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Robert Del Naja, da banda Massive Attack.
G1 — Mundo · 2026-08-03T11:32:48.000Z
Robert Del Naja, da banda Massive Attack.
Valentin Flauraud/Keystone via AP, Arquivo
O governo de Singapura proibiu a entrada no país dos dois principais integrantes da banda britânica Massive Attack depois que eles exibiram uma bandeira da Palestina e manifestaram apoio à causa palestina durante um show realizado na cidade-Estado na semana passada.
A polícia de Singapura informou, em comunicado, que os músicos foram investigados por causa das ações durante a apresentação de 29 de julho, incluindo a exibição de uma bandeira estrangeira e o momento em que um dos integrantes gritou "Palestina livre" ("Free Palestine") no palco.
Segundo as autoridades, os dois receberam advertências formais e foram incluídos em uma lista que os impede de retornar ao país.
"A polícia trata com seriedade atos que possam prejudicar a harmonia racial e religiosa em Singapura e pede ao público, incluindo estrangeiros, que evite importar questões políticas de outros países, pois isso pode comprometer nossa coesão social e o Estado de Direito", afirmou a corporação.
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A polícia não divulgou os nomes dos envolvidos, mas imagens exibidas pela imprensa local identificaram os músicos como Robert "3D" Del Naja e Grant "Daddy G" Marshall.
Em nota publicada no Instagram, o Massive Attack afirmou que recebeu a decisão com "surpresa e decepção".
Segundo a banda, grande parte do público já entoava gritos de "Palestina livre" antes do início da apresentação e também ao fim do show. O grupo disse que não imaginava que apenas erguer uma bandeira violaria alguma lei, mas afirmou ter orgulho da "manifestação espontânea" feita ao lado dos fãs em solidariedade à causa palestina.
A banda também pediu que o governo de Singapura permita que seus cidadãos expressem sua consciência "sem medo de perseguição por parte do Estado".
Nota da banda Massive Attack.
Leia a íntegra da nota da banda:
Após nossa apresentação no Star Theatre, em Singapura, no dia 29 de julho, ficamos surpresos e decepcionados porque toda a nossa banda foi detida pela polícia, isolada e interrogada separadamente — com alguns integrantes submetidos a buscas em seus quartos de hotel e ao confisco temporário de seus passaportes.
Antes de subirmos ao palco e, novamente, ao fim do show, grandes setores da plateia entoaram espontaneamente gritos de "Palestina Livre", presumivelmente cientes, mas não desencorajados, de que essa manifestação espontânea, por si só, poderia violar as leis de censura do governo.
Da nossa parte, não imaginávamos que simplesmente erguer a bandeira de um Estado soberano reconhecido por 157 países (a Palestina) violaria qualquer lei.
Refletindo sobre o ocorrido, temos orgulho de ter feito essa manifestação espontânea ao lado dos nossos fãs em Singapura, que claramente sentiram um imperativo moral de demonstrar solidariedade ao povo palestino diante da realidade contínua de ocupação ilegal, apartheid e genocídio. Saudamos a coragem deles por terem feito isso. Em todo o mundo, a contínua inação da chamada "comunidade internacional" está levando cidadãos a assumirem riscos pessoais.
Essa experiência surreal serviu para nos lembrar da importância de defender os direitos humanos universais e a liberdade de expressão sempre que esses direitos estiverem ameaçados, inclusive em nosso próprio país, o Reino Unido, onde, de forma extraordinária, ainda vemos manifestantes pacíficos serem presos sob leis antiterrorismo por exibirem cartazes escritos à mão em protesto contra o genocídio — apesar dos apelos vindos de todos os lados do espectro político.
Somos gratos ao povo de Singapura, que nos fez sentir tão bem-vindos, e esperamos que o governo de Singapura decida ratificar o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da ONU e permita que seus cidadãos expressem sua consciência sem medo de perseguição por parte do Estado.
Como estávamos dizendo... Palestina Livre.