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Bagre Fagundes, um dos principais representantes da cultura tradicionalista gaúcha, morre aos 86 anos

Bagre Fagundes recebeu o Troféu Origens em 2019, no Galpão Crioulo

G1 — Brasil · 2026-08-03T00:09:39.000Z

Bagre Fagundes recebeu o Troféu Origens em 2019, no Galpão Crioulo

Morreu neste domingo (2) o tradicionalista Bagre Fagundes, um dos principais representantes da cultura tradicionalista do Rio Grande do Sul, aos 86 anos. Dono de uma trajetória marcada pela música, humor e valorização das raízes gaúchas, deixa um legado que atravessa gerações e permanece vivo na identidade cultural do estado.

Euclides Fagundes Filho nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939. Ele ganhou o apelido "Bagre" na adolescência e o adotou por toda a vida.

Ao longo da carreira, Bagre Fagundes construiu uma trajetória diversificada. Além de músico, foi advogado formado pela Universidade de Cruz Alta, vereador em Alegrete, jogador e árbitro de futebol. Também presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) e atuou como colunista do jornal Diário Gaúcho.

A música, no entanto, foi sua maior vocação. Ao lado do irmão Nico Fagundes, compôs "Canto Alegretense", uma das canções mais emblemáticas do estado. A composição se tornou um símbolo do orgulho regional e projetou o nome do artista para além das fronteiras gaúchas.

Tradicionalista Bagre Fagundes

Robinson Estrásulas/ Agencia RBS

O artista mantinha uma rotina ativa e seguia na estrada. Ele se apresentava ao lado dos filhos Ernesto, Neto e Paulinho, com quem formava o grupo Os Fagundes, transformando o palco em um espaço de convivência familiar e cultural.

Conhecido pelo bom humor, Bagre costumava falar sobre a própria trajetória com ironia. Ao completar 80 anos, disse que ainda não havia alcançado seu objetivo: "o de não fazer nada". A frase, repetida em entrevistas, sintetizava a forma leve com que encarava a vida e o trabalho.

O reconhecimento veio em vida. Em 2019, o músico recebeu uma homenagem da RBS TV com um programa especial pelos seus 80 anos. Na ocasião, ele foi agraciado com o Troféu Origens, concedido a destaques da cultura regional, em um momento de emoção e celebração.

Bagre Fagundes era casado com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos. A perda, significativa para o tradicionalismo, ressalta o legado que permanece nas canções, nos palcos e na continuidade de sua obra por meio da família e dos admiradores que mantêm viva a tradição gaúcha.

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