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O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa…
G1 — Brasil · 2026-08-05T12:35:36.000Z
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026
Sob a alegação de que o Brasil demora a conceder o agrément ao indicado para a embaixada dos EUA, Daniel Perez, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, detonando mais uma carga de explosivos sobre a já deteriorada relação entre os dois países.
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O tom inédito e radical da decisão se distancia do campo diplomático, mas este tem sido o método de operação do governo americano nos 18 meses do mandato de Trump. A começar pelo desmonte do Departamento de Estado: mais da metade das representações dos EUA no exterior estão sem embaixador. Nos países da África, o índice atinge 80%.
De acordo com levantamento da Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA, na sigla em inglês), 106 dos 195 postos de embaixador dos Estados Unidos estão vagos, inclusive em países estratégicos no atual cenário geopolítico, como Ucrânia, Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Catar e Paquistão, atores centrais na mediação de conflitos do Oriente Médio, estão sem embaixadores americanos.
Dos postos vagos, 35 já têm nomes indicados, mas aguardam a conclusão do processo de credenciamento — caso de Daniel Perez, nomeado para a embaixada no Brasil.
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Os números indicam que a Casa Branca não demonstra urgência em preencher os cargos de maior escalão da diplomacia americana. É também significativo que apenas nove dos postos sejam ocupados por diplomatas de carreira.
A grande maioria dos envolvidos na política externa americana é formada por indicados alinhados às políticas do governo, amigos e parentes de Trump. Não por acaso um dos principais articuladores das negociações internacionais é o empresário do ramo imobiliário Steve Wittkoff, enviado especial da Casa Branca para missões diplomáticas de alto nível. O genro Jared Kushner, embora sem cargo formal, continua exercendo influência sobre temas relacionados ao Oriente Médio.
A diplomacia familiar também permanece presente. Um dos consogros do presidente, Charles Kushner, é embaixador na França; o outro, Massad Boulos, pai do marido da filha Tiffany, atua como conselheiro sênior do presidente para Assuntos Árabes e do Oriente Médio como o conselheiro do Departamento de Estado para a África.
Ao assumir o posto máximo da diplomacia americana, o secretário Marco Rubio prometeu fortalecer a diplomacia. Ex-funcionários do Departamento de Estado, porém, descrevem à imprensa o esvaziamento da política externa, com o afastamento de diplomatas experientes.
Cerca de dois mil diplomatas deixaram o Serviço Exterior no último ano, segundo a AFSA, por demissões ou aposentadorias compulsórias. O Departamento de Estado rejeita, contudo, a ideia de desmantelamento do setor.
Ex-diplomata de carreira, com mais de 25 anos de experiência em países da Europa, Tadjiquistão, Afeganistão e Paquistão, observou que os EUA se enfraquecem com a saída desses especialistas. “Quando há uma crise, simplesmente não temos a infraestrutura que tínhamos antes para garantir a segurança dos americanos no exterior e para proteger nossos interesses comerciais”, afirmou à rede NBC.
Os cortes de pessoal e o vácuo de liderança em postos estratégicos reforçam a percepção de que a reformulação do Departamento de Estado alinhada ao modelo MAGA no segundo mandato de Trump parece irreversível.