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Bandidos usam réplicas de fardas das forças de segurança para invadir territórios
G1 — Brasil · 2026-08-05T13:13:36.000Z
Bandidos usam réplicas de fardas das forças de segurança para invadir territórios
Criminosos que atuam no RJ adotaram uma nova estratégia em ataques e em invasões a áreas dominadas por grupos rivais: o uso de uniformes e acessórios semelhantes aos das forças de segurança.
Investigações da Polícia Civil apontam que traficantes e milicianos têm utilizado roupas camufladas, coletes e identificações falsas para confundir moradores, adversários e até mesmo policiais.
Um dos casos mais recentes foi registrado na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Imagens obtidas pela polícia mostram pelo menos 12 homens armados desembarcando de uma van. Eles aparecem usando roupas camufladas semelhantes às empregadas por agentes em operações policiais.
Segundo as investigações, o grupo se preparava para invadir uma área controlada por criminosos rivais.
Criminosos com roupas camufladas iniciam invasão na Zona Oeste do Rio
Em outro vídeo analisado pelos investigadores, 4 homens apontados como integrantes de uma milícia se organizam para atacar traficantes do Comando Vermelho, em Campo Grande, também na Zona Oeste. Todos vestem roupas da Polícia Civil do RJ.
Um deles aparece usando um colete com identificação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), unidade especializada no combate a organizações criminosas.
A utilização desse tipo de material por criminosos não é inédita. Em setembro do ano passado, homens armados invadiram o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste. De acordo com a polícia, a intenção era executar um paciente que servia como testemunha em uma investigação criminal. Os suspeitos, ligados à milícia, também utilizavam uniformes semelhantes aos da Draco.
Outro caso ocorreu em Angra dos Reis, na Costa Verde, em junho. Um homem foi levado para a delegacia ao ser flagrado usando um uniforme parecido com o do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Com ele, os agentes apreenderam facas, réplicas de distintivos e documentos falsos.
Criminosos invadem Hospital Pedro II
Uma simples busca na internet permite encontrar páginas que anunciam fardas, coletes e acessórios semelhantes aos utilizados por forças de segurança, muitas vezes sem qualquer restrição aparente.
Desde 2021, uma lei estadual determina que empresas responsáveis pela confecção, distribuição e comercialização de uniformes das polícias Civil, Militar, Federal, Penal, do Corpo de Bombeiros e das guardas municipais do Rio precisam se cadastrar junto às respectivas corporações para exercer a atividade.
Além disso, a empresa recebe um certificado de autorização válido por 2 anos.
Apesar da legislação, especialistas afirmam que ainda há falhas na fiscalização e no controle da comercialização desses produtos.
Para o delegado Alexandre Neto, da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro, a facilidade de acesso aos uniformes está diretamente ligada à ausência de fiscalização.
"Existe facilidade porque não tem quem fiscalize. Falta fiscalização", afirmou.
Segundo ele, embora seja possível restringir fornecedores oficiais dos uniformes, a comercialização por terceiros continua ocorrendo sem controle efetivo.
Crime pode ter pena agravada
Usar uniforme ou identificação de agentes de segurança sem autorização é considerado contravenção penal. No entanto, quando esse recurso é utilizado para facilitar outros delitos, a punição pode ser mais severa.
"Se você pratica crimes, se esse uniforme é um crime-meio para praticar uma extorsão ou um sequestro, você vai responder pelo crime mais grave", explicou Alexandre Neto.
De acordo com as investigações, criminosos usam esse disfarce para cometer extorsões, fazer ameaças, realizar invasões e organizar ataques contra facções e grupos rivais.
"Você tem que ter algum dispositivo que diferencie o policial do bandido. Porque, se misturar tudo, o criminoso está usando o mesmo uniforme que a polícia usa. Isso pode levar até mesmo um policial a confundir um colega com um criminoso", disse o delegado.
O que diz a Polícia Civil
A Polícia Civil informou que trabalha com informações de inteligência para investigar quadrilhas que utilizam uniformes e identificações falsos.
Segundo a corporação, a Draco e outras unidades especializadas mantêm investigações permanentes para localizar e responsabilizar os envolvidos nesse tipo de crime.
A polícia também pede que a população denuncie casos suspeitos de uso de fardas e identificações por criminosos, como forma de auxiliar no combate às organizações criminosas.
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