ITATIBA1

Vice de Zema, Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro

Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro.

G1 — Brasil · 2026-08-05T01:07:36.000Z

Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro.

O senador Eduardo Girão (Novo) afirmou, nesta terça-feira (4), que fez uma ligação telefônica para a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) após aceitar convite para concorrer como vice ao lado de Romeu Zema (Novo) em chapa à Presidência da República. Girão elogiou a “coragem” de Michelle em expor o acordo do PL com Ciro Gomes (PSDB) para formar chapa nas eleições do Ceará (entenda mais abaixo).

“Ela teve a coragem de expor esse acordão indecoroso que aconteceu aqui no estado do Ceará, do PL com as pessoas que estão querendo voltar para o poder, que colocaram o PT no poder”, falou o candidato durante convenção do Novo em Fortaleza.

“É água e óleo. A gente vê que não se sustenta. É um erro histórico que aconteceu no PL, e ela teve a coragem de enfrentar”, reforçou o senador.

Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp

Na convenção do Novo, foi lançado o advogado Pedro Brito como candidato ao governo do estado. Girão era cotado a ser o candidato do partido, mas desistiu ao aceitar ser o vice da chapa de Zema para a Presidência.

Vice de Zema, Girão afirma que Michelle teve 'coragem' ao expor acordo 'indecoroso' do PL com Ciro.

Fabiane de Paula/SVM

O senador era apoiado pela ex-primeira dama ao governo do Ceará, mas o PL decidiu apoiar Ciro Gomes, em movimento orquestrado pelo deputado federal André Fernandes, presidente do partido no Ceará.

Girão disse ainda que a ex-primeira dama foi uma das primeiras pessoas para quem ele ligou após aceitar fazer parte da chapa de Zema.

“Foi a primeira pessoa que eu liguei particularmente, depois da minha família, foi a Michelle. Uma mulher autêntica, de valores, de princípios, que eu admiro demais [...] Da mesma forma que eu fui surpreendido, ela também. Mas a gente conversou, e ela, como uma amiga, uma pessoa que é uma irmã para mim, desejou boa sorte”, comentou Girão.

Críticas a Ciro Gomes

Senador Eduardo Girão (Novo) será candidato a vice-presidente ao lado de Romeu Zema.

Kid Junior/ SVM.

O ex-ministro e atual candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, fez uma publicação nas redes sociais parabenizando Girão pelo convite à chapa presidenciável, na noite desta terça-feira (4).

“Quero cumprimentar o senador Eduardo Girão pelo honroso convite para disputar a vice presidência da república . É muitíssimo raro que cearenses consigam alcançar oportunidades na luta política nacional . Desejo ao Senador Girão muito boa sorte na empreitada”, disse Ciro.

Questionado sobre a mensagem, Girão agradeceu as palavras de Ciro, mas rebateu o candidato. "Ciro Gomes é um dos cearenses mais inteligentes. Ele tem uma eloquência muito grande. Eu discordo da maneira de fazer política dele, isso faz parte, eu agradeço a mensagem", disse.

"Acredito que o Ceará precisa de uma ruptura desse modelo, do coronelismo, da oligarquia, que ele, o irmão [Cid Gomes], pessoas de outras famílias que estão entrando e o PT representam", reforçou Girão.

“A gente precisa de uma ruptura, é por isso que eu tive muito cuidado, numa discussão com todos que fazem o Novo aqui, para a gente conseguir formatar uma chapa e entregar para o cearense a alternativa. Então, a gente tem um advogado, um homem que é sensível, extremamente corajoso, dedicado em tudo que faz, e que tem o lema que eu tenho, que é justiça para todos”, complementou.

Michelle Bolsonaro expõe briga com Flávio: 'Entendi que não queria meu apoio'

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou, em junho, um depoimento nas redes sociais em que diz ter sido humilhada pelo senador e pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flávio Bolsonaro.

Nos vídeos, Michelle cita uma briga por causa da articulação do deputado federal André Fernandes (PL) para que o partido apoiasse a candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará em 2026, além de uma disputa entre candidatos do PL no estado por uma vaga no Senado.

O episódio citado pela ex-primeira-dama teve início em um comício do qual ela participou em Fortaleza no fim de 2025. À época, Michelle lembrou que Ciro havia criticado duramente Jair Bolsonaro e seus filhos e afirmou que o apoio articulado por André Fernandes, presidente estadual do PL no Ceará, era precipitado.

No Ceará, Michelle defendia a candidatura do senador Eduardo Girão ao Executivo estadual. Conforme Michelle, Girão representa os valores defendidos por Bolsonaro. Ela avaliava que um apoio do PL a Ciro só deveria ocorrer em um eventual segundo turno. O PL oficializou apoio ao ex-ministro em maio deste ano.

“É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá”, disse Michelle no comício de 2025, olhando para Fernandes.

Ela afirmou que, pouco após o discurso, Flávio Bolsonaro telefonou para ela e os dois discutiram. "Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi", narrou.

