ITATIBA1

El Niño forte pode levar mais 49 milhões de pessoas à fome aguda, diz agência da ONU

Moradores retiram suprimentos de água de emergência em meio à seca na Indonésia 16 de julho de 2026

G1 — Brasil · 2026-08-05T12:48:05.000Z

Moradores retiram suprimentos de água de emergência em meio à seca na Indonésia 16 de julho de 2026

Um forte fenômeno climático El Niño poderia levar quase 49 milhões de pessoas a mais à insegurança alimentar aguda em algumas das regiões mais vulneráveis do mundo até o final do próximo ano, informou o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (5).

A agência da ONU afirmou em um relatório que há 81% de chance de ocorrer um fenômeno El Niño muito forte, com as temperaturas da superfície do mar atingindo seus níveis mais altos desde pelo menos 1982, o que poderia torná-lo o fenômeno mais intenso desse tipo desde 1950.

O El Niño, um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico, altera os padrões climáticos globais e costuma estar associado à seca na África Austral, ao atraso das monções em partes da Ásia e a chuvas irregulares em outras regiões.

“Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala”, disse Jean-Martin Bauer, diretor do Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA, a repórteres.

Agora no g1

Com base em uma análise de 45 países considerados vulneráveis aos efeitos adversos do El Niño, o PMA estima que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda possa aumentar em quase 49 milhões, chegando a um total de 274 milhões de pessoas — um aumento de 22% em relação à população de referência que já enfrenta insegurança alimentar em nível de crise ou pior.

A América Central e a África Austral devem estar entre as regiões mais afetadas, com o número de pessoas em situação de insegurança alimentar previsto para aumentar em 83% na América Central e em quase 75% na África Austral, segundo o relatório do PMA.

A África Austral, assim como a América do Sul e o Caribe, podem ver, cada uma, mais de 12 milhões de pessoas adicionais caírem na insegurança alimentar aguda.

Bauer afirmou que os mercados globais de alimentos entraram no período do El Niño em uma posição relativamente sólida, após boas colheitas em 2025, mas alertou que os conflitos no Oriente Médio e possíveis perdas nas safras relacionadas às condições climáticas poderiam exercer ainda mais pressão de alta sobre os preços.

Embora os eventos anteriores do El Niño normalmente não tenham provocado grandes picos nos preços globais dos alimentos, a escassez regional e os preços mais altos poderiam piorar o acesso à alimentação para famílias vulneráveis, disse ele.

Os cortes no financiamento por parte de doadores dos Estados Unidos e da Europa em 2025 também estão dificultando os esforços para monitorar a crise em desenvolvimento, com Bauer descrevendo uma crescente escassez de dados sobre segurança alimentar usados para avaliar o impacto do El Niño.

O PMA realizou cerca de 1,1 milhão de pesquisas domiciliares em 2024, em comparação com cerca de 800 mil em 2025, enquanto a coleta de dados caiu ainda mais este ano devido a restrições de financiamento.

“Em um momento em que se corre um risco como o El Niño, é importante ter uma coleta de dados em alta frequência”, disse Bauer, alertando que a redução do monitoramento poderia tornar mais difícil identificar rapidamente crises alimentares emergentes.

Novo estudo questiona explicação usada há décadas sobre corrente oceânica que regula o clima global

Leia no Itatiba1 →