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Os corpos dos membros das famílias Hassayna e Abu Sharia, mortos em um ataque israelense em 2023 e recentemente recuperados dos escombros
G1 — Brasil · 2026-08-04T13:43:30.000Z
Os corpos dos membros das famílias Hassayna e Abu Sharia, mortos em um ataque israelense em 2023 e recentemente recuperados dos escombros
Foto AP/Jehad Alshrafi
Palestinos se reuniram nesta terça-feira para um funeral coletivo de mais de 100 corpos recuperados após um ataque israelense em Gaza, ocorrido em 2023. Mais de 300 pessoas morreram em 22 de novembro de 2023, poucas semanas após o início da guerra com o grupo terrorista Hamas, quando aviões de guerra destruíram um quarteirão residencial no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza.
Cerca de 40 corpos foram recuperados logo depois, em uma busca desesperada feita com ferramentas improvisadas e as próprias mãos. Mas a maioria permaneceu soterrada sob os escombros. Os relatos sobre o alto número de vítimas em um dos ataques mais letais da guerra levaram dias para chegar ao público, em meio ao caos que antecedeu o primeiro cessar-fogo.
Neste fim de semana, equipes de resgate escavaram os prédios destruídos e recuperaram os restos mortais de 112 vítimas, incluindo 40 crianças, segundo a Defesa Civil, agência que atua sob o Ministério do Interior administrado pelo Hamas.
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A Defesa Civil informou que outros 157 corpos ainda não foram encontrados.
"O único crime desses mártires foi permanecer firmes e resistentes em suas casas, acreditando que essas casas os protegeriam", disse à Associated Press um parente das vítimas, Taysir al-Hassayna, após as orações fúnebres.
Sobre os desaparecidos, ele afirmou que é "como se seus corpos tivessem evaporado sem deixar vestígios".
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Cessar-fogo permitiu a recuperação dos restos mortais
Neste momento, alguns corpos de pessoas mortas nos primeiros meses da guerra estão sendo recuperados lentamente, à medida que o cessar-fogo, em vigor desde outubro, permite esse tipo de operação em partes da devastada Faixa de Gaza.
Os encontrados contribuíram para o aumento do número oficial de mortos na guerra. O ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel, em 7 de outubro de 2023, matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251 reféns. A ofensiva israelense em resposta matou cerca de 73.377 palestinos, incluindo vítimas registradas desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
Pelo menos 7.400 pessoas ainda são consideradas soterradas sob os escombros, segundo relatos de familiares, afirmou Zaher al-Waheidi, chefe do departamento de registros do ministério, à AP. Segundo ele, o número real provavelmente é de milhares a mais, porque, em alguns casos, famílias inteiras morreram em um único bombardeio, sem deixar sobreviventes para comunicar os desaparecimentos.
As pessoas homenageadas no funeral desta terça-feira viviam em um quarteirão pertencente aos clãs Hassayna e Abu Sharia, e muitas eram parentes entre si. A Associated Press identificou pelo menos 60 famílias em Gaza que perderam 25 ou mais integrantes nos três primeiros meses da guerra.
Nesta terça, os restos mortais das vítimas, envoltos em bandeiras palestinas, foram colocados em fileiras no chão. Muitos estavam identificados com fotografias, e pétalas de flores foram espalhadas sobre todos os corpos. Centenas de pessoas participaram das orações fúnebres, algumas em pé sobre os escombros.
Depois da cerimônia, os corpos foram carregados em macas por uma rua estreita cercada por prédios destruídos e enterrados em um cemitério próximo.
Palestinos carregam os corpos cobertos com a bandeira israelense de membros das famílias Hassayna e Abu Sharia, mortos em um ataque israelense em 2023
Foto AP/Jehad Alshrafi
Gaza enfrenta dificuldades para reconstrução em meio a violações do cessar-fogo
O cessar-fogo interrompeu grande parte dos combates, mas ao menos 1.252 pessoas foram mortas em Gaza desde sua entrada em vigor, segundo o Ministério da Saúde do território. O órgão, que integra o governo liderado pelo Hamas, mantém registros detalhados de vítimas considerados, em geral, confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes. O ministério não diferencia civis e combatentes, mas afirma que mulheres e crianças representam a maioria dos mortos.
Israel afirma que seus ataques têm como alvo militantes que colocam soldados israelenses em risco, participaram do ataque de 7 de outubro ou cometeram outras violações. Cinco soldados israelenses morreram desde o início do cessar-fogo.
Gaza continua amplamente devastada. A maior parte dos 2 milhões de palestinos permanece deslocada e vive em acampamentos de tendas, onde as más condições e a superlotação provocaram infestações de roedores e surtos de doenças infecciosas, como catapora.
Os dois lados acusam um ao outro de violar o cessar-fogo, e as negociações sobre os próximos passos avançaram pouco. O Hamas manteve suas armas, apesar dos acordos de desarmamento, e o Exército israelense se recusou a se retirar, permanecendo no controle de mais da metade do território.
Na segunda-feira, Nikolay Mladenov, representante do Conselho de Paz responsável pela transição pós-guerra em Gaza, reuniu-se com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir, entre outros temas, um novo acordo de desarmamento que o conselho, criado pelos Estados Unidos, afirma ter fechado com o Hamas.
Na semana passada, o presidente Donald Trump anunciou um acordo que prevê que Israel cesse suas operações militares em Gaza e que o Hamas e seus aliados interrompam todas as atividades militantes. Após a divulgação do texto do acordo, Israel afirmou ter "sérias preocupações de segurança".