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Estudante que começou a vender bolo de pote na rua aos 16 anos abre confeitaria no interior de SP

Estudante começa a vender bolo de pote na rua e abre confeitaria em São José do Rio Preto

G1 — Brasil · 2026-08-05T10:33:20.000Z

Estudante começa a vender bolo de pote na rua e abre confeitaria em São José do Rio Preto

🍰 Com apenas 12 anos, Enzo da Cruz Silva já perfumava a cozinha de casa ao preparar bolos, pavês, pudins e mousses para a família em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A aptidão pela confeitaria, que se revelou cedo para o estudante, foi percebida pelos pais, que incentivaram o adolescente a fazer um curso na área de gastronomia.

A rotina na cozinha ficou ainda mais intensa com o aumento constante nos pedidos recebidos pelo jovem, que chegou a vender 30 bolos de pote em um dia pelas ruas da cidade. Quatro anos depois, o hobby virou empreendimento ao se transformar em uma loja de doces.

“Um dia comentei com meu marido: ‘O Enzo leva jeito para fazer as coisas, o que a gente acha de pagarmos um curso pra ele? Ele tinha 14 anos na época”, relembra Franciele da Cruz Silva, mãe do adolescente, em entrevista ao g1.

Aos 16 anos, o estudante Enzo da Cruz Silva transformou a confeitaria em negócio em São José do Rio Preto (SP)

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Para Enzo, assim como acontece com muitas pessoas quando iniciam uma nova tarefa, foi preciso um tempo até assimilar o conteúdo das aulas e conseguir vencer a timidez. À época, uma das tarefas mais difíceis era acertar o ponto da massa.

“Não sabia nada sobre confeitaria e não fazia ideia da dimensão que é essa profissão. No começo, errei muitas vezes, várias massas de bolo e recheio, mas isso não me abalou, continuei seguindo em frente”, relata em entrevista ao g1.

Aos 16 anos, o estudante Enzo da Cruz Silva transformou a confeitaria em negócio em São José do Rio Preto (SP)

🧁 Sucesso de vendas

Após mais de um ano de curso, os resultados começaram a aparecer e, influenciado também pelo seu irmão, Enzo passou a publicar seu trabalho na internet. Em pouco tempo de divulgação, as encomendas começaram a lotar a geladeira da família, que ficou pequena para tantos bolos.

"Ele é muito detalhista. Tudo que ele faz é bom e bonito. E claro que eu e o pai dele somos os maiores incentivadores nessa parte", comenta Franciele.

Aos 16 anos, o estudante Enzo da Cruz Silva transformou a confeitaria em negócio em São José do Rio Preto (SP)

Em meio ao sucesso de vendas e com o apoio e acompanhamento contínuo dos pais, Enzo realizou o sonho de abrir o próprio negócio no início de 2025, quando tinha 16 anos. À reportagem, ele revelou que os planos consistem agora em investir ainda mais na confeitaria e seguir aperfeiçoando suas habilidades e técnicas.

“Foi algo incrível e maravilhoso, pois nunca pensei em vender mais de 30 bolos em um único dia. É uma sensação muito boa, porém tem que ter cabeça e responsabilidade, pois não é fácil, mas a sensação de ter sua própria confeitaria é um sonho se realizando aos poucos”, finaliza o jovem.

Apesar da conquista e de vislumbrar um futuro promissor na culinária, aos 17 anos, o jovem continua estudando no ensino médio e concilia as atividades escolares com o trabalho de confeiteiro.

💻 É possível abrir um negócio antes dos 18 anos?

A história de Enzo traz à tona uma dúvida comum entre jovens que sonham em montar o próprio negócio. De acordo com a advogada especialista em Direito do Trabalho Mariana Saroa, adolescentes de 16 e 17 anos podem abrir uma empresa, mas as regras variam conforme a estrutura do estabelecimento. Confira os detalhes abaixo.

Para atuar como titular único: a exemplo do Microempreendedor Individual (MEI), a emancipação é obrigatória, já que o Código Civil exige plena capacidade civil para o exercício empresarial individual.

Como sócio de uma empresa: o jovem pode integrar o quadro de uma sociedade limitada sem ser emancipado, desde que atue como sócio assistido pelos pais, não exerça cargo de administração e tenha a ação totalmente quitada no momento da constituição.

A advogada ressalta que a emancipação só é necessária caso o objetivo seja que o adolescente se torne o titular único do negócio. "Na prática, para o adolescente que já pretende abrir o CNPJ com segurança jurídica, como regra geral, a via mais recomendada é a emancipação voluntária", explica.

🔍 A emancipação voluntária é concedida pelos pais, mediante Escritura Pública lavrada em Cartório de Notas, com posterior registro no Cartório de Registro Civil. Exige que o menor tenha ao menos 16 anos completos e que ambos os pais estejam de acordo. Não há necessidade de processo judicial, apenas se um dos genitores discordar, estiver ausente ou for falecido.

Advogada Mariana Saroa, especialista em Direito do Trabalho, explica regras para abertura de empresas com menores de 18 anos

A especialista alerta ainda que ter menos de 18 anos não ameniza os deveres com funcionários da empresa. Ao assumir o papel de empregador, o jovem fica sujeito a todos os rigores da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo o pagamento de horas extras, o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a quitação dos demais encargos.

Já nos casos em que o menor atua apenas como sócio assistido sem emancipação, a responsabilidade por contratar e assinar a carteira de trabalho dos colaboradores fica a cargo do administrador adulto da empresa.

"Empreender ainda jovem é, sim, um caminho possível e promissor, mas a liberdade de criar o próprio negócio só se sustenta quando vem acompanhada de responsabilidade jurídica. Regularizar-se desde o início não é burocracia, é o que garante que o sonho continue de pé no futuro", finaliza Mariana.

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