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César, ex-Flamengo, não descarta volta ao Brasil após cinco anos fora; veja entrevista

À espera de um menino, César não descarta a volta ao Brasil

ge — Futebol · 2026-08-03T04:00:14.000Z

À espera de um menino, César não descarta a volta ao Brasil

Goleiro campeão de Libertadores pelo Flamengo com direito a participação no jogo decisivo da primeira fase, contra o Peñarol, César vive nova fase na carreira. Está em sua quinta temporada consecutiva fora do país e atualmente defende o Deportes Concepción, no Chile. Depois de adquirir experiência no futebol europeu com a camisa do português Boavista, o atleta de 34 anos, em reta final de contrato com a equipe chilena, projeta novos desafios na carreira, e um retorno ao Brasil está em seu radar.

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César é goleiro do Deportes Concepción, do Chile

- O retorno ao Brasil sempre vai ser uma possibilidade, desde que eu saí o Brasil sempre está no meu coração. Obviamente é sempre um mercado que é muito interessante, e eu sempre projeto um retorno ao Brasil. Em algum momento isso vai acontecer, eu nunca fecho a porta, pelo contrário. Na verdade tenho conversado com amigos também daí que pode ser possibilidade. Espero que tenham portas abertas também em um cenário bacana por aí no Brasil.

César projeta volta ao Brasil para lutar por grandes coisas e lembra Libertadores

Como deixou boa impressão nas três temporadas em que defendeu o Boavista, a Europa também é um destino possível, já que volta e meia recebe sondagens não só de Portugal, mas de países vizinhos. Ao seu favor há o fato de ter desenvolvido o jogo com os pés e o olhar tático durante os anos no Velho Continente. E o Chile ainda lhe trouxe outro trunfo: o espanhol, língua que aprendeu rapidamente durante esses oito meses de Deportes Concepción.

César: "O Flamengo vai me acompanhar para o resto da minha vida"

- Não descarto também um retorno à Europa, porque graças a Deus também de certa forma fizemos um bom trabalho, tem lembrança ali, então vira e mexe existe possibilidade para lá. A gente está aguardando realmente, eu tenho um contrato até o final do ano, tenho treinado, tenho trabalhado ao máximo aqui e me dedicando ao máximo ao Deportes Concepción, que é o tempo agora, mas a gente sim projeta esse retorno, tanto esse retorno para o Brasil, quanto uma possibilidade de voltar à Europa. Mas enfatizando e voltando para a tua pergunta, sim, o César voltaria e tem muita vontade de retornar ao Campeonato Brasileiro, estar nesse cenário do Brasil, sempre vai ser uma grande honra para mim.

César fala da vida no Chile, onde defende o Deportes Concepción

Há um motivo especialíssimo, porém, que faz César torcer por um retorno ao Brasil. Pai de duas meninas, o goleiro vai aumentar o time da família Dutra com a chegada de um menino, prevista para janeiro.

- É isso mesmo (vai ser um menino). Graças a Deus também, eu acho que isso é bacana, mas Deus sempre me surpreendeu com boas notícias, às vezes em tempos difíceis, o futebol não é fácil, tanto para todas as posições, o jornalista, eu falo, a gente está conversando de profissional para profissional, o goleiro sempre tem suas dificuldades, a gente sabe da dificuldade que é a minha posição, a minha profissão, eu amo muito o que eu faço. Faço isso desde 7, 8 anos de idade, então já enfrentei muitas coisas, tempos muito bons, tempos mais difíceis, lesões, mas em meio às vezes a tempos difíceis Deus surpreende e dá boas notícias, então está vindo aí o nosso menino.

- É um presente Dele nesse tempo, está chegando em janeiro, se Deus quiser. Então é um tempo feliz e a gente tem uma expectativa, está aí planejando tudo, tentando organizar da melhor maneira possível para a chegada do nosso filho. Por isso a gente não descarta, pelo contrário a gente tem uma grande expectativa também, com essa chegada do nosso filho eu poder também estar no Brasil, então é uma grande possibilidade.

