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Polícia investiga se professor universitário preso por abuso e exploração sexual de menores fez mais 5 vítimas

Cordovil (á esquerda) quando foi preso, em março de 2026

G1 — Brasil · 2026-08-03T14:41:24.000Z

Cordovil (á esquerda) quando foi preso, em março de 2026

A Polícia Civil investiga se o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, acusado de abusar e explorar sexualmente crianças e adolescentes, fez pelo menos 8 vítimas entre 2020 e 2025.

O processo terá uma nova audiência de instrução e julgamento na tarde desta segunda-feira (3), na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio. Cordovil é réu na ação e já teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou Cordovil à Justiça por três crimes. Uma dessas vítimas tinha apenas 10 anos de idade, segundo as investigações, e o abuso foi filmado pelo próprio advogado, de acordo com imagens obtidas pela Polícia.

Os casos de pelo menos cinco novas vítimas foram descobertos na continuidade das investigações da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav). A Polícia Civil não descarta que ele tenha praticado os crimes contra outras meninas.

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Os estupros aconteciam no bairro do Grajaú, na Zona Norte da capital. Cordovil está preso desde março.

As investigações indicam que Cordovil se aproveitava da vulnerabilidade social das vítimas para se aproximar delas, oferecendo dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. Além de ser uma forma de aliciamento, serviria para "comprar" o silêncio das vítimas.

Diversos prints de transferências bancárias foram juntados ao inquérito para comprovar as acusações contra o advogado.

As três primeiras vítimas identificadas pela Polícia Civil também indicaram os nomes de outras adolescentes que frequentavam a casa de Cordovil.

No entanto, a Polícia Civil destacou que teve dificuldades para intimar todas essas crianças e adolescentes, já que muitas viviam em comunidades, o que dificultaria a intimação pela delegacia.

Oito mil arquivos no celular

Segundo a denúncia, após conquistar a confiança das vítimas, o acusado praticava os abusos na própria casa, no Grajaú. Além dos crimes sexuais, ele também produzia registros em foto e vídeo, caracterizando exploração sexual e produção de material pornográfico.

Vídeos em alta no g1

As investigações também apontam que parte desse conteúdo chegou a ser compartilhada.

A polícia já havia identificado que o suspeito utilizava sua atuação como advogado e professor universitário para manter contato com famílias em situação de vulnerabilidade, o que facilitava o acesso às vítimas.

Durante as investigações, agentes encontraram mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes no celular do advogado. Segundo o MPRJ, o volume de material levanta a suspeita de que o número de vítimas seja maior do que o já identificado.

O Ministério Público pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada.

Em contato com o g1, a defesa de Cordovil disse que vai provar a inocência do seu cliente:

"Nossa expectativa é a de que a verdade venha à tona através do contraditório e da ampla defesa. Viemos para esclarecer os fatos com base exclusiva nas provas colhidas ao longo do processo, e confiamos que a instrução probatória demonstrará a improcedência das imputações", afirmou a defesa, formada pelos advogados Flávio Biolchini, Raphaella Estrella e Felipe Braga.

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