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Investigadores da Polícia Federal (PF) apontam que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de capitais.
G1 — Política · 2026-08-04T13:39:07.000Z
Investigadores da Polícia Federal (PF) apontam que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de capitais.
Segundo a PF, o parlamentar atuava diretamente ao formular demandas, indicar beneficiários, cobrar repasses, gerenciar imóveis e interferir em decisões patrimoniais.
As conclusões constam de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto – que inicialmente investigou suspeitas de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos associativos indevidos sobre benefícios previdenciários.
Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e Maranhão.
Weverton Rocha (PDT-MA) não foi alvo da operação da PF desta terça-feira (4). No entanto, a esposa, a filha e duas irmãs do parlamentar estão entre os alvos de mandados de busca e apreensão. A PF também mirou o advogado Willer Tomaz.
Ao analisar o material telemático apreendido no celular de Weverton Rocha, os investigadores constataram um "quadro mais amplo", caracterizado pelo fluxo fracionado e não linear de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso de dinheiro em espécie e movimentações patrimoniais de alto valor.
Segundo a PF, "Weverton Rocha [é situado como] o responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais".
Segundo a Polícia Federal, a estrutura ligada ao advogado e empresário Willer Tomaz funcionava como um verdadeiro "hub financeiro, patrimonial e logístico" colocado à disposição dos beneficiários, entre eles o senador Weverton.
A rede de Willer Tomaz fornecia sustentação por meio de empresas, imóveis, aeronaves executivas, pilotos e operadores financeiros.
No centro da operação, estava Fayla Zulmira Menezes, identificada na agenda de Weverton como "Financeiro WT Fayla Zulmira".
As mensagens revelam que Fayla controlava saldos, executava transferências, encaminhava comprovantes, gerenciava entregas em dinheiro vivo e consultava Willer Tomaz antes de atender a pedidos diretos formulados pelo parlamentar.
Diálogos reproduzidos no relatório da PF mostram que, entre setembro e outubro de 2024, Weverton cobrou expressamente um repasse de R$ 500 mil.
Após consultar Willer, Fayla afirmou ao senador: "Informo que o valor já se encontra na conta PF da Dra Samya", referindo-se a Samya Rocha, esposa do parlamentar.
Relatórios policiais revelaram que, no período analisado, Samya recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas vinculadas a Willer Tomaz, notadamente sob a rubrica "AT" — identificada pela PF como o escritório Aragão e Tomaz Advogados Associados.
Núcleo Familiar e funções, segundo a PF
Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha (Esposa): Vinculada à Rocha Holding Patrimonial Ltda., receptora de repasses expressivos e participante de tratativas sobre imóveis e despesas familiares.
Anna Catarina Viana Rocha (Filha): Gestora operacional dos postos de gasolina Petro São Francisco e Petro São José, organizando listas de pagamentos, transferências e depósitos.
Geyse Rocha Linhares (Irmã): Administradora de propriedades rurais, empresas de radiodifusão e assuntos cartorários do grupo.
Shainess Kellmassen Rocha Marques de Sousa (Irmã): Canal bancário de passagem para recepção, depósitos em espécie e redistribuição de recursos.
Mansão em bairro de luxo e rede de postos
A investigação também mirou a aquisição de uma mansão situada no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, apontada como residência de Weverton.
Registros indicam que o parlamentar negociou a compra por R$ 6 milhões (sendo R$ 4 milhões de sinal e R$ 2 milhões de saldo).
Contudo, em abril de 2023, o imóvel foi registrado formalmente em nome da empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, pertencente a Willer Tomaz.
Para a PF, a "dissociação entre a titularidade registral e o domínio econômico" constitui ponto central da apuração.
Outro braço da lavagem operava por meio das contas dos postos Petro São Francisco e Petro São José. Apesar de apresentarem situação financeira crítica, as contas dos postos serviam para adquirir fazendas, comprar maquinário agrícola e realizar repasses milionários a empresas do grupo, como a DJ Agropecuária e a Rocha Holding.
Em um dos episódios relatados pela PF, a construtora Qualitech Engenharia Ltda transferiu R$ 5 milhões para a Petro São Francisco que, no mesmo dia, repassou o exato montante para a DJ Agropecuária.
Anna Catarina Rocha, filha de Weverton, providenciava contratos de empréstimo posteriores para tentar conferir justificativa contábil às transações.
Dinheiro vivo, jatinhos e apreensão de R$ 1 milhão
A Polícia Federal apurou uma intensa movimentação de valores em espécie coincidentes com voos privados entre Brasília e o Maranhão.
Planilhas mantidas por Fayla Zulmira apontam lançamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo para custeio de aeronaves, hangares e despesas operacionais.
A tese policial ganhou respaldo com um fato posterior ocorrido em 11 de maio de 2026, quando a PF apreendeu R$ 1.000.000,00 em espécie em poder de uma pessoa que, em tese, destinaria o numerário a um ex-assessor do senador Weverton.
Outro indício envolveu depósitos em espécie e trocas de mensagens. Em abril de 2023, Weverton orientou a filha a ir à residência do advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite para buscar "processos" e "páginas" — códigos interpretados como referências a maços de cédulas.
Dias depois, ocorreram depósitos em dinheiro nas contas dos postos, seguidos de transferências para a conta pessoal do senador.