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Entenda como nasce um ciclone bomba e por que ele pode provocar estragos

Meteorologistas alertam para ventos fortes a partir de quinta-feira

G1 — Brasil · 2026-08-05T03:00:40.000Z

Meteorologistas alertam para ventos fortes a partir de quinta-feira

Um ciclone extratropical previsto para se formar entre o Uruguai, o litoral do Rio Grande do Sul e o Oceano Atlântico pode se intensificar rapidamente entre quinta-feira (6) e sábado (8).

Caso a pressão no centro do sistema caia de forma acentuada em pouco tempo, ele poderá ser classificado como ciclone bomba. A confirmação, porém, depende da evolução do fenômeno.

🌀 ENTENDA: um “ciclone bomba” acontece quando uma área de baixa pressão se intensifica muito rápido (daí o nome). Isso costuma deixar o tempo mais severo, aumentando o risco de ventos fortes, chuva intensa e de uma mudança brusca de temperatura.

O processo começa com o encontro de massas de ar com características muito diferentes.

Na meteorologia, esse processo é chamado de ciclogênese explosiva. De um lado, há ar frio. Do outro, ar mais quente e úmido.

Com isso, quanto mais a pressão cai no centro do ciclone, maior tende a ser a diferença em relação às áreas ao redor.

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É essa diferença de pressão que acelera o deslocamento do ar e pode deixar os ventos mais fortes.

👉 Em resumo, três fatores ajudam a explicar esse processo:

o encontro entre ar frio e ar mais quente;

a formação de uma frente fria;

a queda rápida da pressão no centro do ciclone.

No caso previsto para esta semana, contudo, o centro do ciclone deve permanecer sobre o oceano.

Por isso, os impactos em terra estarão ligados principalmente à frente fria, às linhas de tempestade e ao contraste entre o ar frio que avança pelo Sul e o ar quente que ainda predomina no Centro-Sul.

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💨 Segundo os últimos modelos meteorológicos, as rajadas podem passar de 100 km/h em pontos do litoral e de áreas serranas de São Paulo e do Rio de Janeiro. No sul e no leste do Rio Grande do Sul, os ventos podem superar 91 km/h.

Passagem de ciclone bomba pelo Sul do Brasil em julho de 2020.

Kleber Trabaquini/ Epagri-Ciram/ Goes 16 - NOAA

Por que ele pode causar tantos estragos?

A rapidez da intensificação é um dos principais fatores de risco de um ciclone bomba. Como o sistema pode ganhar força em poucas horas, o prazo para que cidades, concessionárias de energia, portos e serviços de emergência se preparem pode ficar menor.

👉 Por esse motivo, os prejuízos não dependem apenas da força do ciclone. Eles resultam da combinação de diferentes fatores como:

tempestades ligadas à uma frente fria;

grandes volumes de chuva sobre um solo já encharcado;

ressaca e avanço do mar em áreas costeiras;

queda de temperatura após a passagem do sistema;

maior vulnerabilidade de cidades com rede elétrica aérea, árvores sem manejo e construções frágeis.

No Brasil, muitas vezes os efeitos mais graves não vêm do centro do ciclone, que costuma ficar sobre o oceano.

Eles são provocados pelas tempestades organizadas ao redor do sistema, capazes de gerar rajadas muito fortes, granizo e chuva intensa em terra.

⚠️ Fora isso, a chuva também pode deixar o solo mais instável, aumentar o risco de deslizamentos e facilitar a queda de árvores.

No litoral, o vento persistente sobre o mar favorece, por exemplo, ondas maiores, a erosão da faixa de areia e danos em estruturas próximas à praia.

Ciclones bomba são comuns?

Ciclones extratropicais são fenômenos comuns nas latitudes médias, onde massas de ar frio e quente se encontram com frequência.

Apenas uma parte deles, porém, se intensifica rápido o suficiente para receber a classificação de ciclone bomba.

Esses episódios são mais frequentes sobre os oceanos e durante os meses mais frios, quando o contraste de temperatura costuma ser maior.

As principais áreas de ocorrência ficam no Atlântico Norte e no Pacífico Norte, especialmente perto da costa leste da América do Norte e do Japão.

No Hemisfério Sul, eles também aparecem nas grandes rotas de tempestades que atravessam o Atlântico Sul, o Índico e o Pacífico.

Uma dessas áreas fica justamente entre a Argentina, o Uruguai e o oceano ao sul e a sudeste do Brasil.

Bruno Todeschini/ Grupo RBS

O El Niño influencia?

O El Niño não cria sozinho um ciclone bomba nem permite atribuir diretamente um episódio específico ao fenômeno.

Ele pode, porém, alterar a circulação dos ventos e a distribuição de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Na América do Sul, episódios de El Niño costumam favorecer mais chuva no Sul do Brasil e em áreas próximas.

Essas mudanças podem modificar o ambiente em que frentes frias e ciclones se desenvolvem, mas a formação de cada sistema depende das condições meteorológicas presentes naquele momento.

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