ITATIBA1

Estátua de 11 metros do Diabo fica em templo de quimbanda; entenda mais sobre a prática

Quimbanda: prática de matriz africana que busca cura espiritual.

G1 — Brasil · 2026-08-05T03:01:10.000Z

Quimbanda: prática de matriz africana que busca cura espiritual.

Uma estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo foi erguida na Taíba, em São Gonçalo do Amarante, região metropolitana de Fortaleza. O monumento foi construído pela feiticeira (como ela se define) Mãe Rainha das Trevas, no templo religioso Palácio Estrela Negra da Quimbanda. Mas o que á quimbanda?

O g1 conversou com Roberto Leão, que é praticante de quimbanda há 3 anos e se tornou tata (entenda abaixo) em 2026. Ele também é pai de santo na umbanda, religião que pratica há 20 anos.

💡 Tata é uma espécie de mestre, dirigente ritualista na prática da quimbanda. 'Tata’ significa "pai" ou "sacerdote", na linhagem Congo-Angola.

A primeira característica que o Tata Roberto destacou é que a quimbanda não é uma religião. É uma prática que pode ser feita por pessoas de qualquer religião.

“A quimbanda é uma prática magística, inclusive agrega todas as religiões. Então, ela é uma prática diaspórica, ela tem a sua origem realmente em matriz africana, mas com muita influência também dos povos originários, e influência também da magia cerimonial europeia”, explicou Pai Roberto.

A prática é determinada como um culto a entidades como exus e pombagiras.

No Banto, grupo etnolinguístico da África subsaariana, a palavra ‘kimbanda’ significa curador. O termo em português, escrito “quimbanda”, é também a palavra designada aos adeptos da prática.

Feiticeira gastou R$ 100 mil com estátua em homenagem ao Diabo

Prefeitura diz que obra da estátua do Diabo é legal e defende liberdade religiosa

Do Ceará a Madri: estátua do Diabo entra para lista de monumentos que retratam Lúcifer no mundo; veja lista

Processo de cura

A prática é determinada como um culto a entidades como exus e pombagiras.

Assim como outras religiões de matriz africana, os fundamentos e ritos da quimbanda são compartilhados historicamente pela oralidade. Não existe um livro específico que rege os preceitos, tal como a Bíblia, o Alcorão e a Torá. Assim, não existe um único modo, universal, de praticar a quimbanda.

“É um processo de você buscar, sem negar as suas sombras, entender quem você é por inteiro, compreender esse mergulho quase psicanalítico para dentro de você, entender quais são os seus desejos, ter consciência de quem você é por inteiro e decidir, ter a liberdade do que vale a pena você realizar ou não. Então, isso é um processo individual”, explicou o tata.

Pai Roberto enxerga que passado, presente e futuro acontecem "ao mesmo tempo", e não de uma forma linear, um evento após o outro. Assim, ele explica que, ao acessar os exus e pombagiras, o praticante acessa uma parte de si próprio, da própria ancestralidade.

“Na minha compreensão particular, o que chamamos [de quimbanda] é um culto ao morto, então é necromante, a gente cultua os nossos exus e pombagiras, que são os personagens principais da nossa quimbanda”, reforçou o líder espiritual.

Para alguns adeptos da quimbanda, busca-se também a cura espiritual para que não seja mais necessário reencarnar. Nessa perspectiva, a reencarnação é um “castigo” espiritual, onde o indivíduo fica fadado a reviver todas as partes boas e ruins da vida carnal. Ao ser plenamente curado, a pessoa se tornaria um exu ou pombagira.

“Não é uma prática do mal. É uma prática de se curar. É uma prática de cultuar a sua ancestralidade, honrar a si mesmo, se compreender como inteiro e ser uma pessoa mais completa”, complementou o tata Roberto Leão.

Estátua do Diabo

Estátua de 11 metros em homenagem ao Diabo é construída no Ceará

O monumento em homenagem ao Diabo foi construído em uma propriedade privada da feiticeira Mãe Rainha das Trevas, que é líder religiosa há quase 30 anos. A estátua foi inaugurada no último dia 25 de julho.

A feiticeira disse que gastou mais de R$ 100 mil para idealizar e levantar a estátua. Um engenheiro civil foi responsável pelo projeto. No entanto, ela não quis informar quanto tempo levou para o monumento ficar pronto.

A Prefeitura de São Gonçalo do Amarante afirmou que a obra da estátua do Diabo é regular e obedeceu à legislação municipal.

Segundo a Prefeitura, a emissão da Licença Ambiental e do Alvará de Construção pelo Município ocorreram de acordo com a legislação e foram concedidas após autorização do Governo do Estado.

A gestão municipal explicou que, como o empreendimento é localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) das Dunas do Litoral Oeste, foi necessária autorização da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SEMA).

Estátua em homenagem ao Diabo, construído na Taíba, região metropolitana de Fortaleza.

Leia no Itatiba1 →