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Espanha escolta imigrantes para fora de Ceuta e instala barreira no mar para evitar chegad
G1 — Brasil · 2026-08-01T15:09:06.000Z
Espanha escolta imigrantes para fora de Ceuta e instala barreira no mar para evitar chegad
A Espanha anunciou neste sábado (1º) o retorno a uma "normalidade razoável" em Ceuta, depois que quase 60 mil pessoas entraram no enclave espanhol no norte da África, na fronteira com o Marrocos, ao mesmo tempo em que pediu uma reunião urgente sobre migração, solicitação à qual aderiram os países que mais criticam Madri.
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A cidade autônoma amanheceu neste sábado com grupos de jovens que continuavam atravessando a fronteira em direção ao Marrocos, sob os olhares atentos de militares e agentes da Guarda Civil.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que "quase todos" os migrantes que entraram em Ceuta na quinta-feira (30) já saíram do país. Mas ele admitiu que é difícil estabelecer números exatos.
"Invasão? Não. Isso é mentira", contou em espanhol à AFP Soufian, um marroquino de 42 anos que entrou a nado em Ceuta.
"Todas as pessoas querem subir, querem um futuro bom, que não existe no Marrocos. Eu, agora mesmo, estava trabalhando como segurança, 12 horas. E quanto recebo de pagamento por dia? Dez euros", acrescentou.
chegou também neste sábado a Ceuta para transmitir uma mensagem de tranquilidade e afirmou que, embora não se considere a crise encerrada, a situação em Ceuta é de "razoável normalidade".
Por sua vez, o presidente da cidade, Juan Vivas, negou uma situação de "normalidade" e afirmou que Ceuta ainda tem "milhares de pessoas que precisam ser repatriadas".
A cidade autônoma, de 84 mil habitantes, viveu uma das piores crises migratórias de sua história com a chegada de dezenas de milhares de pessoas, a maioria homens jovens e adolescentes.
Pelo menos 67 pessoas morreram na tentativa de chegar ao enclave, segundo um balanço atualizado pelo governo espanhol.
Neste sábado, os cafés estavam cheios novamente e a cidade tinha muito trânsito, assim como filas nos supermercados.
"As prateleiras estão vazias", disse à AFP María José Benítez, dona de casa. Ao seu lado, Irene Cuadro, que trabalha como auxiliar de cozinha, afirmou que ainda há "bastante barulho e, na verdade, não há tranquilidade".
Neste sábado teve início a instalação de uma nova barreira com boias, que se estende pelo mar ao lado da área de concreto que delimita a fronteira, uma das duas fronteiras terrestres entre a África e a União Europeia (a outra é a de Melilla, outra cidade autônoma espanhola no norte da África).
"Todos sabemos que na África não há muitas oportunidades. Então, esperamos seguir para a Europa para poder trabalhar e ganhar a vida. É apenas isso", disse à AFP Souleil Boyan, um migrante senegalês de 19 anos que chegou a Ceuta na quinta-feira e afirmou que estava no Marrocos há cinco meses.
A chegada de milhares de pessoas provocou uma crise diplomática entre a Espanha e alguns aliados europeus, começando pela Itália. O governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez é acusado de ser muito permissivo no tema imigração.
Sánchez reagiu neste sábado e pediu uma reunião urgente dos ministros do Interior da União Europeia.
Em uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ele lamentou "preconceitos, notícias falsas, ignorância ou interesses políticos" e denunciou uma reação "egoísta, polarizadora e ilegal".
Algumas horas depois, 22 líderes europeus aderiram ao pedido de uma reunião urgente, entre eles a italiana Giorgia Meloni e o alemão Friedrich Merz.
"Não podemos permitir que travessias em massa e descontroladas (...) deem a impressão de que é possível entrar ilegalmente na União Europeia", afirmaram em uma carta aberta, que pede "uma resposta europeia imediata e coordenada".
A Itália já havia anunciado na sexta-feira a "suspensão" com a Espanha do tratado de livre circulação da UE (o acordo Schengen).
Na prática, isto significa apenas controles de cidadãos não europeus que chegam da Espanha, e não dos espanhóis que viajam para a Itália.
Neste contexto, Marlaska afirmou que "alguns têm memória muito curta" e lembrou a crise de 2023 em Lampedusa, quando em apenas dois dias milhares de migrantes chegaram à ilha italiana.