Goleiro César, do Flamengo

Prata da casa do Flamengo que explodiu em 2011 com grandes atuações na conquista da Copinha, de estreia repleta de elogios contra o Cruzeiro, em 2013, e com participação importante na reta final da Copa Sul-Americana de 2017, César conta como foram esses anos fora do Brasil.

César fala o que o futebol europeu e do Chile agregaram ao jogo dele

Como está sendo essa experiência no Chile, num mercado diferente, depois de passar pelo Boavista, de Portugal?

- Esses anos todos foram anos incríveis com relação a tudo: o desenvolvimento, poder conhecer novos lugares e poder disputar campeonatos diferentes. Pude conhecer um pouquinho o cenário português e agora o Campeonato Chileno. Aqui no Chile, graças a Deus, fui recebido muito bem, desde o início do ano. Tive a oportunidade de jogar bons jogos aqui, minhas filhas estão na escola, há situações que vão fazendo a gente crescer não somente no âmbito profissional, mas de um modo geral. Então, a experiência aqui está sendo muito boa, está sendo, sem dúvida, algo marcante para mim.

- Aqui a gente começa a falar mais o espanhol. Só tem eu de brasileiro no elenco o que é um desafio. A gente vai conectando com os jogadores, com os argentinos, com os chilenos, paraguaios. Então é um tempo diferente, é uma conexão diferente, mas, graças a Deus, pude ser bem recebido, ter um espaço para trabalhar bacana.

César, em ação pelo Boavista

Quais as diferenças do futebol chileno e do país em relação ao Brasil? Enfrentou experientes, como o Vidal, ex-Flamengo?

- Sim, falar um pouquinho da cidade de Concepción, aqui no sul do Chile, então aqui faz frio, faz frio realmente (risos). E nesses dias tem chovido bastante, o campeonato é um campeonato novo, tive a oportunidade de jogar contra o Colo a Colo, contra o Vidal, que quando eu saí do Flamengo ele estava chegando. E agora, recentemente, tive a oportunidade de jogar contra ele. E o campeonato é um campeonato competitivo, acirrado também, tem muito a desenvolver, muito a crescer, mas eu sinto que, talvez, falando de qualidade técnica, o Chile tem muitos jogadores com nível alto também. Mas talvez por eu ser brasileiro, acredito que o Campeonato Brasileiro está num nível mais alto nesse momento.

Como é que foi jogar na Europa, viver esse sonho? O que o Campeonato Português te agregou até para um momento de mudança de chave na sua carreira, já que você está com um contrato em fase final e é possível que você mude de ares? O que a Europa te agregou de positivo no teu futebol?

- O futebol europeu, de um modo geral, no Campeonato Português eu peguei diferentes comissões técnicas, mas algo que eu vejo que é muito comum é essa parte tática, o entendimento de jogo um pouco diferente, a questão de o goleiro jogar um pouco mais adiantado, trabalhar um pouco mais com os pés, que hoje no Brasil já é uma situação unânime. A maioria dos times faz muito isso, mas também falo das coberturas, de poder jogar um pouco mais adiantado, saber a leitura do jogo e ter esse entendimento com estudo.

- A gente sempre tinha uma parte mais tática, um entendimento mais tático do jogo, o que foi bacana. Foi um desenvolvimento muito bacana. E depois você traz isso, o Campeonato Chileno depois de novo volta a uma parte mais competitiva, e, claro, você traz a experiência que você tem de Portugal e a parte técnica que você tem do Brasil, e vai tentando fazer um César que seja mais completo de certa forma.

