ITATIBA1

Justiça determina que Prefeitura do Rio crie 20 novos CREAS para ampliar atendimento a pessoas em situação de risco

Justiça determina que Prefeitura do Rio crie 20 novos CREAS

G1 — Brasil · 2026-08-04T22:43:46.000Z

Justiça determina que Prefeitura do Rio crie 20 novos CREAS

A Justiça determinou que a Prefeitura do Rio de Janeiro amplie a rede de Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) na cidade. Pela decisão, o município terá que instalar 20 novas unidades, seguindo a proporção estabelecida pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS).

A ação foi movida pela Defensoria Pública do Rio em 2019. Entre os pedidos, estavam a ampliação do número de CREAS e a adequação das instalações físicas para melhorar a estrutura de atendimento.

Os CREAS atendem pessoas e famílias que estão em situação de risco pessoal ou social e também são responsáveis pelo acompanhamento de adolescentes que cometeram atos infracionais e cumprem medidas socioeducativas em liberdade, como a chamada Liberdade Assistida (LA).

A execução dessas medidas é uma responsabilidade do município.

Justiça determina que Prefeitura do Rio crie 20 novos CREAS para ampliar atendimento a pessoas em situação de risco

Ao longo do processo, a Prefeitura apresentou recursos contra a ação. Em novembro de 2024, no entanto, a Justiça condenou o município a cumprir as medidas determinadas.

Na semana passada, a 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por unanimidade, negou mais um recurso apresentado pela Prefeitura e manteve a determinação para que o município instale o número de unidades previsto nas normas nacionais.

Rio tem um CREAS para cada 443 mil habitantes

Na decisão, o juiz Glauber Bittencourt afirma que o Rio ocupa a última colocação entre as capitais brasileiras na relação entre população e número de CREAS.

Segundo ele, enquanto Porto Alegre tem um centro para cada 148 mil habitantes, no Rio a proporção é de um CREAS para aproximadamente 443 mil moradores.

O magistrado afirma que a situação demonstra que a atuação do poder público está em desacordo com os direitos de crianças e adolescentes.

Uma resolução do Conselho Nacional de Assistência Social estabelece como referência a existência de pelo menos um CREAS para cada 200 mil habitantes.

A cidade do Rio tem mais de 6,7 milhões de habitantes, mas conta atualmente com apenas 14 unidades.

Pela proporção estabelecida na resolução, seriam necessárias pelo menos 34 unidades. Com isso, a cidade teria que criar 20 novos centros.

🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

Um dos exemplos citados é o CREAS da Taquara, na Zona Oeste. A unidade é responsável pelo atendimento de praticamente toda a Zona Sudoeste, uma área com mais de 1 milhão de habitantes.

Seguindo a proporção de um centro para cada 200 mil moradores, seriam necessárias pelo menos cinco unidades somente nessa região.

Na Zona Sul, o CREAS localizado em Laranjeiras atende moradores de 19 bairros, em uma área com população de 503.406 pessoas.

Pela proporção estabelecida pelo CNAS, a região deveria ter pelo menos mais uma unidade.

Acompanhamento de adolescentes

A falta de estrutura também afeta o acompanhamento de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em liberdade.

Em 2023, o RJ2 mostrou casos de jovens que estavam em liberdade assistida, mas não participavam de programas sociais, apesar de a legislação determinar que o acompanhamento seja feito pelos serviços especializados.

Entre as atribuições dos CREAS estão orientar o adolescente e, quando necessário, encaminhá-lo para programas oficiais ou comunitários, além de acompanhar a frequência escolar.

Os profissionais também devem auxiliar na socialização dos jovens e na preparação para a inserção no mercado de trabalho.

Na decisão, a Justiça aponta que esse acompanhamento não vem sendo realizado de maneira adequada no Rio devido à desproporção entre o número de unidades e profissionais disponíveis e a quantidade de pessoas que precisam ser atendidas.

O que diz a Prefeitura

Em março deste ano, ao recorrer da decisão, o município alegou questões processuais e afirmou que já possui centros de referência com boa estrutura.

A Prefeitura também afirmou que a obrigação relacionada à criação de um Conselho Municipal de Assistência Social já havia sido cumprida.

A decisão mais recente, porém, manteve a determinação para que o município amplie a rede de CREAS conforme os parâmetros estabelecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social.

Com mais essa decisão, a prefeitura disse que a Procuradoria do Rio vai recorrer.

Leia no Itatiba1 →