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Mortes por atropelamento aumentam em SP; motorista bêbado matou casal na madrugada desta segunda-feira

Álcool ao volante, carros de luxo e famílias sem indenização: o retrato da impunidade no t

G1 — Brasil · 2026-08-03T15:00:38.000Z

Álcool ao volante, carros de luxo e famílias sem indenização: o retrato da impunidade no t

O número de mortes por atropelamento voltou a crescer na cidade de São Paulo no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP).

Entre janeiro e junho deste ano, 199 pessoas morreram atropeladas na capital. No mesmo período de 2025 foram 190 mortes. Em 2024, o registro foi de 201 vítimas.

O número total de mortes de trânsito na cidade de São Paulo também cresceu no período.

Total de mortes no primeiro semestre: 483 (2025) → 489 (2026) (+1,2%)

🏍️ Motociclistas: 220 → 238 (+8,2%)

🚶 Pedestres: 187 → 190 (+1,6%)

🚗 Ocupantes de automóveis: 49 → 38 (-22,4%)

🚴 Ciclistas: 13 → 13 (estável)

Apesar do aumento da fiscalização, motoristas flagrados dirigindo sob efeito de álcool continuam provocando acidentes graves e fatais.

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que a Operação Direção Segura realizou 1.101 operações na capital paulista no primeiro semestre de 2026, com 82.789 testes do bafômetro.

No período, foram registradas 27 prisões, 172 autuações por embriaguez ao volante e 7.046 recusas ao teste do bafômetro.

Segundo o Detran-SP, foram realizadas 111 operações de fiscalização de alcoolemia na capital entre janeiro e junho de 2026, ante 108 operações em todo o ano de 2025.

Levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) aponta que 13.075 brasileiros morreram em apenas um ano em acidentes relacionados ao consumo de álcool ao volante.

Mortes por atropelamento aumentam em SP; casos envolvendo álcool e carros de luxo expõem d

Entre os casos recentes está o de Diego Rafael da Silva, de 19 anos, que morreu após ser atropelado na noite de 26 de julho, na Rua do Bosque, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. O jovem trabalhava na coleta de lixo e recolhia contêineres na parte traseira de um caminhão de limpeza, que estava estacionado e sinalizado para a realização do serviço, quando foi atingido por um carro. O motorista, o empresário chinês Guofang Huang, de 53 anos, apresentava sinais evidentes de embriaguez, fez o teste do bafômetro, que apontou 0,73 miligrama de álcool por litro de ar alveolar, e foi preso em flagrante por homicídio. Segundo testemunhas, ele deixou o local após o atropelamento, mas retornou minutos depois e acabou detido pela polícia.

O chinês Guofang Huang , de 53 anos, preso por atropelar e matar o coletor Diego Rafael Da Silva, de 19 anos.

"Meu filho viveu só 19 anos. Ele deixou dois filhos. Quando eu acordo e vejo que ele não vai chegar, dói todos os dias. Eu ligava para ele abrir o portão quando chegava em casa. Meu Deus, que dor", disse a mãe, Elineide Maria da Silva.

Outro caso é o do 2º sargento da Polícia Militar Fábio de Souza, de 50 anos, morto após a motocicleta que conduzia ser atingida de frente por um carro que trafegava na contramão na Avenida Nove de Julho, na Zona Sul da capital. O motorista, Bruno Yasuda Sales Shimizu, de 22 anos, responde por homicídio qualificado. Segundo a investigação, ele dirigia embriagado. A polícia descobriu ainda que Bruno já havia provocado outro acidente fatal em 2020, quando tinha 16 anos e, sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), bateu na traseira da motocicleta de Celso Rodrigo Vieira de Sales, de 19 anos, que morreu no local, em Pilar do Sul, no interior paulista.

