da PM (Copom).

Na ocorrência registrada nesta semana, uma equipe do batalhão foi deslocada ao local e realizou o resgato de quatro serpentes da espécie Jiboia. Os animais já haviam sido contidos por moradores em um balde plástico, o que possibilitou uma atuação segura da equipe especializada.

A Cipoma também informou que:

registros envolvendo animais silvestres na área central do Recife são considerados pouco frequentes, especialmente os relacionados a serpentes;

os atendimentos seguem protocolo operacional padrão, com deslocamento das equipes conforme a prioridade e a demanda das ocorrências registradas;

ao encontrar um animal silvestre, a orientação é não tentar capturá-lo nem se aproximar dele;

em casos de invasão de residências ou áreas comuns, a população deve acionar os órgãos competentes, como brigadas ambientais municipais, Corpo de Bombeiros Militar ou o Batalhão de Policiamento Ambiental da PMPE, para que a contenção e o resgate sejam feitos por profissionais capacitados.

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