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Aposentadoria inspirou criação de orquidário que deve faturar R$ 70 mil neste ano

Aposentado transforma paixão por orquídeas em negócio que deve faturar R$ 70 mil

G1 — Brasil · 2026-08-03T05:00:22.000Z

Aposentado transforma paixão por orquídeas em negócio que deve faturar R$ 70 mil

Quando se aposentou aos 57 anos, após 45 anos de trabalho, João Batista Fonseca Borba acreditava que entraria em uma fase mais tranquila da vida. Mas a rotina de descanso durou pouco.

Diante da pergunta que muitos aposentados se fazem, "o que vou fazer agora?", ele encontrou a resposta em uma paixão cultivada desde a juventude: as orquídeas.

Hoje, aos 70 anos, João administra um orquidário de dois mil metros quadrados em Brasília, onde mantém cerca de 20 mil plantas. O espaço, construído ao longo de décadas, recebe clientes apaixonados por flores e movimenta um negócio que nasceu quase sem planejamento.

A relação com as orquídeas começou dentro de casa. Inspirado pela mãe, que gostava de cultivar flores, João passou a comprar exemplares para ela e também para si. Aos poucos, a coleção foi crescendo. Sem perceber, construía o estoque que mais tarde daria origem à empresa.

Nascido em uma família que chegou a Brasília durante a construção da capital, João cresceu em um ambiente onde o cultivo fazia parte do cotidiano. Filho de pedreiro, viu a cidade surgir do cerrado e aprendeu desde cedo a produzir alimentos para complementar a mesa da família.

Aposentadoria inspirou criação de orquidário que deve faturar R$ 70 mil neste ano

Apesar do vínculo com a terra, sua carreira seguiu outro caminho. Formado em Administração, passou mais de três décadas no serviço público. A experiência acumulada na gestão acabou sendo útil quando decidiu transformar o hobby em empreendimento.

O orquidário nasceu há quase 15 anos e desde então vem se consolidando como referência para colecionadores e admiradores das plantas.

Além da venda direta, João participa de feiras, exposições e oferece um serviço inusitado: o aluguel de orquídeas para quem quer decorar ambientes sem precisar cuidar permanentemente das flores.

"Você não precisa matar a orquídea. Leva para casa, aproveita enquanto ela está florida e depois troca por outra", costuma explicar aos clientes.

As plantas são comercializadas por valores que variam entre R$ 60 e R$ 250. Em média, cerca de 100 orquídeas são vendidas por mês, sem considerar os períodos de exposição. A operação também gera oportunidades de trabalho para colaboradores que ajudam na manutenção do espaço e nos eventos.

Entre os frequentadores do orquidário estão clientes que acompanham o negócio há uma década. Muitos retornam em datas especiais, como aniversários e Dia das Mães, em busca de novas espécies para presentear ou ampliar coleções.

Aposentadoria inspirou criação de orquidário que deve faturar R$ 70 mil neste ano

O sucesso do empreendimento, porém, não é medido apenas pelo faturamento. Para João, o maior retorno está no contato diário com as pessoas e na sensação de permanecer ativo.

A rotina começa cedo, entre irrigação, adubação e acompanhamento das plantas. Depois, ele segue para a academia antes de voltar ao viveiro para cuidar das atividades da tarde. A parte administrativa, segundo ele, continua sendo uma das tarefas mais simples, resultado dos anos dedicados à gestão.

Ao olhar para a trajetória construída após a aposentadoria, João vê no negócio muito mais do que uma fonte de renda extra. O orquidário se tornou um novo propósito de vida. "Eu estou vivo", resume.

E enquanto as flores seguem desabrochando, a história de João Batista mostra que recomeços também podem florescer depois dos 60 anos.

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