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Três anos após o crime, Carlinhos Bezerra é condenado a 36 anos por matar ex-companheira e o namorado dela em Cuiabá

Tribunal do júri condena Carlinhos Bezerra

G1 — Brasil · 2026-08-01T11:22:26.000Z

Tribunal do júri condena Carlinhos Bezerra

O Tribunal do Júri condenou Carlos Alberto Gomes Bezerra, nesta sexta-feira (31), à pena de 36 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato da ex-companheira, Thays Machado, e do namorado dela, Willian César Moreno. O julgamento foi realizado no Fórum de Cuiabá e terminou mais de três anos após o crime, ocorrido em janeiro de 2023.

Durante o julgamento, os jurados reconheceram reconheceu a prática de homicídio qualificado contra Thays Machado por motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Em relação a Willian César Moreno, o réu foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Bezerra foi levado a julgamento após a Justiça negar uma série de pedidos da defesa para adiar a sessão. O júri havia sido interrompido anteriormente para que os advogados tivessem mais tempo para analisar o processo, mas um novo pedido de adiamento também foi rejeitado.

A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, havia mantido a prisão preventiva do réu e negado o pedido para deixar o caso por suposta falta de imparcialidade. Ela ainda determinou que a Defensoria Pública atuasse apenas em caso de ausência ou abandono da defesa particular durante a sessão.

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Após cerca de 13 horas de julgamento, Carlinhos Bezerra foi condenado a 36 anos de prisão. A juíza Mônica Siqueira negou ao réu o direito de recorrer em liberdade e determinou a manutenção da prisão para o início imediato do cumprimento da pena.

Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra, é réu confesso e está preso pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Thays foi vítima de feminicídio cometido por motivo torpe, relacionado ao fim do relacionamento, enquanto Willian foi morto com qualificadoras como motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

De acordo com a acusação, os disparos ocorreram em plena luz do dia, em uma região urbana movimentada, com uso de uma pistola semiautomática. O MPMT aponta ainda que o crime ocorreu em um contexto de violência doméstica e de gênero, com abuso da relação de ex-companheiro e da superioridade física do acusado.

A defesa de Carlos Alberto tentou adiar o julgamento do Tribunal do Júri e pediu a realização de um incidente de insanidade mental, alegando que havia indícios de transtornos psiquiátricos e que não teve acesso a todos os documentos do processo em tempo hábil. A Justiça, porém, negou o adiamento.

O julgamento chegou a ser suspenso após os advogados deixarem o plenário alegando falta de acesso a informações e quebra da cadeia de custódia de provas. A sessão foi remarcada e a defesa voltou a insistir na avaliação psiquiátrica do réu. Segundo o psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro, a principal hipótese identificada em avaliação foi de transtorno delirante persistente relacionado ao ciúme, conhecido como “ciúme mórbido”.

O suspeito do crime, Carlos Alberto Gomes Bezerra, de 57 anos, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), era ex-namorado e conseguiu na Justiça o direito à prisão domiciliar em novembro de 2023

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