ITATIBA1
Imigrantes do Marrocos que seguem em Ceuta dormem em praia ao relento
G1 — Brasil · 2026-08-03T10:50:33.000Z
Imigrantes do Marrocos que seguem em Ceuta dormem em praia ao relento
Quase todas as cerca de 50 mil pessoas que entraram em Ceuta, cidade autônoma da Espanha no norte da África, na última quinta-feira (30), já retornaram ao Marrocos, segundo autoridades espanholas. No entanto, quem decidiu permanecer no local, segue sofrendo com a lotação do abrigo de acolhimento de imigrantes.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Nesta segunda-feira (3), a agência de notícias Reuters registrou dezenas de homens dormindo ao relento, em uma praia isolada de Ceuta, onde a polícia delimitou uma área da faixa de areia e mantém o grupo sob vigilância.
Antes mesmo da grande invasão que ocorreu na semana passada, os imigrantes que haviam chegado a Ceuta nos dias anteriores já estavam sofrendo com a falta de ajuda e infraestrutura de apoio, causadas pela superlotação do abrigo de acolhimento local.
Sem local para dormir e com o comércio todo fechado, devido ao medo de saques, vários dos marroquinos que fizeram a travessia na quinta ficaram pouco mais de 24 horas no território espanhol e retornaram para casa.
No sábado (1º), a Reuters registrou centenas dos imigrantes sendo escoltados por militares até a fronteira, além da instalação de uma barreira flutuante no mar para evitar travessias ilegais pela água.
De acordo com o governo espanhol, 72 morreram ao tentar atravessar a nado.
Espanha escolta imigrantes para fora de Ceuta e instala barreira no mar para evitar chegad
Neste domingo (2), o representante do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, disse a jornalistas no domingo que, além das 72 mortes, mais de mil pessoas receberam atendimento dos serviços de saúde.
Segundo ele, a situação no enclave melhorou consideravelmente, mas ainda há muito a ser feito para restabelecer a normalidade.
Em um comunicado, também no domingo, o Ministério do Interior do Marrocos atribuiu o fluxo migratório à desinformação nas redes sociais, às redes de tráfico humano e à má interpretação de uma decisão espanhola que proíbe o retorno imediato de migrantes interceptados no mar.
A declaração também reiterou o compromisso do país em combater a migração ilegal e apelou para que o ônus da gestão migratória seja compartilhado.
A Reuters conversou com dois homens que iniciavam o trajeto de retorno para casa e eles contaram que ficaram decepcionados ao encontrar muita hostilidade e falta de oportunidades.
"Eu queria ter uma vida melhor, mas aqui só encontrei fome e miséria. Queria me juntar à minha mãe na Espanha. Tudo estava fechado, inclusive os cafés. Um cigarro custava 2 euros, uma baguete custava 3 euros. Isso é demais", lamentou Brahim Karroubi. "Vou voltar. Não há nada para fazer aqui. Os habitantes de Ceuta nos trataram mal, estamos com fome. As lojas estão fechadas", acrescentou Mohamed, de 27 anos.
Já os moradores de Ceuta se mostraram aliviados com a volta à normalidade, mas disseram que ainda se sentem inseguros após a grande invasão há dois dias. Um deles afirmou que a chegada de 60 mil pessoas em menos de uma hora foi "inaceitável".
"Embora as coisas tenham se acalmado um pouco, Ceuta continua sendo insegura e ainda precisamos da polícia e dos militares, porque isso é um aviso de que eles podem nos invadir quando quiserem", disse a garçonete Marina Castano, cujo bar reabriu neste sábado.
VÍDEOS mostram chegada de milhares de imigrantes do Marrocos a Ceuta, cidade da Espanha
Polícia da Espanha usa bombas de gás para afastar imigrantes na fronteira de Ceuta com Marrocos; VÍDEO
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
Mapa mostra localizações de Ceuta e Melilla, exclaves espanhóis na África, em meio a crise migratória em julho de 2026.
Dhara Pereira e Lara Bernardino/Arte g1