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Funk das antigas: Pioneiro, DJ Nonô ajuda a manter viva a tradição dos bailes há 40 anos em Juiz de Fora

DJ Nonô é referência em bailes funk em Juiz de Fora há mais de 40 anos

G1 — Brasil · 2026-08-02T17:43:49.000Z

DJ Nonô é referência em bailes funk em Juiz de Fora há mais de 40 anos

Há mais de 40 anos, DJ Nonô acompanha e ajuda a construir a história do funk em Juiz de Fora. Presente desde os primeiros bailes da cidade, ele se tornou um dos principais nomes da cena local e viu o gênero se consolidar como parte da cultura urbana.

O funk, que surgiu nas favelas brasileiras na década de 1970, influenciado pelo soul e pela disco music, se firmou como uma expressão das vivências, resistências e desafios da juventude periférica. Em Juiz de Fora, essa trajetória também passa pela história de Nonô.

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A relação dele com os bailes começou ainda jovem, quando passou a auxiliar equipes de som. Com o tempo, ganhou espaço para assumir as pick-ups e tocar suas primeiras músicas diante do público.

"Me deram a oportunidade de colocar um disco. Eu ficava com medo, porque era muito diferente do que é hoje. Não tinha a tecnologia atual. O DJ precisava colocar o disco e acompanhar tudo com atenção. Foi assim que comecei".

Na década de 1990, DJ Nonô esteve entre os idealizadores do projeto "O Funk em Juiz de Fora". A iniciativa resultou no lançamento de cinco discos e ajudou a revelar artistas da cidade, além de promover caravanas para apresentações em diferentes regiões do país.

Segundo ele, os bailes da época reuniam públicos diversos e refletiam as transformações musicais vividas pela cidade.

"Era um funk diferente, mais ligado ao soul, com influências de artistas como James Brown e de bandas que marcaram aquela época. As equipes de som tocavam estilos variados e, em determinado momento, houve uma mistura entre diferentes públicos. O asfalto e o morro se juntaram".

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Cultura periférica e resistência

Além da atuação nos bailes, Nonô participou da criação de uma rádio comunitária voltada para a valorização da cultura periférica e do movimento hip-hop, ao lado da irmã, Adenilde Petrina - que morreu em outubro do ano passado.

Para ele, a história do funk também é marcada pelo preconceito enfrentado por artistas e frequentadores dos bailes ao longo dos anos.

"O preconceito contra o funk já existia contra quem era da periferia, principalmente contra a população negra. Os bailes representavam muito isso. Na época, as pessoas questionavam por que havia tantos negros reunidos naquele espaço".

Segundo o DJ, diversos clubes da cidade eram frequentados majoritariamente por moradores das regiões periféricas, tornando-se importantes pontos de encontro e convivência.

Ao lado da irmã Adenilde Petrina, Nonô participa também de movimentos culturais na periferia

Movimento segue vivo na cidade

Atualmente, o Clube Olímpico é um dos principais espaços de encontro da cultura funk em Juiz de Fora. O local reúne diferentes gerações em torno de uma manifestação cultural que vai além da música e está ligada à identidade e ao sentimento de pertencimento de milhares de pessoas.

Outros espaços da cidade também recebem eventos do gênero. Entre eles está o trabalho realizado pelo grupo Divulga Som, que promove encontros entre equipes de som e mantém viva a tradição dos bailes.

Divulga Som promove encontros entre equipes de som e mantém viva a tradição dos bailes em Juiz de Fora

Letícia Damasceno/TV Integração

"Estamos buscando espaços para continuar realizando nossos eventos. Tem baile no Olímpico, encontros na Zona Norte e festas em vários lugares da cidade. Onde a gente pode estar, levamos nosso trabalho para apoiar as comunidades e os fãs", explicou Erika Pieres, uma das integrantes do grupo.

"É importante continuar lutando e fazendo o que a gente acredita. O que fazemos hoje amanhã será passado, e novas gerações vão surgir. Por isso é fundamental manter essa história viva", concluiu DJ Nonô.

*Estagiária sob supervisão de Juliana Netto

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