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Frente de rajada: novo episódio pode levar ventos acima de 80 km/h ao Sul e de 70 km/h ao Sudeste

Ventos fortes causam morte de 3 pessoas no Estado de São Paulo

G1 — Brasil · 2026-08-03T18:08:41.000Z

Ventos fortes causam morte de 3 pessoas no Estado de São Paulo

Uma nova frente de rajada pode se formar no Centro-Sul do Brasil na próxima sexta-feira (7). Com isso, há risco de ventos fortes principalmente nos estados da Região Sul e em áreas do Sudeste.

Segundo César Soares, meteorologista da Climatempo, os modelos analisados até agora indicam rajadas acima de 80 km/h no Sul e de 70 km/h no Sudeste. A previsão, porém, ainda pode mudar com as atualizações dos próximos dias.

Na última semana, o sistema provocou ventos de mais de 120 km/h em áreas do Sudeste, deixou mortos, derrubou árvores, destelhou imóveis e afetou serviços de transporte em São Paulo e no Rio de Janeiro.

"Neste primeiro momento, os modelos não indicam rajadas tão intensas quanto as registradas na semana passada", diz César.

"Ainda assim, são esperados ventos com potencial para causar transtornos, a partir de quinta-feira e ao longo de sexta-feira e sábado".

O fenômeno pode ocorrer durante o avanço de uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical.

Juntos, os dois sistemas devem levar um ar mais frio e úmido para uma área que estará sob influência de uma massa de ar quente e seco.

Quando essas massas de ar com características muito diferentes se encontram, o contraste de temperatura e umidade pode acelerar os ventos próximos à superfície e dar origem a uma faixa de rajadas intensas.

o calor e o ar seco que devem se intensificar no Centro-Oeste e em parte do Sudeste;

a formação de um ciclone extratropical e de uma frente fria no Sul;

o encontro do ar mais frio e úmido com a massa de ar quente e seco.

“Esse contraste entre duas massas de ar de propriedades muito diferentes favoreceu a formação de ventos muito intensos. Na meteorologia, chamamos isso de frente de rajada”, afirma César.

⚠️ Ao longo da semana, os modelos meteorológicos serão atualizados e podem indicar ventos ainda mais intensos ou reduzir a área de risco.

Funcionário corta uma árvore caída após fortes ventos no Rio de Janeiro.

O que pode provocar a nova frente de rajada?

Nos primeiros dias desta semana, uma massa de ar seco deve manter o tempo firme e favorecer a elevação das temperaturas em grande parte do Centro-Oeste e do Sudeste.

Entre a tarde desta segunda-feira e sexta-feira, áreas que vão do Rio Grande do Sul ao sul de Mato Grosso devem enfrentar um veranico, período de vários dias com temperaturas acima do esperado para o inverno.

Esse aquecimento vai ajudar a manter uma grande quantidade de ar quente e seco sobre o Centro-Sul do país.

Ao mesmo tempo, a partir de quinta-feira (6), um ciclone extratropical e uma frente fria devem se organizar sobre a Região Sul, provocando chuva forte e ventania.

Os volumes podem chegar a 100 milímetros em pontos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná.

Na sexta-feira, o ar frio e úmido associado a esses sistemas poderá encontrar a massa de ar quente e seco que estará sobre o Sudeste e parte do Centro-Oeste.

O que é uma frente de rajada?

A frente de rajada é uma faixa de ventos fortes que se desloca à frente de uma frente fria ou de uma área de tempestade.

Ela se forma quando o ar mais frio e denso avança próximo ao solo e empurra rapidamente o ar quente que estava sobre a região.

Esse movimento funciona como uma espécie de onda de ar que se espalha horizontalmente pela superfície.

Por isso, as rajadas podem chegar de forma repentina e atingir várias cidades em sequência, mesmo em pontos onde a chuva ainda não começou ou ocorre com pouca intensidade.

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Esse deslocamento pode formar uma linha extensa de ventos, capaz de percorrer dezenas ou até centenas de quilômetros. Isso ajuda a explicar por que a ventania da última semana atingiu áreas do interior, da capital e do litoral paulista em um intervalo relativamente curto.

❗ A frente de rajada, porém, não é um tornado.

No tornado, o vento gira em torno de um eixo e atinge uma faixa geralmente mais estreita. Na frente de rajada, os ventos se espalham de maneira mais horizontal e podem afetar uma área muito mais ampla.

Também não é necessário que haja chuva forte exatamente no ponto atingido. Em alguns casos, a rajada chega antes da precipitação ou avança para regiões onde chove pouco.

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Frente de rajada se aproxima antes de uma tempestade no estado do Novo México, nos Estados Unidos. O fenômeno ocorre quando o ar frio da chuva avança por baixo do ar quente e úmido.

Onde os ventos podem ser mais fortes?

Os modelos meteorológicos indicam, até o momento, rajadas acima de 80 km/h em áreas da Região Sul.

Os três estados devem ter chuva durante a passagem do ciclone e da frente fria, com possibilidade de temporais e elevados volumes acumulados.

No Sudeste, as rajadas podem passar dos 70 km/h, principalmente durante o encontro do ar frio com a massa de ar quente e seco.

A previsão ainda não define com precisão quais cidades devem registrar os maiores valores. Essa indicação ficará mais clara com a aproximação do sistema e a atualização dos modelos.

Em Mato Grosso do Sul, as rajadas também podem aumentar durante o avanço da frente fria, mas a intensidade ainda será detalhada nas próximas previsões.

Centro de Santos teve estruturas destruídas após a ventania.

O ventos podem ficar mais fortes do que o previsto?

Sim. As projeções disponíveis nesta segunda-feira ainda podem mudar, porque faltam alguns dias para a formação e o avanço dos sistemas.

Pequenas alterações na trajetória ou na intensidade do ciclone extratropical podem modificar a distribuição dos ventos.

A velocidade da frente fria e a quantidade de calor acumulada antes da sua chegada também serão importantes.

Quanto mais aquecida e seca estiver a atmosfera sobre o Sudeste, maior poderá ser o contraste com o ar frio e úmido trazido pelo sistema.

⚠️ Os valores acima de 70 km/h no Sudeste e de 80 km/h no Sul são uma estimativa inicial e não representam o limite máximo que poderá ser registrado.

Os meteorologistas devem atualizar as projeções nas próximas horas e nos próximos dias.

O Corpo de Bombeiros registrou ao menos 14 chamadas para queda de árvores em diversos pontos da capital paulista.

Abraão Cruz/TV Globo

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