Sargento da PM pilotava moto quando foi atingido por carro na contramão da Avenida Nove de Julho, na Zona Sul de São Paulo

O caso mais recente ocorreu na madrugada desta segunda-feira (3), na Penha, Zona Leste de São Paulo. O eletricista Nilson Leite Batista, de 56 anos, morreu após ser atropelado por um motorista embriagado enquanto voltava do trabalho acompanhado da esposa, Maria Gorete Saraiva, de 58 anos. Ela morreu ainda no local depois de ser arremessada de um barranco de cerca de cinco metros e sofrer uma parada cardiorrespiratória. Nilson foi socorrido em estado gravíssimo, mas não resistiu aos ferimentos. O motorista, Juliano Franco Fontes, de 24 anos, recusou o teste do bafômetro, passou por exame clínico no IML que constatou embriaguez e estava com a CNH vencida por excesso de pontos. Ele foi preso e deve responder por homicídio doloso.

Fotos do carro do motorista embriagado que atropelou e matou casal no Viaduto Dona Matilde, na Zona Leste de São Paulo, no dia 3 de agosto de 2026

Carros de luxo e famílias que ainda aguardam indenização

Além dos casos envolvendo embriaguez ao volante, o Fantástico reuniu histórias de acidentes provocados por motoristas de carros de luxo que, anos depois, ainda não resultaram no pagamento de indenizações às famílias das vítimas.

Em agosto de 2025, uma Porsche dirigida pelo influenciador Samuel Sant'Anna, o Gato Preto, furou o sinal vermelho na Avenida Brigadeiro Faria Lima e atingiu outro veículo. Segundo a polícia, ele havia consumido bebida alcoólica e outras drogas. No carro atingido estavam Edson e o filho. Edson sofreu uma fratura na mandíbula e busca indenização na Justiça.

O influencer Samuel Sant’anna - conhecido nas redes como Gato Preto.

Segundo o advogado Filipe Martarelli, um dos ocupantes da Porsche ainda teria ameaçado a vítima logo após a colisão. Enquanto o processo tramita, o carro esportivo permanece apreendido e pode ir a leilão para garantir eventual indenização.

Outro caso ocorreu em julho de 2019. A diarista Audenilce Bernardina, de 65 anos, morreu após ser atropelada por uma Porsche nos Jardins, em São Paulo. O empresário Fabio Alonso de Carvalho, que havia saído de uma casa noturna, foi condenado na esfera cível a indenizar filhos, neto e duas irmãs da vítima. Segundo a família, o valor nunca foi pago e a dívida já se aproxima de R$ 1 milhão.

Audenilce Bernardina dos Santos foi atropelada por Porsche nos Jardins

A defesa de Fabio Alonso informou que tentou firmar acordo em mais de uma oportunidade, mas afirmou que a família rejeitou uma proposta de R$ 450 mil. Os advogados, porém, não responderam por que a indenização fixada pela Justiça ainda não foi quitada.

Fabio Alonso de Carvalho atropelou e matou idosa nos Jardins

Em 2018, uma Mercedes-Benz e um Chevrolet Camaro disputavam um racha na Rodovia dos Imigrantes quando atingiram o carro de duas famílias que voltavam da praia. Duas mulheres morreram no local e seis ficaram feridas. Um dos sobreviventes ficou paraplégico, assim como uma criança que, na época, tinha menos de dois anos. Hoje, o menino é cuidado pelo pai, Wesley Bispo, que trabalha como motorista de aplicativo desde a morte da esposa, uma das vítimas do acidente.

Hoje, Wesley trabalha como motorista de aplicativo e cria sozinho o filho.

"Financeiramente, acabou com tudo. Estou com o nome sujo. Meu filho precisa de cadeira de rodas e eu não tenho condições de comprar", contou.

Carros em alta velocidade se envolvem em grave acidente na Rodovia dos Imigrantes, em SP

O empresário André Micheletti, que dirigia a Mercedes, foi condenado em segunda instância a dez anos de prisão por homicídio no trânsito e lesão corporal, mas recorre em liberdade. Também foi condenado a pagar R$ 2,6 milhões em indenizações às famílias.

Segundo a defesa das vítimas, o empresário nunca efetuou o pagamento. Os advogados afirmam ter localizado veículos e imóveis de alto valor ligados ao patrimônio dele, alguns registrados em nome de terceiros. O Fantástico procurou André Micheletti e sua defesa, mas não obteve resposta.

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