Dificuldades e aprendizagem

- Estamos sempre aprendendo alguma coisa, buscando alguma coisa para agregar um pouco mais na nossa trajetória. Não é tão simples, claro, você é sempre um estrangeiro, ser estrangeiro não é fácil, por muitas coisas. Te recebem muito bem, tem gente que te recebe muito bem, mas tem outras que talvez já não gostem tanto e pensam: o brasileiro está vindo para cá tomar o espaço do português. De certa forma isso existia, não digo só no futebol, de um modo geral. Mas, por outro lado, não. Muitos já mais conscientes e veem assim: "cara, como eu posso aprender com ele e como eu posso, talvez, ensinar também, enfim, e se complementar".

Você participou de vários títulos com o Flamengo e subiu numa situação difícil do clube e saiu com o clube transformado e multicampeão. Perguntam muito do Flamengo aí no Chile? E em Portugal: também queriam saber do clube?

- Sim, sim. Na verdade Flamengo vai me acompanhar para o resto da minha vida, a experiência, tudo o que eu passei lá, eu sempre falo isso, porque é impossível não relembrar, não ter meu coração extremamente grato por tudo o que eu passei. Até de certa forma com humildade e respeito. Eu vivi uma transição, peguei uma fase do Flamengo muito difícil, delicada, mas que na verdade acabou me dando a oportunidade de estar no Flamengo naquele tempo, inclusive a Copa São Paulo, naquele ano de 2011, era um ano muito difícil para o clube.

- O Flamengo é gigantesco, sempre um título no Flamengo faz com que as coisas se movimentem novamente, então eu tive o privilégio de poder começar dessa forma. Depois subi para o profissional, tive a minha estreia em 2013 e ainda o clube numa transição de estrutura. Eu lembro da base com poucos recursos, não tinha nada do que tem hoje. Depois eu saí em 2016, quando eu volto em 2017 eu já tem uma situação melhor, uma projeção maior. Depois foram ali construindo o centro de treinamento, depois tanto a base quanto o profissional tiveram o que têm hoje: uma estrutura fantástica.

Projetos para o futuro

- Olha, poder voltar para o cenário nacional. Disputar títulos ou estar disputando a parte alta da tabela novamente, ou estar num bom projeto em que me faça ser parte e contribuir como peça fundamental num clube. Eu acho que é o meu desejo nesse momento. Eu tenho, como você falou, a gente já teve a possibilidade de ganhar títulos, de estar disputando grandes coisas, como também tive a possibilidade de estar disputando lá embaixo, que é difícil também. Mas que também te molda e te faz perceber um pouco aquilo que nem tudo é sempre estar disputando, por exemplo, o título, que é o que a gente mais quer. Mas também existem outros projetos em que estão ali alavancando um time, subindo de uma divisão, por exemplo. Subindo com o clube da Série B para a Série A, o que também é louvável, poder sustentar um time, sustentar um projeto.

Você citou a Libertadores. Tem um jogo importantíssimo e difícil da Libertadores de 2019 que você disputou, contra o Peñarol, em Montevidéu...

- Eu quero poder voltar a estar brigando por título, estar brigando por vaga na Libertadores, poder disputar a Libertadores novamente, as experiências que eu tenho de jogar grandes jogos assim e poder contribuir dentro de campo de uma forma importante, ser parte de uma equipe que briga por grandes coisas. Então, ainda tenho esse desejo, quero poder estar aí, quero poder estar disputando algo grande também, nos próximos anos. Tenho 34 anos, espero poder ter mais um bom tempo aí de carreira.

- Eu estou num dos maiores clubes do sul do Chile, então tem uma torcida muito grande. Então eles têm uma expectativa, estão felizes por estar subindo, depois tem a cobrança de você se manter na categoria nesse primeiro ano, depois buscar algo maior. A gente sempre pensa: dá para beliscar uma Sul-Americana com o clube que está. Depois de você poder jogar um jogo daquele, que imagina que para o Peñarol também era um jogo gigantesco, e poder participar disso, e ajudar o Flamengo a classificar. Então a gente vai ampliando um pouco a nossa visão do modo geral do futebol.

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