Michelle e Flávio Bolsonaro entraram em atrito por divergências de apoios no Ceará

No depoimento publicado, Michelle também citou a briga pelo Senado: em junho de 2025, ela apoiou publicamente a pré-candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL) a uma vaga no Senado. O PL, no entanto, lançou o deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André.

Michelle afirmou que a candidatura de Priscila havia sido acordada com Jair Bolsonaro.

Michelle Bolsonaro e André Fernandes em evento que lançou a pré-candidatura de Eduardo Girão ao governo do Ceará.

Fabiane de Paula/SVM

"Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro [...]Já que a aliança com Ciro é tão boa, por que o André não disponibiliza a vaga de seu próprio pai? Por que só a mulher tem que ceder?", questionou Michelle.

Ela também usou o vídeo recente para criticar novamente o apoio a Ciro. "Eu sou contra ela [a aliança], mas essa é apenas a minha convicção. Se a direita quer se unir para derrotar o PT, tudo bem", disse. "Mas a coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno".

Quem são os nomes que aparecem na briga

Quem é quem na confusão que gerou briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro

A discussão descrita por Michelle envolve:

André Fernandes: deputado federal e presidente do PL Ceará, André articulou desde 2025 uma aproximação do Partido Liberal ao PSDB de Ciro Gomes; defende uma união de grupos à direita em torno de um candidato para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT); também defende que o seu pai, Alcides Fernandes, seja o candidato do PL ao Senado;

Ciro Gomes: ex-ministro e ex-governador do Ceará, foi lançado pré-candidato do PSDB ao Governo do Ceará em 16 de maio deste ano; o evento contou com participação de lideranças do PL;

Eduardo Girão: senador do Ceará, que era pré-candidato do partido Novo ao Governo do Estado; tinha apoio de Michelle Bolsonaro;

Alcides Fernandes: deputado estadual pelo PL, é pai de André Fernandes e foi lançado pelo filho como candidato do partido no Ceará ao Senado;

Priscila Costa: vereadora de Fortaleza pelo PL, irá assumir a vaga de deputada federal que era de Dayany Bittencourt (União), esposa de Capitão Wagner (União) - outro nome forte da direita no Ceará. Em 2025, Priscila foi lançada por Michelle Bolsonaro como pré-candidata do PL ao Senado no Ceará.

Discussão sobre Ciro

Segundo Michelle, Ciro Gomes foi o principal responsável "pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido". Ela citou ainda que o ex-governador do Ceará havia chamado Bolsonaro e seus filhos, incluindo Flávio, de corruptos e bandidos.

Na época em que criticou o apoio a Ciro, a fala da ex-primeira-dama gerou reação imediata dos filhos de Jair Bolsonaro:

Flávio afirmou que Michelle havia “atropelado” Jair Bolsonaro ao questionar um movimento de articulação autorizado pelo ex-presidente;

Carlos e Jair Renan endossaram a crítica;

Eduardo disse que André Fernandes havia sido “injustamente exposto” por Michelle.

No Ceará, lideranças do PL também defenderam o apoio do partido ao candidato do PSDB:

Alcides Fernandes afirmou que Ciro era a melhor opção da oposição no estado e disse que deputados estavam se aproveitando o nome de Michelle;

A deputada estadual Dra. Silvana disse que a fala de Michelle foi um "verdadeiro ataque ao deputado federal André Fernandes" e que Bolsonaro havia definido que André decidisse as tratativas no Ceará.

Ainda em 2025, após a reação do PL Ceará e dos enteados, Michelle publicou uma nota dizendo respeitar a opinião deles, mas discordar dela. "Aqueles que defendem essa aliança são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é)", afirmou à época.

Aproximação do PL com o PSDB

André Fernandes e Alcides Fernandes (PL) no evento de filiação de Ciro Gomes ao PSDB.

A aproximação entre Ciro e André Fernandes começou após as eleições municipais de 2024, nas quais o deputado federal foi ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Fortaleza contra Evandro Leitão (PT) e perdeu por pouco mais de 10 mil votos.

À época, André recebeu apoio do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União), um dos principais aliados de Ciro e hoje cotado a concorrer a vice-governador do ex-ministro na disputa pelo governo do Ceará.

Ao longo de 2025, Ciro e lideranças do PL passaram a negociar uma chapa para disputar o governo estadual contra Elmano de Freitas (PT), atual governador. Pesquisa Quaest divulgada em abril sobre as eleições locais indicam Ciro Gomes na liderança das intenções de voto, com 41%, e Elmano de Freitas (PT) com 32%. Eduardo Girão (Novo) é o terceiro, com 4%.

Após a crítica de Michelle, o Partido Liberal (PL) suspendeu, em dezembro de 2025, as conversas que vinham sendo conduzidas com o PSDB do Ceará sobre uma possível aliança para apoiar Ciro Gomes (PSDB). O movimento adiou, mas não impediu a aliança.

Em maio de 2026 o PL Ceará, liderado por Fernandes, oficializou o apoio a Ciro Gomes. No lançamento da pré-candidatura, Ciro afirmou que sua chapa tinha dois candidatos ao Senado: o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e o pai de André Fernandes, o deputado Alcides Fernandes.

Michelle publicou em suas redes sociais

Leia no Itatiba1 →