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Viracopos capacita 75 profissionais para combater tráfico de pessoas e exploração sexual
G1 — Brasil · 2026-08-01T06:00:13.000Z
Viracopos capacita 75 profissionais para combater tráfico de pessoas e exploração sexual
Os funcionários do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), têm passado por uma capacitação para identificar vítimas de tráfico e exploração sexual. O treinamento aborda temas como quebra de estereótipos e reconhecimento de problemas documentos.
Cerca de 2,5 mil trabalhadores já participaram das atividades. O g1 acompanhou uma delas na tarde desta sexta-feira (31), que contou com as presenças de 75 profissionais que atuam no atendimento do aeroporto.
🔍 A capacitação faz parte de uma parceria com a Childhood Brasil, braço nacional da World Childhood Foundation, organização sem fins lucrativos criada pela rainha Silvia, da Suécia.
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✍🏿 O treinamento dura duas horas e segue as normativas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). É realizado sob a ótica dos direitos humanos e com o objetivo de acolher as vítimas.
A principal orientação dada aos trabalhadores é prestar atenção às chamadas red flags — "bandeiras vermelhas", em inglês —, que podem incluir comportamentos atípicos, problemas com documentos e inconsistências nas rotas ou nos motivos apresentados para a viagem.
“Não existe um perfil de uma vítima. A gente tem de olhar para um caso concreto e identificar ali comportamentos. E, a partir desses comportamentos, identificar que ali pode estar ocorrendo uma situação de exploração”, afirmou a consultora da Childhood Graziella Rocha, que ministra o curso.
Quebra de estereótipos
Renata observa pessoas que passam por Viracopos; ela participou da capacitação
Durante o treinamento, os funcionários foram orientados a não basear a identificação de possíveis vítimas em características físicas, roupas, idade, nacionalidade ou qualquer outro estereótipo. A análise deve considerar o contexto de cada situação e possíveis sinais de vulnerabilidade.
A capacitação aborda o tráfico de pessoas como um crime complexo, que pode ocorrer em diferentes contextos e ter diversas finalidades. Entre as situações apresentadas aos profissionais estão:
A exploração sexual de adultos, crianças e adolescentes;
O trabalho análogo à escravidão, inclusive em atividades domésticas e rurais;
A adoção ilegal;
Situações de migração internacional ou interna associadas à servidão.
A coordenadora de segurança de Viracopos, Renata Almeida, participou da capacitação e explicou que as atividades ajudam a observar padrões que possam indicar que uma pessoa está em risco.
"A nossa equipe está ali, pronta para identificar qualquer situação com suspeita dentro do aeroporto e para que nós possamos, de uma forma muito preventiva e célere, tomar todas as ações necessárias para evitar que venha a acontecer algo que possa colocar em risco alguém que passe pelo aeroporto", disse.
Exploração sexual de crianças e adolescentes
74% das vítimas de exploração sexual de crianças e adolescentes na PB são do sexo feminino, diz MPT
Banco de imagens
Os funcionários foram orientados a como reconhecer situações de exploração sexual de crianças e adolescentes. A exploração sexual de crianças e adolescentes é considerada uma das piores formas de trabalho infantil pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), conforme a Convenção 182.
Segundo Graziella, esse crime ocorre quando há pagamento ou algum tipo de benefício em troca de interação sexual com menores de idade e pode ser intermediada por redes criminosas.
No Brasil, houve um aumento de 325% nos casos de exploração sexual identificados pela OIT.
Tráfico e contrabando
Os funcionários também aprenderam a diferenciar tráfico de pessoas e contrabando de migrantes. No contrabando, o objetivo principal é facilitar a entrada ou a travessia irregular de uma pessoa mediante pagamento.
Já no tráfico, o elemento central é a exploração da vítima, que pode ocorrer para fins sexuais, de trabalho, servidão, adoção ilegal ou remoção de órgãos.
Apesar das diferenças, os dois crimes podem utilizar as mesmas rotas e envolver violência, fraude, endividamento e situações de risco.
Segundo a OIT, 38% das vítimas de tráfico são crianças e adolescentes, 60% das meninas traficadas são exploradas sexualmente e 61% dos casos são facilitados por familiares. Além disso, 80% das vítimas de tráfico passam por pontos oficiais de fronteira, como aeroportos e postos terrestres.
Funcionários de Viracopos passam por capacitação para identificar vítimas de tráfico
A capacitação também abordou situações de proteção internacional. Os funcionários foram ensinados de que a busca por refúgio não é crime e que pessoas ameaçadas por perseguição ou conflitos têm direito à proteção.
Eles inclusive foram convidados a relembrar um episódio recente, quando um avião com 118 imigrantes do Haiti ficou retido por dez horas no aeroporto de Campinas.
Rede de proteção
O conhecimento adquirido pelos funcionários faz parte de uma estratégia para criar uma rede de proteção e encaminhamento de possíveis vítimas dentro do aeroporto.
A orientação é que os profissionais não façam uma investigação por conta própria, mas reconheçam possíveis sinais de exploração, acolham as vítimas e acionem o fluxo interno estabelecido pelo aeroporto para que o caso seja encaminhado aos responsáveis.
“Eles são pioneiros no Brasil no desenvolvimento de um fluxo interno de atenção às vítimas. Todo mundo que trabalha aqui no aeroporto é acionado dentro desse fluxo, e ele é interno para que toda essa estrutura seja feita para proteger uma possível vítima, quando identificada”, afirmou Graziella.
Imagem de arquivo da fachada do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.
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